terça-feira, 11 de agosto de 2009

"Eu te amo"

 Eu estava perdido sobre meu colchão e embaixo de uma coberta grossa; o peso dela criava ao mesmo tempo uma segurança inexplicável e um pouco de desconforto sufocante. A sala escura, as luzes azuis da tela da televisão dançando na parede, claro, mais escuro, escuro, um pouco mais claro, brilhante... e no mudo, eram só as luzes brincando de diferentes intensidades, e batendo nos meus olhos, na minha mente, me deixando um pouco tonto. Não aguentava mais esse clima repetitivo, dia à dia, cotidianamente, rotineiramente, todo dia... Os mesmos pensamentos subiam pelas minhas pernas e se alojavam com um enjoo na minha nuca. Tamanho tédio e frustração.
 Todos estavam dormindo, eu era muito jovem, tinha 16 anos, dormia no colchão da sala perto da porta de saída, era 2 horas da manhã. "Por que não sair?" "Por que ficar aqui?".... peguei um sanduíche, abri a porta e saí a deriva em estradas desertas e frias... comia o sanduíche lentamente. Chegando a um cercado do que parecia ser uma oficina, todo dia o cachorro dali latia enfurecido, intimidando a todos.... sentei-me, afinei a voz e ofereci um pedaço do meu sanduíche, fizemos amizade na hora, foi quando me liguei que se tratava de uma cadela, uma linda pastora alemã, melancólica, ficamos em silêncio durante uns 5 minutos enquanto eu a acariciava. Perguntei para ela se um dia ela gostaria de viajar entre as estrelas, e se pudesse um dia a levaria até Andrômeda. Todos os dias conseguintes ela era minha amiga, não latia mais, e balançava sua cauda para mim. Tínhamos um trato, um acordo que jamais vou esquecer. Um dia em espírito ou como for, ou só nos sonhos que ficaram perdidos no tempo e no espaço, a tirarei daquele cercado e a levarei para passear em Andrômeda, onde ela correrá feliz entre as estrelas, abanando sua cauda fervorosamente de felicidade.
 De repente eu quis ser um ninja pois ouvi vozes em uma das casas, parecia uma festinha particular em uma garagem. Nessa garagem tinha essa linha na parte de cima da parede de pequenos espaços abertos sem tijolos, fui me esgueirando por baixo e me encostei na parede, onde pude ficar ouvindo os adultos conversarem...
 Eles estavam bêbados, e soltando frases de humores, risadas, algumas piadinhas sujas, vários homens e mulheres em um ritual subjetivo de sexo..., para eles invisível, para mim programações claras de como se vendiam e se compravam sexualmente em cada frase... Eu não podia ver ninguém, mas fechava os olhos e me excitava com suas vozes e seu inconsciente cortejando uns aos outros, e os imaginava se agarrando na cama..., as vozes graves masculinas entre 30 e 45 anos entravam na minha pele..., e eu imaginava que depois de todas aquelas piadinhas e risadinhas tolas, e papos furado, se dominariam com silêncio impetuoso, substituído por gemidos..., fiquei excitado, muito excitado, e até perdi os meados da conversa enquanto imaginava os resultados de toda aquela tolice mascarada.
 Foi quando nem tinha percebido que o silêncio se sucedia a mais de 40 segundos, houveram despedidas? Houve afastamento temporário? Não sei, só sei que ouvi um "Psiu, que tá fazendo aí?!".... e foi quando notei que era observado por um homem entre 35 e 45 anos, com uma garrafa de cerveja na mão, baixo, mas com ombros extremamente largos, membros grossos, braços, pernas, mãos. Sua barba era tão grossa que senti inveja por uma vida inteira, e ele deu aquela coçadinha que deu pra ouvir as unhas atritando tão forte contra a rigidez daquela barba, que o som está gravado na minha mente até hoje, e arrepio só de relembrar. Os pelos bem morenos..., lembro que antes de eu baixar a cabeça sem resposta e desviar meus olhos, eu tirei uma foto mental, que consigo lembrar perfeitamente dele até hoje. Após isso não o olhei diretamente da mesma forma.
 Então ele perguntou novamente, e eu falei: "Nada. Só curtindo a noite. Já estou indo."
Mas ele escorou-se na parede ao meu lado, e me ofereceu a bebida.
 - Quer?
 - Não, muito obrigado, eu não bebo hehehe.
 Alguns segundos de silêncio, eu estava tão envergonhado. Mas ele parecia entusiasmado em estudar aquela criatura estranha no local mais estranho no meio da noite.
- Meu nome é Roger e o seu?
- Marcos.
- Você está triste Marcos?
- Na verdade eu diria mais pra entediado.
 Nenhum dos dois se olhava, conversávamos paralelos escorados na parede da garagem virados para um terreno baldio, que era grande e proporcionava uma visão ampla de estrelas, ao som de grilos, coaxar de sapos, e no restante o silêncio da madrugada. Estava tão frio, era uma madrugada congelante. E no momento que eu fui falar...
- Estou com fri...
 ele emendou:
- Estou com calor. Muito calor.
 Eu não sabia o que responder, então tentei levar a conversa para o lado mais descontraído possível. Tomei uma posição de comunicação leve, disfarce, vesti a máscara da superficialidade e soltei:
- Hehehe, deve ser a bebida. Você mora aqui faz muito tempo?
 Ele não comprou a ideia..
 - Marcos, eu vi o jeito que você me olhou.
 Eu fiquei vermelho, mas ele estava me desafiando, eu era o grande Marcos, prodígio, precoce, não deixaria ser subjugado psicologicamente assim, ele queria uma guerra de poder, eu iria dissimular primeiro, e desarmá-lo.
 - Eu te olhei normal oras. Eu fiquei assustado por que fui surpreendido e achei que você iria me enxotar, ou chamar a polícia, ou me ameaçar, ou até me atacar.
 Mas ele ignorou completamente e me cortou:
 - Você é virgem Marcos?
 Quando ele falou isso foi a primeira vez que ele virou o rosto, eu senti aquele bafo quente, e cheiro de bebida, assim como o cheiro de sua boca, então eu virei, olhei em seus olhos, tremendo por dentro mas firme por fora.
 - Você é hétero? Perguntei em tom de total desafio.
 Os olhos de ambos estavam em guerra, para ver quem cedia primeiro. Os dois perceberam que a resposta era sim. Eu virgem e ele hétero.
 Foi quando ele largou a bebida no chão e disse:
 - Você vai lembrar disso pro resto da sua vida.
   Virou-se na minha frente, me apertou contra a parede com muita força, ele queria que eu senti-se toda a superioridade física que ele possuía. Começou a beijar meu queixo com força, minha boca, meu pescoço, a barba dele fazia arder com força a minha pele. O corpo dele estava quente realmente, fervia como ele dissera. Ele pegou meus braços, levantou acima da minha cabeça, prendendo-os na parede. E começou a tirar a parte superior da minha roupa. Ele era violento, e eu apenas permiti...
 O beijo era alucinante, e no primeiro momento que ele desgrudou ele falou "Que boca...".
 Então ele colocou as minhas pernas em volta de sua cintura, me levou pro outro lado da rua, sem parar de me beijar, e quando eu vi estávamos no terreno baldio, em um canto escuro. Ele me jogou no chão gelado, praticamente congelado com a geada, mas logo tirou a parte de cima da roupa e colou seu corpo quente ao meu, beijando minhas costas, os lábios ferviam no meu corpo com frio, marcando as sensações na minha pele por horas.
 Dentro de toda aquela animalidade ele ainda parou para ser educado e perguntou:
- Você quer mesmo isso?
- Quero.
- O quanto você quer?
- Muito.
- Muito? Certeza?
 Quando ele perguntou eu hesitei por alguns segundos, senti um pouco de medo, ele estava alucinado. Mas respondi:
- Certeza...
 Então ele puxou as minhas calças, e puxou as dele. Tirou pra fora seu pênis, com um comprimento razoável, uns 16 ~ 17 cm, mas uma grossura muito perigosa. Deitou-se em cima de mim, colocou sua face em minha nuca, deixando seus lábios bem próximo do meu ouvido, e aderiu seu pau quente no meu rego, enquanto roçava e rolava ele pra cima e pra baixo, e falou:
- Pede pra eu meter, pede!
 Eu não falei nada por um segundo... e ele repetiu mais forte:
- Pede pra eu meter, eu quero que você peça.
 Eu pedi, e pedi com vontade e verdade, eu na verdade beirei o implorar:
- Cara, por favor, não faz assim comigo..., mete, me fode...
 Ele pegou a mão, soltou um cuspe enorme e grotesco, e meteu os dedos entre minhas nádegas. Em seguida foi introduzindo devagar, enquanto eu gemia. E começou a movimentar devagar, ele sabia o que estava fazendo.
 Dessa vez eu nem esperei ação dele, eu já falei:
- Mais rápido, mais forte...!
 Parecia que eu já tinha me transformado em um perito experiente.
 Então foi quando ele começou, a socar tão forte que eu me arrependi em alguns momentos.
 Então falei baixinho:
 - Pára. Pára. Calma.
 Mas cada vez que eu falava ele aumentava mais, e mais. E mais. Até que minha única alternativa foi me render totalmente. Quando me rendi meu ânus relaxou, eu fechei os olhos em êxtase. Ele me metia tão forte que meu pau roçava por baixo na grama e doía, um misto de dor forte e prazer.
 Meus gemidos soluçavam por causa da força que ele botava. Foi quando aconteceu..., gozamos ao mesmo tempo..., ele então urrou com força... e foi retirando seu pau do meu ânus, enquanto ainda soltava as últimas jorradas de porra muito quente, e eu senti perfeitamente pois era tão contrastante com o frio que fazia aquela noite. A última jorrada desceu por meus testículos e se juntou à minha porra.
 Ele ficou deitado por cima de mim ofegante..., permanecemos ali por vários segundos... foi quando ele disse no meu ouvido:
- Nesse exato momento, só nesses segundos... Eu te amo, eu realmente e profundamente te amo.