terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Poliglota

Ele acordou direcionado por fluídos cósmicos, para uma trilha atormentada por uma previsibilidade trágica.
A frequência era vermelha, o guia era dourado, e ele volitava através dessa intuição alertante e ardente.
Seus olhos não largavam o final do caminho, como uma bússola atraída.
Ele respirava o odor do suor numa pré-cognição atrevida e ousada.

Abriu a porta de saída, caminhou 60 jardas. Seguindo a trilha desvendada pela aurora.
Adentrou uma enorme casa, com grandes janelas de vidro.
Escutou os gemidos, do falso prazer, vida perdida em impulsos instintivos.
Sonhos e alma estragados em pequenos sons batentes.
Perspectivas e expectativas consumidas por um simples cheiro.

Apesar de acordado na bolha previsível ele precisava ver. Enxergar o símbolo.
Subiu uma escada, com uma coragem de invejar os Deuses, comprovando em passos extremamente constantes, sem pressa, sem hesito.
Viu o corpo de seu namorado, aglomerado, num sexo fajuto.
A posição antiquada, as vozes sem criatividade; a mente sem exercício, cravando em um corpo parado.

A imensa parede de vidro, com uma vista deslumbrante, uma praia infinita, avermelhada pela calda do horizonte.
Um lugar para os "nobres", pertencente somente aos muito ricos. O outro não sabia de nada.

Aproximou-se lentamente; onde ao perceber-alheio os dois se desgrudaram.
Pararam intactos; e ele sentou-se na cama.
Atentamente ambos esperaram, por alguma resposta daquela fixa-tranquila-criatura.

Perguntei quanto tempo; o outro respondeu, contando nos dedos; vinte minutos.
Seu namorado silencioso, para sempre calado, qual seria seu eterno tormento?
Pra sempre esquecido, largado para sempre, na última lembrança de uma mística profunda.
O amado e o toda vida, o investido durante anos, o compartilhador; se tornou uma estátua.
Parado na mente, uma obra-prima para sempre, sua última imagem.
Seus olhos frios e travados, seu conhecido choro escorrendo para sempre no meu corpo.
Um quadro do maior renomado artista, imaculado. Dentro de sua essência enigmática e triste.

Ele então correu, correu tão rápido que seus ossos eram pesados e ficaram.
Correu tão rápido que sua pele não acompanhava. E correu mais rápido, passou a lua, passou o sol.
E de repente as luzes viravam linhas, e essas línhas ainda o ligavam.
Então ele acelerou, e as luzes já não o seguiam.

Então correu mais, e até os Deuses começaram a perder seus passos.
E sobrava seu sorriso trágico, seu sorriso dessa ironia.
As galáxias atravessavam sua mente e como um filtro descarregava nelas sua ira.
E deixou sua marca por centenas. Para que os Deuses lembrassem, quando procurassem com seus cães-de-guarda.
Que ninguém descobriria seu paradeiro...

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Fim

Coletava pequenos cometas, e conchas de praias, coloridas. Os esmeris dos sonhos.
Um telefone público engatinhava pela areia, para alcançar as pernas do incrível chorador.
O castigo poeta da distonia doce, de uma personalidade quebrada unida em falsos valores.
Um magnetismo minúsculo, a ungir pedaços de histórias, micro-vertigens para neurônios confusos.

Os lobos caçavam o medo das lebres, presos no ciclo de um típico instinto natural.
A lua descia, e subia, 180 vezes. Os sons do peixes voadores, das gaivotas agressivas, acompanhantes de toda uma vida.
Ao esquecimento, ao adiante, ao mundo entorpecente; às sensações que escorrem, para longe, distante, coerentes e pré-sadias.

Os órgãos urbanos, a respiração do cimento e as artérias com óleo revivendo elevadores.
O bucólico sentido, rústico ao tecno, techno ao rústico, adeus neste denso.
Sendo absorvido, por um notório mundo, totalmente neutro e totalmente todo.
Parte do corpo, parte do espírito, cabos e redes, sons e batidas, dentes imundos, fluídos intensos.

Cada parte de si, incompleta pra sempre, catando e garimpando vários sentidos.
Pequeno ele vai, pra um caminho espelhado, e meu eterno amor, não foi apagado.
Batizo as eras, outrora outras vidas, sem drama, sem fome, entranhas corrompidas.

O gélido e pálido, no primitivo apagado, o mais amplo esquecido, no infantil do espaço.
Deus que entorna almas esquecidas, da singela solidão transforma o aprendizado de uma vida.

Eu vou para um caminho, sozinho; paciente e desconcertado. Aquilo tudo que vejo, xadrez.
Peças do jogo, jogo criado pelo medo do gay espantalho. E corvos em volta, caem na tentação.
Adeus meu amor, Adeus meu calor,
Sou peregrino, da verdade incompleta.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Faces fáceis fazeis.

Ser humano simbiótico do café, e sentir-me atraído por pessoas feias por compensações extras bastante óbvias.
 Seres como animais porém treinados, lambujam-se em heterônimos extasiantes, todos estão com medo.
Nós, os espertos, manipulamos a imagem e a vida, fingindo-se jubilosos por trás de uma inveja de quem flui natural.
Camaleões que copiam a natureza. Nunca seremos, mas podemos nos disfarçar (eles não podem). 
A dor verte de artérias espirituais, onde escorre o carma por lágrimas cansadas, e uma trajetória que nos conta que é isso que temos que aguentar.
Não há saída, e dentro desta prisão temos que gestar uma liberdade.
Expandindo vem de dentro, com um pavor apertado no pescoço, apontado pela ameaça arma vida, e os corajosos recorrem ao sacrifício; outros escolhem a lua e outros apenas escolhem o sol.
**

Eu estou adornado, no sofá-relicário, das nossas memórias mais esquecidas.
Extraditado para um país distante, comprado pela luxúria. E como seu rosto derrete, nos meus dedos compridos; e gelam, o calor que me resta.
Eu abandonei uma vida por uma busca obssessiva, me jogo em drogas, bebidas e cigarros; e onde estou eu? Nada! Longe dos seus braços.
Meus olhos estão furados, para que eu não veja sua face novamente, e permaneça na lembrança, com a distância isenta da vergonha.
Deitada no berço a nova vida, fui, vou, irei. A caminho do mar, ao mar do esquecimento.
Das virtudes apagadas, dos sóis que borram os olhos, serenos na lápide do peito, lindo mármore de Adeus.
Adeus microogueras-macroguerras. Alcance seus sonhos mais profundos. Derrotando a nobre era, dos sonhadores mais fecundos.
***

Canto noturno, ouvido por um surdo.
As folhas perdem árvores.
Adereços perdem eles.
A idade vem chegando, selecionando vigores à rigores.
Eles engatinham erudição, outros festejam morte.
Sombrio e borrado várias estrelas, apagadas num horizonte falho de um ângulo irrevelado.
Extratores convencem almas aos braços dos mensageiros do outro mundo.
A lua prateada envermelhece, nas mágoas de uma amaldiçoada criada.
E aqueles que carecem buscam, o alimento que lhes favorece.
A partida de Deus é antiga, para nosso submundo, traga para eles o Demônio de um hedonista lapidado.
As entranhas ficam apáticas, contornando o prazer dos sádicos que a paralisou.
Me busque dessa época, esquivando o apocalypse. Pois não há sequer perdão, de um humano desnecessário.
****

Mãe, eu já vi, as lojas engolem pessoas.
Os bancos guardam seu sonhos.
O mar lampeja suas utopias.

Pai, eu já sei. Os índios não sabem ciência.
Os cientistas diminuem o universo.
As flores liberam os mortos.

Irmã, tu já me disse. Serpentes invadem as salas.
Carangueijo só anda de lado.
Anestesias aumentam a idade.

Irmã, conte mais uma vez.
Conjuntos são deslumbrantes.
Ombros não tem amigos.
"Caiu a ficha! Reveja o lembrete!"

Suba de novo, no degrau desmatado.
Destroce amores, afogue seus gados; feche os olhos e ore, por ser um renegado.
*****

Ganhei um presente, todo adulado, todo cheiroso, todo bonito; e todo charmoso, e todo novinho.
O papel resplandece, a corda fofinha, no colo quentinho, levinho, levinho.
É presente e "presente", e também "presente".
Realça e esbanja, brilha e acode, cura e sacia, ajuda e conforta.
É limpinho e clarinho, ajustado e querido. Vendi para o mundo, meu doce menino.

O "amigo "secreto?""
Raciona o âmbito! 
Divino! O TEMPO! Quando meu era profundo.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

"Eu te amo"

 Eu estava perdido sobre meu colchão e embaixo de uma coberta grossa; o peso dela criava ao mesmo tempo uma segurança inexplicável e um pouco de desconforto sufocante. A sala escura, as luzes azuis da tela da televisão dançando na parede, claro, mais escuro, escuro, um pouco mais claro, brilhante... e no mudo, eram só as luzes brincando de diferentes intensidades, e batendo nos meus olhos, na minha mente, me deixando um pouco tonto. Não aguentava mais esse clima repetitivo, dia à dia, cotidianamente, rotineiramente, todo dia... Os mesmos pensamentos subiam pelas minhas pernas e se alojavam com um enjoo na minha nuca. Tamanho tédio e frustração.
 Todos estavam dormindo, eu era muito jovem, tinha 16 anos, dormia no colchão da sala perto da porta de saída, era 2 horas da manhã. "Por que não sair?" "Por que ficar aqui?".... peguei um sanduíche, abri a porta e saí a deriva em estradas desertas e frias... comia o sanduíche lentamente. Chegando a um cercado do que parecia ser uma oficina, todo dia o cachorro dali latia enfurecido, intimidando a todos.... sentei-me, afinei a voz e ofereci um pedaço do meu sanduíche, fizemos amizade na hora, foi quando me liguei que se tratava de uma cadela, uma linda pastora alemã, melancólica, ficamos em silêncio durante uns 5 minutos enquanto eu a acariciava. Perguntei para ela se um dia ela gostaria de viajar entre as estrelas, e se pudesse um dia a levaria até Andrômeda. Todos os dias conseguintes ela era minha amiga, não latia mais, e balançava sua cauda para mim. Tínhamos um trato, um acordo que jamais vou esquecer. Um dia em espírito ou como for, ou só nos sonhos que ficaram perdidos no tempo e no espaço, a tirarei daquele cercado e a levarei para passear em Andrômeda, onde ela correrá feliz entre as estrelas, abanando sua cauda fervorosamente de felicidade.
 De repente eu quis ser um ninja pois ouvi vozes em uma das casas, parecia uma festinha particular em uma garagem. Nessa garagem tinha essa linha na parte de cima da parede de pequenos espaços abertos sem tijolos, fui me esgueirando por baixo e me encostei na parede, onde pude ficar ouvindo os adultos conversarem...
 Eles estavam bêbados, e soltando frases de humores, risadas, algumas piadinhas sujas, vários homens e mulheres em um ritual subjetivo de sexo..., para eles invisível, para mim programações claras de como se vendiam e se compravam sexualmente em cada frase... Eu não podia ver ninguém, mas fechava os olhos e me excitava com suas vozes e seu inconsciente cortejando uns aos outros, e os imaginava se agarrando na cama..., as vozes graves masculinas entre 30 e 45 anos entravam na minha pele..., e eu imaginava que depois de todas aquelas piadinhas e risadinhas tolas, e papos furado, se dominariam com silêncio impetuoso, substituído por gemidos..., fiquei excitado, muito excitado, e até perdi os meados da conversa enquanto imaginava os resultados de toda aquela tolice mascarada.
 Foi quando nem tinha percebido que o silêncio se sucedia a mais de 40 segundos, houveram despedidas? Houve afastamento temporário? Não sei, só sei que ouvi um "Psiu, que tá fazendo aí?!".... e foi quando notei que era observado por um homem entre 35 e 45 anos, com uma garrafa de cerveja na mão, baixo, mas com ombros extremamente largos, membros grossos, braços, pernas, mãos. Sua barba era tão grossa que senti inveja por uma vida inteira, e ele deu aquela coçadinha que deu pra ouvir as unhas atritando tão forte contra a rigidez daquela barba, que o som está gravado na minha mente até hoje, e arrepio só de relembrar. Os pelos bem morenos..., lembro que antes de eu baixar a cabeça sem resposta e desviar meus olhos, eu tirei uma foto mental, que consigo lembrar perfeitamente dele até hoje. Após isso não o olhei diretamente da mesma forma.
 Então ele perguntou novamente, e eu falei: "Nada. Só curtindo a noite. Já estou indo."
Mas ele escorou-se na parede ao meu lado, e me ofereceu a bebida.
 - Quer?
 - Não, muito obrigado, eu não bebo hehehe.
 Alguns segundos de silêncio, eu estava tão envergonhado. Mas ele parecia entusiasmado em estudar aquela criatura estranha no local mais estranho no meio da noite.
- Meu nome é Roger e o seu?
- Marcos.
- Você está triste Marcos?
- Na verdade eu diria mais pra entediado.
 Nenhum dos dois se olhava, conversávamos paralelos escorados na parede da garagem virados para um terreno baldio, que era grande e proporcionava uma visão ampla de estrelas, ao som de grilos, coaxar de sapos, e no restante o silêncio da madrugada. Estava tão frio, era uma madrugada congelante. E no momento que eu fui falar...
- Estou com fri...
 ele emendou:
- Estou com calor. Muito calor.
 Eu não sabia o que responder, então tentei levar a conversa para o lado mais descontraído possível. Tomei uma posição de comunicação leve, disfarce, vesti a máscara da superficialidade e soltei:
- Hehehe, deve ser a bebida. Você mora aqui faz muito tempo?
 Ele não comprou a ideia..
 - Marcos, eu vi o jeito que você me olhou.
 Eu fiquei vermelho, mas ele estava me desafiando, eu era o grande Marcos, prodígio, precoce, não deixaria ser subjugado psicologicamente assim, ele queria uma guerra de poder, eu iria dissimular primeiro, e desarmá-lo.
 - Eu te olhei normal oras. Eu fiquei assustado por que fui surpreendido e achei que você iria me enxotar, ou chamar a polícia, ou me ameaçar, ou até me atacar.
 Mas ele ignorou completamente e me cortou:
 - Você é virgem Marcos?
 Quando ele falou isso foi a primeira vez que ele virou o rosto, eu senti aquele bafo quente, e cheiro de bebida, assim como o cheiro de sua boca, então eu virei, olhei em seus olhos, tremendo por dentro mas firme por fora.
 - Você é hétero? Perguntei em tom de total desafio.
 Os olhos de ambos estavam em guerra, para ver quem cedia primeiro. Os dois perceberam que a resposta era sim. Eu virgem e ele hétero.
 Foi quando ele largou a bebida no chão e disse:
 - Você vai lembrar disso pro resto da sua vida.
   Virou-se na minha frente, me apertou contra a parede com muita força, ele queria que eu senti-se toda a superioridade física que ele possuía. Começou a beijar meu queixo com força, minha boca, meu pescoço, a barba dele fazia arder com força a minha pele. O corpo dele estava quente realmente, fervia como ele dissera. Ele pegou meus braços, levantou acima da minha cabeça, prendendo-os na parede. E começou a tirar a parte superior da minha roupa. Ele era violento, e eu apenas permiti...
 O beijo era alucinante, e no primeiro momento que ele desgrudou ele falou "Que boca...".
 Então ele colocou as minhas pernas em volta de sua cintura, me levou pro outro lado da rua, sem parar de me beijar, e quando eu vi estávamos no terreno baldio, em um canto escuro. Ele me jogou no chão gelado, praticamente congelado com a geada, mas logo tirou a parte de cima da roupa e colou seu corpo quente ao meu, beijando minhas costas, os lábios ferviam no meu corpo com frio, marcando as sensações na minha pele por horas.
 Dentro de toda aquela animalidade ele ainda parou para ser educado e perguntou:
- Você quer mesmo isso?
- Quero.
- O quanto você quer?
- Muito.
- Muito? Certeza?
 Quando ele perguntou eu hesitei por alguns segundos, senti um pouco de medo, ele estava alucinado. Mas respondi:
- Certeza...
 Então ele puxou as minhas calças, e puxou as dele. Tirou pra fora seu pênis, com um comprimento razoável, uns 16 ~ 17 cm, mas uma grossura muito perigosa. Deitou-se em cima de mim, colocou sua face em minha nuca, deixando seus lábios bem próximo do meu ouvido, e aderiu seu pau quente no meu rego, enquanto roçava e rolava ele pra cima e pra baixo, e falou:
- Pede pra eu meter, pede!
 Eu não falei nada por um segundo... e ele repetiu mais forte:
- Pede pra eu meter, eu quero que você peça.
 Eu pedi, e pedi com vontade e verdade, eu na verdade beirei o implorar:
- Cara, por favor, não faz assim comigo..., mete, me fode...
 Ele pegou a mão, soltou um cuspe enorme e grotesco, e meteu os dedos entre minhas nádegas. Em seguida foi introduzindo devagar, enquanto eu gemia. E começou a movimentar devagar, ele sabia o que estava fazendo.
 Dessa vez eu nem esperei ação dele, eu já falei:
- Mais rápido, mais forte...!
 Parecia que eu já tinha me transformado em um perito experiente.
 Então foi quando ele começou, a socar tão forte que eu me arrependi em alguns momentos.
 Então falei baixinho:
 - Pára. Pára. Calma.
 Mas cada vez que eu falava ele aumentava mais, e mais. E mais. Até que minha única alternativa foi me render totalmente. Quando me rendi meu ânus relaxou, eu fechei os olhos em êxtase. Ele me metia tão forte que meu pau roçava por baixo na grama e doía, um misto de dor forte e prazer.
 Meus gemidos soluçavam por causa da força que ele botava. Foi quando aconteceu..., gozamos ao mesmo tempo..., ele então urrou com força... e foi retirando seu pau do meu ânus, enquanto ainda soltava as últimas jorradas de porra muito quente, e eu senti perfeitamente pois era tão contrastante com o frio que fazia aquela noite. A última jorrada desceu por meus testículos e se juntou à minha porra.
 Ele ficou deitado por cima de mim ofegante..., permanecemos ali por vários segundos... foi quando ele disse no meu ouvido:
- Nesse exato momento, só nesses segundos... Eu te amo, eu realmente e profundamente te amo.

terça-feira, 7 de julho de 2009

Montanha



Eu subo uma montanha sob ódio dos meus fracos joelhos; e meu corpo pesado amargura-se...
Minha respiração não acompanha e meu ritmo não sustenta; a minha cabeça abaixa quando distraio a ira entre as pedras.
Com a virtude da natureza, a casca de uma árvore, eu engancho meus tênis de borracha fria e entro adepto ao descalçado.
A textura da terra mais a gosma de insetos mais a chuva de anteontem e os passos dos antepassados; que subiram a montanha sorrindo, subiram a montanha chorando; é meu frasco pretendente para importar a massagem divina.

Eu trago uma cesta com alguns braços do passado, trago uma renda e traço uma linha para tributar vários mortos; faço um piquenique com lembranças e deito com aqueles braços.
Fico em silêncio, com o belo tormento da brisa e a ex-existência esquecida.
Eu lentamente descosturo minhas roupas...

De quem eram essas vozes? Eu sou um selvagem. Recuso-me aprender o mundo.
Mesmo? Mesmo? Eu sou um selvagem.

As maiores nuvens salientes me seguem do céu, invadem minhas narinas e curam meus pulmões. Eu fico corado sob um leve gracejo; e escondo minha face enquanto falo um baixo “obrigado”. Levanto-me da minha reverencia e sento num degrau de uma empresa elétrica...
Cada momento um perjúrio do meu amor; preso na penúria dos seus braços.
Levanto-me e canto pra fora desse encanto, cada respirada minha voz de ramifica, fica fina e restrita, e se despede das vitórias, e das derrotas dos batalhadores.

Martelo uma corda em quatro lados de uma barraca aberta, para enxergar a floresta negra, através dos nosso quatro olhos. Para trazer o infinito, o restrito e o medo, a praga do silêncio e o desgaste do tédio...
Tudo que eu vejo, olho, sinto; alguns identificam, como tudo alternativo...
É da onde sai o fascínio e o nojo...

E por que desejastes...
Um doente estilo autismo; com uma bússola invertida...
Eterno na montanha, eterno na floresta...
Segue refletindo, egos de risadas, prazeres de tarados, e alturas dos mais baixos...
Capturado como prêmio, e resgatado como troféu...
Sofre de ternuras...
Sofre natural...
Para ter um raro sorriso...
Que como protegido Deus os contará...

Agradecido estou...Nada verei...

O tempo não recolhe os erros.
Nem o futuro, nem o esquecimento.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Caminhada

“Eu não quero ir pra casa,
nem voltar para um assassino lento.”
“Ele tossia na rua,
e procurava seu dono recortando sombras de silhuetas em 20 segundos fixos.”
“Uma das garagens de uma casa continha três sussurros,
um completando o outro numa cumplicidade com crueldade que invejava.”
“Do outro lado da cidade como juiz esperava qualquer bajulação,
para marcar qualquer sentença de ego; e saía instantâneo.”

Nem lágrimas nem sorrisos para definir o final de alguns dias...
(Ele era louco...)

Era incompreensível como ele caminhava lentamente sobre passos largos.
E como enxergava pessoas com a cabeça baixa.
E via seu sangue refletido nas espadas de eras medievais.
E engolia o pó da primeira descida de uma montanha russa velha.

Sentir pena do mais lindo dos seres.
Da casa pros braços de um assassino lento.

Já não há mais escolhas...
Um segredo foi contado..., para o fim.

Uma mística vazia, da morte dele, pra alguns pais.
Que nem o conhecem, enigma sob o silêncio.
Um túmulo, um suspiro, uma lembrança... várias culpas.

4 dificuldades e ele já se sente exausto.
5 e ele já é um desistente.
Por dois meses ele é um abandonador.
Por três meses ele é um vingador.
Por quatro meses ele é um assassino.
Por cinco meses ele é o melhor.

10 pesadelos e meu sistema nervoso está sobrecarregado.
As pernas levantaram meu corpo da cama como se fosse 20KG a menos (senti perfeitamente).
+ 4 pesadelos e suportar é uma dádiva, e também uma crueldade divina.

Sonhos tão concretos para a minha mão retornam para o ventre da utopia.
Esqueça os personagens de prazeres menores enquanto volta para casa em tobogãs oculares.
Eu revi amigos e horizontes...
Crianças subindo numa árvore...
E dormindo sobre alguns contos...

Não teria como dizer pra nenhum agora:
Sempre esperava o belo, inteligente, quente, e amigável.
Se abandonasse.
Seria um erro puramente “eu”, de qualquer um.

Mas essa era a intenção.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Diferença

Nós ainda temos tanto pra resolver, não sei por que ficamos em silêncio.
Eu preciso realmente ir ali e baixar o volume, ou apagar a luz... e permanecer por mais tempo onde nunca estive antes; à medo de preservar isto de qualquer tipo de morte.
E é tão óbvio, se os barulhos me desnorteavam e perdido não sabia aonde ir, agora com o silenciado ex-tumulto a perdição não ouve nenhum caminho, de qualquer forma.
E da minha natureza emerge a verdade da estagnação fatal, seja na tecnologia ou no parque; sons de guitarras ou pássaros.
Tenho pavor e fascínio, raiva e admiração do que eu sou.
Pena e identificação, dessa cruz que não é de madeira, é silenciosa e invisível, numa minúscula vida diante do nada e da cegueira.

Ele estava do meu lado, quente e com olhos fechados, e a textura de sua boca não era o terreno do meu namorado, era atípico e fragmentado, e suas mini-energias se ramificavam, e minha intuição surfava nestes micro-pedaços, e conhecia esferas de outras vidas e outros pensamentos; nós nunca estaríamos juntos, e mesmo assim te sexualizei para ousar qualquer autodestruição. É minha forma de estar sempre contigo, mesmo distante, ousamos além das infinitas regras que todos seguiriam e além do pânico de nossos pequenos corpos.
Em sigilo compartilhamos a morte da nossa vida, e apagamos qualquer crescimento unido; pois quando ele não está saltando defeitos está saltando medos, e se afastando de qualquer descontrole.... Eu também estou traumatizado agora, e não te agradeço.

Depois que entreguei minha alma a ti, nenhuma lágrima escorreu mais do meu rosto; desculpe te dar tanta carga, mas era minha salvação, e eu te usei.
O filtro existencial de uma mente; era tão solitário aqui, era tão sufocante, era absurdamente insano, e ao mesmo tempo tão consciente, da leveza e calmaria dos outros ou qualquer parte do mundo. Mas até te conhecer eu não queria participar disto; mas no ato “abandono do barco-de-luz-própria” não me restou muita alternativa.

Eu vivo numa cidade com prédios altos e uma população com uma racionalização inimaginável, e todos entendem os sentimentos e compreendem os medos do outro lado do mundo; e suas aparências são meio iguais, e são o centro de tecnologia mundial. Seus QIs são altos e também seu índice de suicídio, estranho quase que uma libertação. Eles refletem as ideologias ocidentais e lentamente cortam seus pulsos centrados em si, e não importando o calor alheio, pois toda realidade foi lapidada de impressões e visões.

Eu sou só um jovem, que chorou demais através da vida. Viveu apertado num colchão durante a adolescência, saboreando psicoses com intuições, e esquizofrenias com percepções. Eu estou tão triste, tão triste de ser a mais estranha mente, e tão feliz por ter adquirido diversos amores que não reconheceram a totalização disto, mas sentiram; e pra sempre se enrolam enigmáticos no que eu representei algum dia, ao mesmo tempo que seguem os passos do mundo.
Apenas um jovem, que chorou demais através da vida...

Eu sei que não devo falar palavras, já me entornei de tantos diálogos explodindo na velocidade da luz no meu neurológico; e fico com medo da falta de te oferecer. Desde a partir deste momento trocamos respirações; e te sinto bebendo minhas energias; e isso alerta meu afastamento. Sou seu dono astral, e cuidando de ti devo decidir uma boa vida; por favor, fique mais comigo; ou me mate belo; senão o farei me matar.

Agora eu retornei para a minha casa; eu vi as imagens esticadas pela velocidade da bicicleta; e é como se eu estivesse fugindo da fortaleza de seus braços. Como somos humanos ridículos, né? Toda sensação lentamente se mistura e encaixa, e se molda ao nosso inconsciente; e nos apertamos para nos tornarmos parte disto; e agora somos parte um do outro, e sabemos que há a possibilidade do momento de separação, mas então estamos unidos para doer... mais forte o fim, e tudo ser tão legítimo.
Nossa psique sente sede e isso me envergonha, e quando identifica um entorpecente ela troca; e eu não queria ser uma troca de um ex-mundo promíscuo para um mundo visível. E se Deus está aos redores dessa sua nova elucidação, e renovação; temos que encontrar mais gente.

O corpo dele é uma figura, que se compara no meu paladar psíquico, e alimenta todos meus distúrbios, e tudo aquilo que eles vêem de errado na natureza. E o seu cheiro, o seu cheiro é uma armadilha complementar que caça ininterruptamente, e veio anexado aos seus poros, e ele não tem culpa, mas ele a usa, involuntário. E para meu desespero funciona, e me seguraria por anos, perto ou distante.

Se eu entrar no banho agora; é como se eu esquecesse ele por alguns minutos e pensasse no meu futuro sem ele, e meu presente sem ele, e nestes últimos meses sem ele. E é como se eu estivesse dentro de uma sala, socialmente sorrindo e conhecendo pessoas novas, e estudando, e produzindo logo e breve em um futuro normal. Mas eu tenho que sair do chuveiro... e aprender a estar sempre feliz pelos limites se eu quero manter algo com ele, o tempo que for.

Você é muito jovem para ter um relacionamento; e logo conhecerá o desgaste, e o repetitivo, e o desejo que vem aos poucos do ínsito de envolver outros corpos e neles refletir sua vaidade. Logo será tão forte, a vontade de que eles conheçam seu membro grande e tu os gemidos deles; e essa verdade fica tão amarrada ao seu centro, que o propósito de seu nascimento característico é um alimento exorbitante pro ego.
E logo, logo, ele sentirá fome.

Acho que já aprendi a não sofrer, ou não importar, perto de tudo que já passei. E meus amigos mais inteligentes repetem conceitos proverbializadores que tive eras atrás. Eu tenho a opção de gracejar-me com o sol e latejar numa leve sensação, ou despenar minha solidão elaborada.

Não, isso não ameaça de nenhuma forma; mas 3 deles correram com toda a força. Um entrou numa biblioteca, outro numa boate, e outro entrou no super-mercado. Eu vi os 3 saírem felizes de lá; um sorriso infinito no rosto; e eu fiquei apavorado. Visitei os 3 lugares; eu nunca chorei tanto...
Mas lembrei que sorri quando estava fora vendo-os sair. Conheci o meu lugar.
E lembrei que estavam ameaçados...
Pelo o quê? Até vocês esqueceram dessa dúvida inicial de um parágrafo.
Sorria.

Então todos dizem toda hora que tudo nos desafia e nos liberta ao mesmo tempo.
Levantar de uma cama, estar com uma doença incurável; são só empecilhos e libertações? Se algo está na sua frente, se você dobrar é um obstáculo, se você passar é uma ajuda? Deus não trabalha por sublinhas, mas por ironias... É como eu também definiria amar você.
E sobre o amor? Eu sei que não sei o que é, mas sei que eles estão muito mais distantes de mim. E eu poderia até conceituar redundâncias por 10 páginas e elevar humanos a amores interestelares. Mas meus amores, se Deus não deu isso pra vocês, eu vou dar? Me dêem seu dinheiro.

Sim, sim, vamos vivendo até onde podemos. Preciso do seu calor e da sua vitalidade, e já aceitei isto. Você não correu de mim, e não sofreu desnecessariamente. E estamos juntos, e finalmente entendo o que te trago, e me esforço para isto, de uma maneira inacreditável.
Não temo seu abandono, pois já obtive sua crença, e por ti não fui trocado pelo mundo... e muito menos pelas dúvidas.

Infelizes são aqueles que abandonam pintando motivos, e se rendendo de racionalizações e argumentações bastante óbvias.
Essa é minha diferença, a sua diferença e a diferença dele...

Por que eu amo ele; mas o amor não é as nossas pernas.
E muito menos nossa corrida...

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Dissonância "E"

“Não se preocupe, eles se encontram amanhã...”

Com Amaterasu sobre a mão direita, estrelas eram entregues a um lago frio; mas o reflexo da água as retornava ao céu; e o lago continuava imutável. Um ser mitológico tomava esta água e se alimentava de pedras; este cobiça e espreita a luz do sol que se movimenta horizontal num horizonte que nunca o revela.
E uma criança contorna com um pincel esse eterno crepúsculo, eterna aurora, de um quadro já pintado.

Esta luz é brilhante e atraente por trás de grandes montanhas e gigantes muralhas. A curiosidade e a cobiça atiça o paladar; e o vampiro sente sede, e o zumbi sente fome.
O grupo espiritual obceca-se pela glória do infinito e do poder inalcançável, para desafiar o desespero pela vitória e pela conquista, do que é de outro.
A pré-paranóia passo a passo aumenta, e treina cada inveja a ter cada detalhado escudo; para ele satisfazer-se sob qualquer possibilidade de derrota.
E nisto a falsa bondade anexada continua entregue como numa retórica de um mendigo emocional, que pede e ensaia-se, dentro da compaixão alheia.

Uma floresta negra é curta, porém densa, e nos parece infinita ao medo. Mas sabe-se que há árvores e mais árvores, e ele nasce com um machado em vez de uma lanterna.
Tudo que há nela são terrenos pacíficos, gravetos e milhões de folhas que balançam ao vento; quieta e calma, sozinha e solitária, angulada sob luz da lua e dança das nuvens; mas seu silêncio causa medo, e sua estática é apavorante. Sua existência é inexplicável, e seu escuro é ameaçador. Ninguém sabe o porquê e ninguém vive nelas.

Um ser ganhou um instrumento celestial, mas nunca o aprendeu a tocar. Entidades esperam pacientes pelas notas certas; e ele repete o som do mundo. Cordas foram entregues para novos sons, e ele toca fascinações de falsas sereias, para atrair marinheiros do universo e os matar.
Ele é uma velha e empostada cognição; que pratica a arte do labirinto da razão, e foge de uma realidade adulta para o almejo infantil; onde simples sorrisos o encantam, e ele culpa quem para eles se cegam e atrai o exército de quem para eles tem fome.

Lágrimas escorrem de sua face espelhada; para a imagem refletida chorar com ele.
Seu corpo modelável adapta-se para pequenas vitórias de patéticas situações. E quando derrota-se ele foge, para uma terra de força e ilusão, do inferno entregue o conforto, para uma falsa “Redenção”.

Inquisita-se a hipocrisia de um suposto anjo de Deus; alvejo de corpos e atroz emocional. Que panteia a felicidade para se jogar nos chacais noturnos. E fracassa em aniquilar a simplória saciedade do que é fértil.
As marcas das tristes arranhadas no muro da inveja; e os furos de sabotes. Dentes de vampiros sobre concretos, e o sol horizontal que nunca aparece... para matá-lo.

Nas costas uma mochila de prazeres, de pequenas jornadas de cidade em cidade, e furtos de sobrevivência. Na mochila, muitas ferramentas, e um pára-quedas.

Para homem que nunca foi menino, e sim um presidiário em fuga, de sua história.
Para o homem que nunca conheceu o amor, e nele projetou o tormento e o pódio.
Para o homem que não sabe receber um abraço, por que o peso de outros corpos estão em qualquer braços.
Para o homem que não conhece a liberdade, por que tenta a criar em cada linha e em cada caso, como uma trincheira da guerra.
Para o homem que se esconde no mundo, e se ornamenta de festas, e se enfeita de suores.
Para o homem que se auto-engana, e procura as muletas alheias para abandonar com vitória.
Para o homem doente, invejoso, e protegido de uma imensa e linda fortaleza; que atrai com boas intenções.

  “Esperei-o derrotar-se sozinho.”

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Marcos

  Meu nome é Osidir, eu sou feito do medo e da vergonha, da insegurança e do invisível, do pequeno e do insignificante.
Alimento-me do seu vazio e da sua inércia, do ócio e da preguiça. Anulo suas fontes e sugo seus resquícios. Apago as suas virtudes e espremo o seu crescimento:

“Por favor, me deixe sair daqui, eu não mereço isso, eu não devia passar por isso. Quais são os carmas que tenho que saciar? Por favor, os adie, eu não suporto mais. Os coloque em eras e eras, posteriores, não criem este imenso nó; minha identidade.”

  Meu nome é Naia, eu sou a rainha do frio e da rigidez, do flexível estático que vira estilhaços se tocado, eu tenho a forma de uma linha, não abraço e nem contorno, não circulo e não abranjo.
Alimento-me de seus ataques e suas defesas, do seu silêncio e suas táticas. Anulo sua abertura e sua receptividade. Apago suas oportunidades e suas possibilidades:

“Quanto tempo ainda falta para chegar lá? Horas e horas, tintas e tintas, palavras sob palavras; isso é exaustante. Dígitos e mais dígitos, apresentáveis em capitalismo, para alcançar vida e o verde, (o tempo e o dinheiro). Faça isso para ser isso, e adorne esses pêndulos de forças estatuais.”

  Meu nome é Nostari; eu sou o a natureza e a essência, o ponto geratriz de cada gerações, o fixo e imutável, que segura e prende, no carma encravado.
Alimento-me de seus pés, ou da sua altura; da sua cor e de seu penteado. Acrescento suas invejas e seu impossível. Adiciono sua eternidade e o ponto mortífero:

“Todas essas marcas, trilhas e pessoas, compras e calorias, saiam de mim!! Eu grito e ecoa, mesmo som, mesma cordas vocais, saiam de mim!!! Meu corpo troca de peso, e eu ainda peso o mesmo. E egos e orgulhos, sorrisos e lembranças, para quê?! Saiam de mim!!!”

  Meu nome é Rafieri; sou o recomeço e o nascimento; o castigo do novamente, do previsível e repetido.
Alimento-me de repetições sob seus cansaços. Trago a vida movimentada para o seu medo, do espelho temporal. Tempo que é tempo, no mesmo ciclo, hedonismo faminto, faça de novo, e de novo, e sobreviverás:

“Chega!Meu corpo queima, minha garganta seca; meu amor se desgasta. As colheres números infinitos, me vêem à boca; eu tenho que passar por isto para sobreviver? E de novo, e de novo, e reciclado. Sob meu papel, meus pequenos personagens, em cada situação, de novo e de novo. Vamos recomeçar? Vamos reiniciar? Para de novo e de novo, de novo e de novo.”

  Meu nome é Suiara; eu sou a imperatriz dos fatos, do concreto e do acontecimento, da moção, da moção, da moção.
 Eu pressiono o seu tempo e limito seu limite. Para ocorrer e atiçar.
Alimento-me da corrida, da pressa e dos recordes.
Anulo seu luxo e seu relaxo:

“Eu quero descansar. Sim, eu passo horas, eu passei horas, numa cama, numa cama, convalescente; com o travesseiro sob os olhos livres sobre o nariz. Me deixe aqui para sempre, pare de me puxar, eu quero estas horas sob o escuro, eu quero esse silêncio e essa catatonia. Pare de me puxar..., pare.”

 Meu nome é Caldieri; eu sou o externo e o ameaçador, o desconhecido e amplo, o imenso e inalcançável.
Alimento-me da sua inveja e do seu parar. Do seu atraso e do seu retrógrado, das suas falhas e das suas derrotas.
Anulo as suas paredes e seu individualismo, o seu casulo e sua proteção:

“Eu os vejo, todos correndo lá foras, avançados, acima de mim; e meu estômago aperta. Eles adquirem e eu enervo, e eles consistem de uma felicidade tão natural, e eu fico para trás.
Aqui, não há o que fazer, e nada acontece...; e eles proporcionam novidades, e criatividades e eu nem sei como disso nasce sobrevivência.
Seus esforços remunerados, o que é isso? Como funciona? Gera mesmo um sistema? E todos simbolizam, meu esquecimento e meu invisível. Eu irei me matar.”


 Meu nome é Marcos; eu? A guerra e o pacífico; o infinito no finito, a variável dentro de um número (e não oposto).
Alimento-me do nada, e este nada se alimenta da realidade. Alimento-me também de semi-Deuses.
Anulo a mim, e a mim. Adiciono eu e eu, tijolo por tijolo na construção irresultante.
Acrescento o distorcido construtivo, e a construção distorcida.
Tudo que pertence a vocês é meu, e tudo que é de vocês sou eu:

“Eu vi as suas lágrimas escorrerem somente de minha face. E seus aprendizados é minha paralisia, por que eu não preciso e não devo, e não tem o porquê. Vocês são contínuos e crescentes, crescem no sistema deles, e me alimentam de seu fim. Felizes e felizes contíguos; e várias faces da mesma moeda.
Suas trajetórias são meu alimento, e suas histórias minhas bebidas.
Pequenos e retidos, contidos e auto-consultantes em suas identidades.
Não varia e não varia, e apetece as reencarnações famintas.
De suas escadas lentas eu sou a testemunha...
E de seus fragmentos eu sou a junção total.
Sou o resultado de eras, o indício de seu começo, meio e fim.
O que vocês se tornarão...”


Nosso nome é...

terça-feira, 19 de maio de 2009

Hen.../Edu...

  Hoje eu os labelo, hoje eu complico; a corte de um templo(Eduardo) e uma cognição sem fim(Henrique). Eu; racional e atrevido, cambaleante e firme; sem medo, pós-medo, sem sentido, com sentido. Objetivo e subjetivo.

Henrique:


  É o prelúdio das vidas, instância metódica das fases do empirismo:
Criança-criança, adolescente-adolescente, adulto-adulto... conseguinte.
Coerente e correspondente, ascendente e brando, estático e crescente. Há mais nada.
Criança-pirulito, adolescente-sexo, adulto-capitalismo, Há mais nada...

  Se desse pressuposto contínuo, lógico e endividado. Com a linha racional previsível, de fases seguidas, ladrinhos claros e passagem delatável; eu serei esquecido, e traído, no lentamente desamado.
  Se de todo esse sistema plausível, de criança que ri a risada, adolescente que desenoza o nó, e adulto que responsabiliza a responsabilidade..., eu serei o prelúdio do teu crescimento, do teu amor, da tua traição, da sua confusão, de tudo que é previsível, aleatoriamente visível.

  Variável X com fermento, preso em lógicas neurológicas, intelectualidades racionais, diálogos padrões, e diversões prazerosas. Na busca corrida, às vezes pausada, silêncio e pausa do engajo torneado de Marcos.
  Mundo esquecido, Marcos esquecido, oscilações pertinentes, desgastantes e obrigatórias na sua natureza.
  Sou seu prelúdio do amor, do sono profundo, do confortável e digno, purificado e seguro.
  Toda sua trajetória contida na minha mão; neste bálsamo sufocante, cintilante e obscuro, diverso e infinito; pra sempre comigo; nesta neblina carmática, nessa cegueira do invisível.
   
  Ele é automático e conseqüente, não existem escolhas, existem condições, entalado em circunstâncias, enclausurado em tempos e temperos, template, template , templates de vida, de fase, de amor, de gatilho.
  Seu abraço uma construção civil; que organiza e recolhe, meus distúrbios e meu espalho.
  Seu beijo uma troca indecifrável; que retorna a bagunça, e o pânico de seu linear, de uma vida já lida.
  Sua entrega um terreno, onde planto e implanto, semeio, e retorna instantâneo, meu alimento.
  Seu sorriso uma exibição, onde o mundo o reflete, onde ele não enxerga o que o contorna, além do narcisismo pluricelular.
  Seus pés onde canalizo, o novo e vergonhoso, do seu patético explorativo.

  Não sabe olhar um filme, um seriado, um anime, sem suas projeções ególatras; sempre gerando pensamentos sociais, impregnados como parasitas antigos, onde quem saltasse mais alto era visto; e quem gritasse mais alto era ouvido. Então estraga a essência das coisas, com a distorção boba de suas palavras automáticas e ensaiadas para esse tipo de situação.
  Não escuta o autor, o domina, e não observa a paisagem, a controla, e a quer pintar.
  E desgasta o livre e infinito, dentro de seu globo ocular, de seu mínimo.
  E esquenta com atrito o que deve estar parado, gélido e bonito.

  Desconhece o natural. E o universo não é o universo, e sim seu gêmeo/híbrido.

 E por favor, note a minha diferença do JC, e do Vitor. Não é ser convencido, convenhamos, eu tenho que ser melhor que eles. Me mostre......, pra mim e pra eles.


Eduardo:

  O relógio corre rápido, num ritmo acelerado, e ele está parado; na parede da cozinha, quando adentro mesmo bem claro, olho para a janela entreaberta e do outro lado está escuro. Então o barulho é lógico, mas o medo sobe pela minha espinha; a janela escura segura meus olhos e o relógio sobe pelas minhas costas; então sinto uma explosão de solidão... e pânico.
Penso no Eduardo........

  Sem identidade, é a minha ponte existencial, onde concretos são terras férteis; e piscinas são mares. Onde o banheiro é uma mansão, e a cama um colchão de nuvens. O espelho é uma verdade, o espelho é uma verdade... E só com ele estou dentro de mim.
  Minhas roupas são cobertores suaves, e seus braços são botões.
  Seu sorriso é uma tragicomédia, e sua seriedade um texto.
  Meus pés estão no chão e o chão está sobre minha cabeça.

  Nosso nazismo é gerado; nosso pódio é corrosivo, e eu atrevo mesmo o esquecimento deles, pequenos e desmerecedores, eu faria um holocausto. Raça imunda e suja, sedenta e nojenta, asquerosa e patética, burra e ignorante, fedorentos e desgraçados.
Eu os mataria... e seqüestraria, e vingaria 2000 anos de era, e te protegeria mais uma vez.
Eu faria das entranhas deles uma diversão, e te alimentaria com os pedaços deles.
E riríamos satisfeitos e sádicos, e tudo que seria resultante seria nossa saciedade estomacal.

  O mundo contigo é uma cultura infinita, no que já está existente existe muito mais, e verte realidades lúcidas; e nossos dedos se tocam em código morse. Enquanto seus defeitos são colossais, medrosos e covardes, em pânicos e escondidos, sobrepostos por camadas e mais camadas, de chocolate, pizza e sorvete; temperado de suores de alguns corpos.
  Burro e desgastante, repetitivo, e repetitivo, no dom de se banhar de corpos e amores expostos; que aprofunda-se e se perde, no ambíguo e numa dicotomia de mutualismo.

  A porta sempre entreaberta; quando a fecho meu ângulo de visão retorna você já saltado pela janela. E quando você toma banho eles escorrem pelo ralo, e se eu entro no banheiro você já foi cano abaixo culpado por eles. Então lambido e forjado de submundo o aperto do singelo se torna menos pesado, a culpa o lava e a mistura com a sociedade foi negociada.
  Então negociamos um amor todo dia; e a culpa tenta te livrar e te lançar para o novo.
  Eles são o peso da catapulta, que estica, estica, estica, e te lança pra longe do teu passado.
  “Oi novo Eduardo reciclado, como vai? Onde está o Mário? Onde está o Deivid? E o Marcos?”
 .... propriedades > Esvaziar lixeira.

  Ele é superficial, sempre procurando se embebedar de qualquer sensação ou prazer preenchedor. Não é uma questão dramática de vazio, ou tentar refleti-lo contraditório aos valores ou subversivo; ele apenas procura o mais alto, por que não suporta o mais baixo.
 A ilusão das alturas o mantém em pânico e apressado através da vida.
 Ohhh, sempre tem que ser o suficiente, ou o correto.........
 “Adeus Marcos, eu te amo Marcos, eu estou feliz agora!!”
 “Ele é legal Marcos......... e sim, eu vou te esquecer; e o pior é que tu sabe disto.”

 “O Marcos nunca esquecerá de mim!!!!!”
( E desde quando isso é uma satisfação?)

 Pois é Eduardo, eu não vou esquecer não.
 Mas tu não vai saber lembrar de mim...

domingo, 10 de maio de 2009

Soldados

  Os soldados voltaram da guerra, onde provavam corpos como armas e fluídos como armadilhas. A pulsação dos corpos quentes aos poucos se tornando frios, esmagados sob uma respiração sádica e dominantes sob pânico. Vestidos e ornamentados de uma história quente; e famintos por verdade.
  Seus pés trazendo arrastados selos dos locais alheios visitados, almas perdidas e trivialidades arregaçadas; balanços em danças, gotas de suores; tão frustrante intenso e confuso que lágrimas saíam e se recolhiam em micro-segundos. Alimentados de diversão, corroborados de sofismas e satisfeitos de odores, tal ascensão adjacente; mentes penitentes.
  Belo brilho de mentes esquecidas, sorteadas e sortudas de limites fortes, sob qualquer língua que contorna o semblante genital; alcançada é uma era. Então explode em seu limite, distante das estrelas, de um céu infinito, preso num cárcere, seu globo ocular.
  Eles dão risadas correndo com passos fortes na descarga neurológica; assegurados por um hormônio grato e músculos relaxados. Que recebem a mensagem, e gravam cada camada..camada, crescente ano à ano para esconder uma alma.
  Camada por camada, ano a ano, aumenta a raridade de uma penetração aguda, que alcance o prazer. Perdidos nas novas atrofias, soldados da guerra marcada; traumatizados por amores confusos, e sedentos pela carne temperada.
  Anjos que observam suas bondades rasgadas, por lacunas mentais preenchidas de verdades embalsamadas. E referenciais estonteantes de uma sociedade ludibriosa, de um mundo que morre seco, faminto, come, come, se alimenta, e morre de fome.
  Vamos dançar estas nuvens, estes passos, essa tecnologia ensaiada, para brilhar cada semente de um inconsciente implantado. E desse teatro lentamente ensaiado, involuntariamente pregado, de expressões, sentimentos e palavras... sai um novo balé envergonhado; que se retrai e mata, empurrando os braços de Deus, num orgulho auto-suficiente.
  Soldados de uma guerra cansada caem sobre meus braços; se alimentam do meu silêncio e odeiam minha tristeza. Pois minha tristeza é seu fracasso, por que entre conceitos centrados eu sou a liberdade desta jaula. Uma jaula politicamente subversiva; que não prende e sim liberta; desta minha dificuldade sacrificante de olhos bem abertos.
  Meus olhos sangram sementes; que neles não brotam, mas assim eles as guardam, na esperança de vitória. São soldados que me salvam; e me “resgatam”, querendo me levar pro seu mundo; e observarem meus olhos em êxtase, para desta suposta ilusão da qual eles se alimentaram.... eu seja sua porta, assertivo da verdade... da verdade... da verdade...

terça-feira, 17 de março de 2009

Explosão supernova

Apertado em mim nem posso lembrar do tempo que a fotografia da noite me trazia as estrelas.
Mesmo pregado no colchão que navega nas ondas de uma piscina escura; com meu chakra terceiro-olho virado para Antares.
Meus olhos estão borrados com suas defesas, minha respiração rasgada com suas estratégias.
Era importante procurar uma saída de vocês; agora nem consigo sair de mim.

Por ti encontro um caminho mútuo,(obrigado) lembrando da nossa identidade primordial.
Que se apagava nas restrições desse corpo, desses corpos, desse ar.
Por que quando fomos brincar de esconde-esconde nos perdemos dos nossos amigos nessa terra? Tínhamos o universo inteiro para nos esconder.
Somos pequenos tolos, curiosos pelos humanos e detidos nesta armadilha.
(Terra; redonda; grande maçã, fruto proibido)

Tu nota comigo como estamos fragmentados? Nossos dedos estão tão distantes do nosso centro.
Eles tocam objetos externos, para quê, se de quando éramos “tudo” e “todo tempo”. Estrelas irmãs.
Minha estrela irmã volte para dentro do meu corpo, não se separe mais.
Tragado pelo “humano” paraliso em não ser suficiente a te oferecer nada.

Assistimos eles se destruírem; assistiremos eles se amarem.
Estaremos intrigados por nossa dissociação disto, atritando com questionamentos da micro-intensidade destas bolhas.

Você escuta nossa mãe supernova nos chamar? Interligamos-nos-a com palavras.
(Por que estamos sendo tolos?)

Em qualquer realidade, ou qualquer fantasia, qualquer prato abstrato, qualquer dor concreta, qualquer beliscão de sonho, qualquer corpo-corpo trocando suores... você me assiste voltando para a nossa origem.
Ataca-me para não ter pressa, e segura meu corpo que disritma a respiração.

“Como ousa? Como ousa? – Avançar tão rápido. Você não nos ouve.”
E ela me atrai, como em um magnetismo flutuante.
“Por onde vou? O que eu aproveito mais aqui? – Você já foi?”
Eu já não ouvi esta frase. Mal lembro das outras.

Desta trajetória ramificada; há um corpo abandonado com meus resquícios somado a brilhos lunares.
Ficou e permaneceu um corpo com pequenas fagulhas interestelares; rapsódia dos anjos e brinquedo de demônios.
Ficou aqui com você um rastro biológico da calda de uma estrela.

Partindo do Marcos, uma eterna explosão supernova.
Linear, deste corpo ao universo.
Como sendo meu amor; use-me como ponte...
Até a nossa mãe.

segunda-feira, 2 de março de 2009

Oi

 Na sua forma tradicional acumulava silencioso toda a sabedoria no canto de seu quarto.
O conheci e perguntava: “Onde você vai com toda essa bagagem?”... ele agia: “Você não entenderia por que não quer realmente saber.”;
 e assim continuava legitimando todo esse mapa particular de caça ao tesouro.

Então como brincadoras as bolhas que saíam da minha mente, metafóricas no ar, como universos atrevidos, o provocavam...
 Conseqüente ele seguia saindo de seu esconderijo-transparente; estourando-as à significar um mini conto: “Elas não poderiam me alcançar aqui neste lugar (simplesmente pare)”.

Eu sei, vejo que sua vida tem um pilar grande e sustentável; mas quando eu deito em uma centena de pequenos pregos, eles me seguram sem me ferir. Sinto muito que quando o fez você não tenha acumulado um número suficiente.
Então retornamos a nos ver, e eu sempre digo: “oi”.
A palavra o faz sorrir, mas rebate no inconsciente e o irrita a previsibilidade.

"“Eu já passei por isso” – Quando então tu o faz meu automático passado me defende e eu ajo desviando das tuas palavras que tentam me cavar.
“Lembra quando fui cavado demais? Quando achado o tesouro foi embora. Já viu alguém na história ficar com o buraco?” – Então eu refuto-te mais uma vez, meu olhar não te segue para não lhe dar forças. É um lugar onde você não deve ir."

Eu agora sempre baixo a cabeça e me acoco psicologicamente quando você tende em 100% questionar o que é direcionado a você. Sei que meus dedos acariciantes me tornam totalmente alusivo, apologético; mas não procure neles o projeto de construção que são os mesmos pontos fracos para destruir.
Então eu disse “oi” pela segunda vez. E a palavra ecoou fraca nas paredes desta vez; eu quase não a ouvi.
A palavra já não trouxe um sorriso, ele só olhou para minha mão esperando que eu fizesse um gesto de saudação.

Não vá embora – não vá embora.
 Não! Eu nunca havia misturado uma paixão com meu senso de pânico na vida; e eu nem gostaria que tivesse acontecido, pois sim, isso viria a pressionar-nos.
Então ambos perdíamos a minha figura na arrogância, petulância, na medida que éramos sobrepostos por um pedido de algo maior, esmagando a perniciosidade sexual que nos elevava.

Sentado naquele colchão ambos sabíamos que eu não queria ir embora.
Minha voz estava calma aquele dia, meus olhos estavam exaustos.
Eu estava com o estômago pulsando, volátil das inundações que sempre me enchem indevidamente (posteriormente). Ou ao que eu iria recorrer? Esquecer? Procurar amar? Procurar te procurar? procurar te provar coisas? (Não, procurar te provar coisas já há muito tempo não era importante).
Eu não sei o que encontraria no outro dia...; estou curioso das milhões de versões que sempre brotam de mim e como eu me defino diverso e irreconhecível de caso à caso; então tudo se resume a como eu estaria bem longe de você.
Então avancei um pouco mais no inconveniente de permanecer naquele colchão por um tempo acima de qualquer determinado.

Então eu disse “oi”.
Eu mal senti minhas cordas vocais vibrarem, e não pude ouvir a minha voz.
Nem sei se a palavra ecoou na parede, se alcançou-a.

Passando daquela linha que passamos 3 vezes; fiquei horas procurando seu olhar, que vive uma constante fuga pertinente. Eu ria sozinho algumas vezes; pelo seu futuro e de quem o amasse; e sei que ele nunca estaria perto o suficiente para consegui-lo.
Degraus de escada antigos; você ainda precisa de tormentos... espero que não se machuque muito quando for a hora (mas você precisa passar por isso).

Do que eu vivi contigo? Eu poderia içar a bandeira branca alta, jogado a toalha eras atrás.
Bater a corrida para uma terra distante, envergonhado e realizado.
Bater a corrida para a infinidade da minha mente, que acreditam ameaçar alguém.
(Pode ser a morte e a salvação..., mas a salvação é sempre uma utopia e a morte uma polêmica).

Fomos nada intensos, nada particulares, nada peculiares, nada extravagantes.
Eu poderia ditar que regredimos eras; mas pra você é algo apenas normal.

Sem bandeira branca, sem jogar a toalha, não vivemos uma batalha, não vivemos nosso bálsamo de dor, nenhum alicerce à vista; não procuramos nenhuma verdade, e não vi nenhuma energia cinética da sua mente...

O que nós vivemos?
É gostoso não definir.....

Para eu minguar solitário desta relação.
Deslizar... desaparecendo...
Eu apenas digo “oi”...

sábado, 10 de janeiro de 2009

Sinistrado

  À medida que fui passando a base dos meus dedos através do seu fluído, fui perdendo a conexão com meu corpo. 
Figuras de “eu” lentamente viram resquícios na textura de sua pele,
Micro-pedaços escorrem através de suas digitais e retornam com seu gosto pregado.

 Preenchido de uma insanidade não-destrutiva, eu permaneço sendo uma leve respiração;
Corroído e minguando numa falsa meditação que proclama uma falsa genérica paz.
E procurando por bilhões de pessoas, acelero os passos delas na minha alma, para não repetir tormentos óbvios, e sucatas, e lamúrias, e atrasos, e me estancar psiquicamente.

 O melhor ser para usufruir de estoicismo acovardou-se disto, e agora cava um túnel para fora do universo de Deus.
Contraditório; porém nada subversivo destas leis gerais.

Pois invariavelmente existem referenciais de certo e errado. Mas só quero desafiar nosso prazeres, nada mais.

Acompanhe-me lentamente entrando:

Ela passou por mim e marcou por 36 anos tal sorriso psicodélico,
Ele passou por mim e seu cheiro não me soltou por 36 anos.
Ambos refúgios, e reservas...; tenho feito visitas freqüentes.
Para... lembrar... do... tato... contato... sensato...

Então raspei da minha pele com ferramentas antiquadas, raspei para longe de mim.
(Com coragem, para longe, longe de mim, o que eu conheço por “mim livrando-me de você”)
Abusei de coragens corrosivas e técnicas internas... e plagiei suas genialidades inexistentes.
Adormecidas em seu interior, eu as devorei psiquicamente, antes que brotassem-nas.

Por que eu experimento essa sua jaula minúscula humano?
A grade sexo é atormentadora, passatempo separador, estrangula.
Imensidões também podem se arrepender? Acho que estou arrependido...

Decaído então, em suas conversas.
Seus temperos, seus ataques, suas criatividades expositivas.
Sou movido, para um templo de auto-cultuação.

Sua existência é um veneno.
Sei que qualquer milhões de tentativas não poderia te trazer para perto de mim.
Entorpeça-me mais um pouco dessa pílula chamada “humano”.
(Se você falhar eu te condenarei por eras)

Estando condenado – crescerás quão rápido conversando com meus outros condenados?
Seus castigos sou eu ter colocado “vocês” com “vocês”.
Lentamente se devorarão, pelas próprias armas, defesas.
O verdadeiro inferno, tão rápido que não há tempo para respirar aprendizado, nem extrair amor.

Como turista das subcamadas do submundo eu conheci suas verdadeiras formas.
Eu gosto de ti, eu te adoro, eu talvez realmente te ame...
Mas observe para onde me perco.
Observe as manchas, as marcas, os símbolos, os ecos em mim.

Se você soubesse, se você ao menos soubesse.
Se eu soubesse, se eu ao menos soubesse.

Negando-me liberdade, negando-me calor, beijos.
Você preferiu se banhar de esferas menores.
Doces, frutos, ternuras... carinhos.

Não te contaram? O verdadeiro inferno é o eterno pacífico.
Não te falaram? Preso, preso na calmaria, estagnado.
Não te avisaram? Pra sempre, pra sempre com eles.
Não gritaram? Se eu te deixar, se eu te deixar.
Não te avisei? É uma forma de matá-lo.
E sabe por quê? Por que acordei do meu sono profundo.
E o que veio comigo? A sua verdade e seu caminho na minha mão.
E o que eu farei? Te desacorrentarei para que... um dia... de alguma forma...
Quebre o paradoxo, extingue o enigma, e volte para mim...

Se você soubesse, se ao menos soubesse.
Agora eu sei, eu ao menos sei...