domingo, 28 de março de 2010

It's time to go

 Hoje andei por uma caverna seguindo a trilha mais reta possível, estava então parado no meio de uma multidão que me observavam intrigados.
Meus ombros estavam bastante levantados, pois meu pulmão estava cheio, alertas de defesa, mais a adrenalina e eu na verdade nem poderia correr.
Eu era como uma ameaça extraterrestre, e ninguém se movia. Pareciam pedaços de um cenário, uma situação que pulava 20 frames por segundo.
A idosa baixava a cabeça e levantava, repetindo uma decepção. E as crianças queriam brincar com aquele novo ".....". Sorriam e ficavam sérias, e sorriam e ficavam sérias novamente. Não havia som.
Um espectro negro saiu de um dos quadrados laterais. Ele tinha braços longos, e rastejava com seus membros sempre enterrados no chão. Seus olhos não me largavam um momento, e ele girou 180° um raio distante de mim. Algumas raízes saíam de meus pés e quando tocavam o chão eu era aquilo?
 Todo dia eu chegava no meu verdadeiro lar, um dos melhores lugares do mundo, muitos ostentavam e cobiçavam a minha casa. Paredes desconexas, eu deitava sob a luz da lua na grama da minha cozinha, e me sentia seguro pelas paredes inacabadas. Adorava a árvore na minha sala, ela ia tão alto. E ela amava usar a água encanada.
Indo pro trabalho, andando no caminho de cinzas, e atravessando os rios de lava com o barco eu notava as gaivotas que voavam deslizantes no céu azul, sem bater as suas asas. Elas afetavam e moviam levemente a tinta do céu. Os corvos quando mergulhavam nas núvens saíam brancos, e as andorinhas riam muito disso.
 Rotineiramente na parada esperando a carroça me levar, uma criança sentava nos meus pés, e se tapava com meus pêlos, durante uma hora. O amigo dela pedia esmolas, e nesse momento ela sempre entregava a ele um anel de diamantes novo e diferente. Ele sorria e entrava no restaurante, onde trocava aquilo por um fio de macarrão, e comia satisfeito.
 À noite, todos se divertiam extremamente, sentávamos no círculo indutor, e quando aqueles dois círculos giravam um por fora e outro por dentro; ficávamos de encontro com a missão alheia, e assistíamos a cor de sua estrada.
Os casais tradicionais batiam os dedos trocando sempre para uma combinação nunca repetida. E quando todos assistiam aquela cinematografia choravam de emoção.
As máquinas finas saíam do chão, pegavam com suas cordas os homens grandes e os lançavam 20KM de distância, onde o fluído gelatinoso os seguravam. E era o meio de transporte preferido de todos.


O gigante deliciosamente cutucava o prédio e ele caía em camadas, num efeito dominó na vertical. Era melancólico, vê-lo deitado de lado com um braço apoiando a cabeça.

Em casa, eu fazia os gestos antes de dormir, com a mão roçando na parede, e criando diversas figuras que sentiam a temperatura nos cm² da minha mão em suas diversas áreas. Quando eu estava satisfeito eu ia dormir.
Em paz.
Esse é o lugar a qual sempre pertenci. Amor. It's time to go.

Um comentário:

EduardoCorrea disse...

Valeu a espera... Coeso, conciso... muito bom, teu melhor post em muitos.