segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Nightmare

Eu não posso mexer-me sem ferir nossos sagrados juramentos.
Eu não posso tocar a ponta da face que se inebria na minha imaginação.
Nem extasiar-me no calor que evapora dos poros e sobe as camadas abertas dos pêlos do seu corpo.
Ao não poder carregá-lo ao meu passado, não te posso levar ao meu futuro.
Em minhas mãos, nas minhas digitais, nos meus átomos, no tempo...
Reside um menino preso nos meus neurônios exaustos. Com os pés no raso, de uma praia acompanhada por uma música clássica. Ele é saliente na quarta dimensão e o mundo é por ele conhecido e o mundo é o exilado.
Ele não pode alcançar, ele é o esquecido no tempo, ele é a foto programada deste momento.
Meu pesadelo mais profundo.

Eu não posso pensar sem ser uma ofensa ofegante a nossa construção.
Eu não posso cintilar as chagas escuras que protuberam em nós.
Nem te trazer para as mais lindas sensações que se trocam nos choques elétricos dos sentidos.
Onde meus olhos antigos padecem há uma distância em anos luz, daquilo que eu sou e daquilo que você é. Não te encontro no meio dos meus amigos, no meio do ensino médio, no jardim de infância.
As crianças choram enquanto você é meu embrião.
Meu pesadelo mais profundo.

Eu aguardo que segure a minha mão...
E aguardo uma cantiga de ninar para adultos.
Eu espero as palavras corretas.
E os brinquedos das mesmas preferências.
E os momentos que os códigos apitam o positivo funcionamento.
Entre isso e entre o silêncio, e entre a distração há meu pesadelo mais profundo.
Sombrio. Os buracos na estrada; não se pode acelerar!

Entre as suas risadas metafóricas de mediocridade.
E entre sua felicidade sinônima de mesquinhez.
E entre seus lábios arquitetando necessidade.
Entre meus atos conseguintes de sua locomoção.
Entre o mundo ser um parque, e eu permissivo de seu passeio.
Entre o amor comprado com milhares de atitudes detalhadas.

Há o meu pesadelo mais profundo, e o seu sonho mais claro.

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