segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Segredos


Meus olhos esbugalhados, sorridentes, sou uma criança carente, sou um placebo de realidade.
 Me fixo na memória, minha infância, refúgio do atual transtorno, minha foto antiga.
 Sou adulto, suposta liberdade que vem da prisão, sou criança, sou olhos esbugalhados.
 Sou adorno de um histórico afogado, sou racionalidade esquisita, cansada.
 Resultado fulo de paixões quebradas, desesperos manipuláveis.
 Sou um restrito canalizado, ambíguo, "paradoxo?"; cansado infantil, desgastado infantil.
 Cansado-infantil, penitente-infantil, castigado-infantil, assassinado-infantil, não-amado infantil.
 Tempo-corroído-infantil, esquecido-infantil, apagado-infantil, recomeçado, mas infantil.
 Histórico saltitante; maturidade extrema, mas tudo é infantil.
 Sou adorno adulto, adorno adulto, e inveja adulta, do meu infantil.

 Desgastado, odiado, mutilado, exaustivo, transtornado, enervante infantil, desgraçado infantil, maldito infantil.

 Mas ainda procurado... ex-auto-amado olhos esbugalhados infantis.

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