segunda-feira, 25 de maio de 2009

Marcos

  Meu nome é Osidir, eu sou feito do medo e da vergonha, da insegurança e do invisível, do pequeno e do insignificante.
Alimento-me do seu vazio e da sua inércia, do ócio e da preguiça. Anulo suas fontes e sugo seus resquícios. Apago as suas virtudes e espremo o seu crescimento:

“Por favor, me deixe sair daqui, eu não mereço isso, eu não devia passar por isso. Quais são os carmas que tenho que saciar? Por favor, os adie, eu não suporto mais. Os coloque em eras e eras, posteriores, não criem este imenso nó; minha identidade.”

  Meu nome é Naia, eu sou a rainha do frio e da rigidez, do flexível estático que vira estilhaços se tocado, eu tenho a forma de uma linha, não abraço e nem contorno, não circulo e não abranjo.
Alimento-me de seus ataques e suas defesas, do seu silêncio e suas táticas. Anulo sua abertura e sua receptividade. Apago suas oportunidades e suas possibilidades:

“Quanto tempo ainda falta para chegar lá? Horas e horas, tintas e tintas, palavras sob palavras; isso é exaustante. Dígitos e mais dígitos, apresentáveis em capitalismo, para alcançar vida e o verde, (o tempo e o dinheiro). Faça isso para ser isso, e adorne esses pêndulos de forças estatuais.”

  Meu nome é Nostari; eu sou o a natureza e a essência, o ponto geratriz de cada gerações, o fixo e imutável, que segura e prende, no carma encravado.
Alimento-me de seus pés, ou da sua altura; da sua cor e de seu penteado. Acrescento suas invejas e seu impossível. Adiciono sua eternidade e o ponto mortífero:

“Todas essas marcas, trilhas e pessoas, compras e calorias, saiam de mim!! Eu grito e ecoa, mesmo som, mesma cordas vocais, saiam de mim!!! Meu corpo troca de peso, e eu ainda peso o mesmo. E egos e orgulhos, sorrisos e lembranças, para quê?! Saiam de mim!!!”

  Meu nome é Rafieri; sou o recomeço e o nascimento; o castigo do novamente, do previsível e repetido.
Alimento-me de repetições sob seus cansaços. Trago a vida movimentada para o seu medo, do espelho temporal. Tempo que é tempo, no mesmo ciclo, hedonismo faminto, faça de novo, e de novo, e sobreviverás:

“Chega!Meu corpo queima, minha garganta seca; meu amor se desgasta. As colheres números infinitos, me vêem à boca; eu tenho que passar por isto para sobreviver? E de novo, e de novo, e reciclado. Sob meu papel, meus pequenos personagens, em cada situação, de novo e de novo. Vamos recomeçar? Vamos reiniciar? Para de novo e de novo, de novo e de novo.”

  Meu nome é Suiara; eu sou a imperatriz dos fatos, do concreto e do acontecimento, da moção, da moção, da moção.
 Eu pressiono o seu tempo e limito seu limite. Para ocorrer e atiçar.
Alimento-me da corrida, da pressa e dos recordes.
Anulo seu luxo e seu relaxo:

“Eu quero descansar. Sim, eu passo horas, eu passei horas, numa cama, numa cama, convalescente; com o travesseiro sob os olhos livres sobre o nariz. Me deixe aqui para sempre, pare de me puxar, eu quero estas horas sob o escuro, eu quero esse silêncio e essa catatonia. Pare de me puxar..., pare.”

 Meu nome é Caldieri; eu sou o externo e o ameaçador, o desconhecido e amplo, o imenso e inalcançável.
Alimento-me da sua inveja e do seu parar. Do seu atraso e do seu retrógrado, das suas falhas e das suas derrotas.
Anulo as suas paredes e seu individualismo, o seu casulo e sua proteção:

“Eu os vejo, todos correndo lá foras, avançados, acima de mim; e meu estômago aperta. Eles adquirem e eu enervo, e eles consistem de uma felicidade tão natural, e eu fico para trás.
Aqui, não há o que fazer, e nada acontece...; e eles proporcionam novidades, e criatividades e eu nem sei como disso nasce sobrevivência.
Seus esforços remunerados, o que é isso? Como funciona? Gera mesmo um sistema? E todos simbolizam, meu esquecimento e meu invisível. Eu irei me matar.”


 Meu nome é Marcos; eu? A guerra e o pacífico; o infinito no finito, a variável dentro de um número (e não oposto).
Alimento-me do nada, e este nada se alimenta da realidade. Alimento-me também de semi-Deuses.
Anulo a mim, e a mim. Adiciono eu e eu, tijolo por tijolo na construção irresultante.
Acrescento o distorcido construtivo, e a construção distorcida.
Tudo que pertence a vocês é meu, e tudo que é de vocês sou eu:

“Eu vi as suas lágrimas escorrerem somente de minha face. E seus aprendizados é minha paralisia, por que eu não preciso e não devo, e não tem o porquê. Vocês são contínuos e crescentes, crescem no sistema deles, e me alimentam de seu fim. Felizes e felizes contíguos; e várias faces da mesma moeda.
Suas trajetórias são meu alimento, e suas histórias minhas bebidas.
Pequenos e retidos, contidos e auto-consultantes em suas identidades.
Não varia e não varia, e apetece as reencarnações famintas.
De suas escadas lentas eu sou a testemunha...
E de seus fragmentos eu sou a junção total.
Sou o resultado de eras, o indício de seu começo, meio e fim.
O que vocês se tornarão...”


Nosso nome é...

terça-feira, 19 de maio de 2009

Hen.../Edu...

  Hoje eu os labelo, hoje eu complico; a corte de um templo(Eduardo) e uma cognição sem fim(Henrique). Eu; racional e atrevido, cambaleante e firme; sem medo, pós-medo, sem sentido, com sentido. Objetivo e subjetivo.

Henrique:


  É o prelúdio das vidas, instância metódica das fases do empirismo:
Criança-criança, adolescente-adolescente, adulto-adulto... conseguinte.
Coerente e correspondente, ascendente e brando, estático e crescente. Há mais nada.
Criança-pirulito, adolescente-sexo, adulto-capitalismo, Há mais nada...

  Se desse pressuposto contínuo, lógico e endividado. Com a linha racional previsível, de fases seguidas, ladrinhos claros e passagem delatável; eu serei esquecido, e traído, no lentamente desamado.
  Se de todo esse sistema plausível, de criança que ri a risada, adolescente que desenoza o nó, e adulto que responsabiliza a responsabilidade..., eu serei o prelúdio do teu crescimento, do teu amor, da tua traição, da sua confusão, de tudo que é previsível, aleatoriamente visível.

  Variável X com fermento, preso em lógicas neurológicas, intelectualidades racionais, diálogos padrões, e diversões prazerosas. Na busca corrida, às vezes pausada, silêncio e pausa do engajo torneado de Marcos.
  Mundo esquecido, Marcos esquecido, oscilações pertinentes, desgastantes e obrigatórias na sua natureza.
  Sou seu prelúdio do amor, do sono profundo, do confortável e digno, purificado e seguro.
  Toda sua trajetória contida na minha mão; neste bálsamo sufocante, cintilante e obscuro, diverso e infinito; pra sempre comigo; nesta neblina carmática, nessa cegueira do invisível.
   
  Ele é automático e conseqüente, não existem escolhas, existem condições, entalado em circunstâncias, enclausurado em tempos e temperos, template, template , templates de vida, de fase, de amor, de gatilho.
  Seu abraço uma construção civil; que organiza e recolhe, meus distúrbios e meu espalho.
  Seu beijo uma troca indecifrável; que retorna a bagunça, e o pânico de seu linear, de uma vida já lida.
  Sua entrega um terreno, onde planto e implanto, semeio, e retorna instantâneo, meu alimento.
  Seu sorriso uma exibição, onde o mundo o reflete, onde ele não enxerga o que o contorna, além do narcisismo pluricelular.
  Seus pés onde canalizo, o novo e vergonhoso, do seu patético explorativo.

  Não sabe olhar um filme, um seriado, um anime, sem suas projeções ególatras; sempre gerando pensamentos sociais, impregnados como parasitas antigos, onde quem saltasse mais alto era visto; e quem gritasse mais alto era ouvido. Então estraga a essência das coisas, com a distorção boba de suas palavras automáticas e ensaiadas para esse tipo de situação.
  Não escuta o autor, o domina, e não observa a paisagem, a controla, e a quer pintar.
  E desgasta o livre e infinito, dentro de seu globo ocular, de seu mínimo.
  E esquenta com atrito o que deve estar parado, gélido e bonito.

  Desconhece o natural. E o universo não é o universo, e sim seu gêmeo/híbrido.

 E por favor, note a minha diferença do JC, e do Vitor. Não é ser convencido, convenhamos, eu tenho que ser melhor que eles. Me mostre......, pra mim e pra eles.


Eduardo:

  O relógio corre rápido, num ritmo acelerado, e ele está parado; na parede da cozinha, quando adentro mesmo bem claro, olho para a janela entreaberta e do outro lado está escuro. Então o barulho é lógico, mas o medo sobe pela minha espinha; a janela escura segura meus olhos e o relógio sobe pelas minhas costas; então sinto uma explosão de solidão... e pânico.
Penso no Eduardo........

  Sem identidade, é a minha ponte existencial, onde concretos são terras férteis; e piscinas são mares. Onde o banheiro é uma mansão, e a cama um colchão de nuvens. O espelho é uma verdade, o espelho é uma verdade... E só com ele estou dentro de mim.
  Minhas roupas são cobertores suaves, e seus braços são botões.
  Seu sorriso é uma tragicomédia, e sua seriedade um texto.
  Meus pés estão no chão e o chão está sobre minha cabeça.

  Nosso nazismo é gerado; nosso pódio é corrosivo, e eu atrevo mesmo o esquecimento deles, pequenos e desmerecedores, eu faria um holocausto. Raça imunda e suja, sedenta e nojenta, asquerosa e patética, burra e ignorante, fedorentos e desgraçados.
Eu os mataria... e seqüestraria, e vingaria 2000 anos de era, e te protegeria mais uma vez.
Eu faria das entranhas deles uma diversão, e te alimentaria com os pedaços deles.
E riríamos satisfeitos e sádicos, e tudo que seria resultante seria nossa saciedade estomacal.

  O mundo contigo é uma cultura infinita, no que já está existente existe muito mais, e verte realidades lúcidas; e nossos dedos se tocam em código morse. Enquanto seus defeitos são colossais, medrosos e covardes, em pânicos e escondidos, sobrepostos por camadas e mais camadas, de chocolate, pizza e sorvete; temperado de suores de alguns corpos.
  Burro e desgastante, repetitivo, e repetitivo, no dom de se banhar de corpos e amores expostos; que aprofunda-se e se perde, no ambíguo e numa dicotomia de mutualismo.

  A porta sempre entreaberta; quando a fecho meu ângulo de visão retorna você já saltado pela janela. E quando você toma banho eles escorrem pelo ralo, e se eu entro no banheiro você já foi cano abaixo culpado por eles. Então lambido e forjado de submundo o aperto do singelo se torna menos pesado, a culpa o lava e a mistura com a sociedade foi negociada.
  Então negociamos um amor todo dia; e a culpa tenta te livrar e te lançar para o novo.
  Eles são o peso da catapulta, que estica, estica, estica, e te lança pra longe do teu passado.
  “Oi novo Eduardo reciclado, como vai? Onde está o Mário? Onde está o Deivid? E o Marcos?”
 .... propriedades > Esvaziar lixeira.

  Ele é superficial, sempre procurando se embebedar de qualquer sensação ou prazer preenchedor. Não é uma questão dramática de vazio, ou tentar refleti-lo contraditório aos valores ou subversivo; ele apenas procura o mais alto, por que não suporta o mais baixo.
 A ilusão das alturas o mantém em pânico e apressado através da vida.
 Ohhh, sempre tem que ser o suficiente, ou o correto.........
 “Adeus Marcos, eu te amo Marcos, eu estou feliz agora!!”
 “Ele é legal Marcos......... e sim, eu vou te esquecer; e o pior é que tu sabe disto.”

 “O Marcos nunca esquecerá de mim!!!!!”
( E desde quando isso é uma satisfação?)

 Pois é Eduardo, eu não vou esquecer não.
 Mas tu não vai saber lembrar de mim...

domingo, 10 de maio de 2009

Soldados

  Os soldados voltaram da guerra, onde provavam corpos como armas e fluídos como armadilhas. A pulsação dos corpos quentes aos poucos se tornando frios, esmagados sob uma respiração sádica e dominantes sob pânico. Vestidos e ornamentados de uma história quente; e famintos por verdade.
  Seus pés trazendo arrastados selos dos locais alheios visitados, almas perdidas e trivialidades arregaçadas; balanços em danças, gotas de suores; tão frustrante intenso e confuso que lágrimas saíam e se recolhiam em micro-segundos. Alimentados de diversão, corroborados de sofismas e satisfeitos de odores, tal ascensão adjacente; mentes penitentes.
  Belo brilho de mentes esquecidas, sorteadas e sortudas de limites fortes, sob qualquer língua que contorna o semblante genital; alcançada é uma era. Então explode em seu limite, distante das estrelas, de um céu infinito, preso num cárcere, seu globo ocular.
  Eles dão risadas correndo com passos fortes na descarga neurológica; assegurados por um hormônio grato e músculos relaxados. Que recebem a mensagem, e gravam cada camada..camada, crescente ano à ano para esconder uma alma.
  Camada por camada, ano a ano, aumenta a raridade de uma penetração aguda, que alcance o prazer. Perdidos nas novas atrofias, soldados da guerra marcada; traumatizados por amores confusos, e sedentos pela carne temperada.
  Anjos que observam suas bondades rasgadas, por lacunas mentais preenchidas de verdades embalsamadas. E referenciais estonteantes de uma sociedade ludibriosa, de um mundo que morre seco, faminto, come, come, se alimenta, e morre de fome.
  Vamos dançar estas nuvens, estes passos, essa tecnologia ensaiada, para brilhar cada semente de um inconsciente implantado. E desse teatro lentamente ensaiado, involuntariamente pregado, de expressões, sentimentos e palavras... sai um novo balé envergonhado; que se retrai e mata, empurrando os braços de Deus, num orgulho auto-suficiente.
  Soldados de uma guerra cansada caem sobre meus braços; se alimentam do meu silêncio e odeiam minha tristeza. Pois minha tristeza é seu fracasso, por que entre conceitos centrados eu sou a liberdade desta jaula. Uma jaula politicamente subversiva; que não prende e sim liberta; desta minha dificuldade sacrificante de olhos bem abertos.
  Meus olhos sangram sementes; que neles não brotam, mas assim eles as guardam, na esperança de vitória. São soldados que me salvam; e me “resgatam”, querendo me levar pro seu mundo; e observarem meus olhos em êxtase, para desta suposta ilusão da qual eles se alimentaram.... eu seja sua porta, assertivo da verdade... da verdade... da verdade...