segunda-feira, 21 de julho de 2008

Tudo desaparece

Ele se aproximava dele, “dele” imaginava como sendo eu.
Seus movimentos entrelaçavam-se em meus símbolos de desejos.
E sua inclinação instintivamente apologética em direção a mim.
Meus pulmões exaustos em seguir o ritmo dessa perturbação.

Sua linha da face instigava meu particípio visual contornando-o.
Sua “proporção” buscava em mim meus apertos e suplícios sexuais.
Aqueles fios me espremiam um a um, nas minhas pupilas dilatadas.
Meu estômago descobria uma cova funda e angelical, e escura.

Eu encontrava num simples olhar o sofrimento e salvação da minha vida.
Se estendia e seguia meus passos até a minha cama.

Quando o divino é ambiguamente misturado ao inferno.
É quando seu corpo é somente sentido na minha imaginação.
Sou penitente sexual – eterno observador torturado.

No outro dia nascido de águas rasas e paisagem celeste,
Tendo férias da masmorra sensual.

Quando as jaulas são texturas masculinas,
Quando as grades são pêlos ascendentes ao contorno da pele.

Ele se aproximava de mim, “mim” realmente como sendo eu.
Meus movimentos se retraíam em meus símbolos de insegurança.
Meus olhares se distanciavam irreciprocadamente em direção a ele.
Meus pulmões exaustos em seguir o ritmo dessa perturbação.

Então tudo desaparece, tudo sumia, tudo se ia.

Quando um corpo é prisão...
E quando este corpo à mim se transformou em liberdade...
E é quando eu volto à mim em fuga,
e meu corpo vira a prisão.

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