Esse blog é pessoal; despejo da minha visão, seja racional, emocional, psicodélica, sempre atualizado pelo que estou passando no momento; o importante é que minha visão é exclusivamente peculiar. Sou descritivo, reparador, desenvolvedor, depurador, elaborador. Provavelmente este blog será para projetar e encaminhar para situações, soluções, intrigas e expansões pessoais. Serve de direcionamento, atalho, organização e arquivamento (evitando assim perda).
quarta-feira, 16 de novembro de 2011
Miasma
Sei que teu coração foi selado com juramentos implícitos de nunca mais se aproximar de mim ou se comunicar, e que tua vida já teve atitudes que mudaram o trilho e todo o destino da estação do nosso futuro. Mesmo assim, isso aqui não tem nenhum objetivo, a não ser mostrar pra ti minhas sinceras desculpas.
Nós cometemos erros, mas eu cometi o erro maior, não a agressão, mas as bases de exigências extremas e a falta de compreender teu tipo de comunicação, expressão e a forma como teu amor redige as coisas. Eu que sempre preservei a diferença, em vez de ser grato pelas tuas formas excêntricas de expressão, acabei cobrando as fantasias que são inerentes a todos os seres humanos e fazendo delas uma fome interminável. E não entrei dentro do teu modo, no teu tipo alternativo de levar relacionamentos, mundo, valores, e amor.
Talvez não houve amor tão belo como o teu, sempre comunicativo, sempre presente, sempre unido, corajoso, focado, lindo e determinado. E eu, numa forma monstruosa e suja, quis encaixar tuas características em um molde de perfeição e ilusão, onde minha alucinante exigência, mimada por anos, não aceitava reações contrárias, e cobrava que fossem no meu formato desejado, ou no formato dos humanos, das relações, dos relacionamentos ou ideologias de namoro.
Fui vil e cruel, por que descartei a tua forma de expressão única e mágica, e te acusei incessantemente por não fazê-la, do modo tradicional, mágico e místico que eu alucinava.
Eu te amei de uma forma errada, tão exigente quanto uma bíblia, tão cruel quanto uma religião. E fiz do nosso relacionamento um culto dos meus desejos, e tu estava sendo o sacrifício do meu ritual.
No meio das minhas cobranças, desconfianças e alucinações, eu pari esse relacionamento narcisista, e esqueci da falta de carinho, da falta de alegria, da falta de prazer que tu necessitava.
E desnutri tuas necessidades, tua voz, tua presença, e fiz dela um adorno às minhas realizações, e me desconectei totalmente de ti.
Frente ao monstro doentio, fanático e vislumbrado que eu criei, suas brigas, retaliações e resistências estavam certas. Pois lentamente eu o empurrava de novo ao ventre do mundo, para que saísse correto e funcional.
Mas você era perfeito, da forma que nasceu, da forma que o mundo lhe concedeu.
Por mais frio ou sociopata fossem seus valores, certeza eu tenho que não me machucaria, e mesmo não entendendo minhas emoções, necessidades e sensibilidade, jamais iria avariar meu corpo e coração.
E por mais estranhas fossem suas mentiras, eu deveria amá-las, na forma do ritmo que você caminha, amar seus engatinhos, seus passos, sua forma de escolher sua vida.
Eu não o fiz, não respeitei, da diferença (dos meus padrões) fiz suas atitudes um crime; e passo à passo me afastei do meu amado, e criei um espelho que refletia os pesadelos dos meus maiores medos.
Sua face e seus olhos, sinceros e puros, eu tornei reflexos dos meus demônios internos, e sua jovialidade eu transformei em antagonistas dos meus heróis e aspirantes.
Passo à passo, na minha confusão psíquica, eu convidei complexos vértices negros para questionar suas atitudes.
Enquanto eu era protegido pelos advogados do tradicionalismo, e isentado pelos falsetes de códigos morais de condutas de relacionamento.
Eu, aquele que cobrou cumplicidade foi a que menos ofereceu, por que não deixei suas palavras e atitudes escolherem e decidirem comigo quais seriam nossas regras e referenciais. Apenas apresentei o contrato e cobrei por sua assinatura, e cobrei agressivamente, o afastando, e julgando, e diagnosticando.
Os limites que eu não queria, para sermos infinitos e livres; eu sufoquei um à um em palavras, atitudes, te jogando no medo e na opressão.
Aos poucos, momentos puros nossos eram esmagados pelas pedras/lápides dos meus 2000 mandamentos.
Fui tirando nossos sorrisos do relacionamento, e culpando-o por cada incorrespondência (mas como poderia corresponder? Eu era uma ameaça silenciosa).
Eu fazia de companhia regras absolutas, e da presença uma procuração de bom relacionamento.
No fim, em vez de amar seus defeitos eu achei que tive o direito de esfregar eles em sua cara. E assim o fiz.
O simples humano que queria viver prazeres leves com seu namorado, engoliu todas as facas que eu apunhalei nas minhas próprias costas em auto-flagelo.
Hoje é um dia de revelação, por que eu te amava de verdade, e perdi o foco para o seu doppelganger que ficou preso na minha retina. O qual ele eu temia.
E todo um estratagema saiu do meu obscuro mais psíquico...
E não o permiti ser você. Eu não o permiti viver você. Eu não o permitia mais querer ser você. Eu não aceitava e evitei viver você.
Por mais louco que sejas, você é você, e era o que eu deveria amar.
E por mais psicopata que sejas, você é um ser de Deus, perfeito em sua essência e confusa natureza.
Eu te amo e agora..., eu apenas sinto que matei meu verdadeiro amor.
Pois em sua limitada expressão de vida, eu deveria aprender a sua linguagem, e amá-lo, antes dos meus medos, antes da minha culpa eterna.
E que agora estou pronto para te amar de verdade, mas só te terei nos meus sonhos, na minha culpa, e nas lembranças de minhas células.
No pior tormento que um ser humano pode ter, mancha preta na alma. Ter matado o seu verdadeiro e único amor.
terça-feira, 30 de agosto de 2011
Fragmentos
domingo, 31 de julho de 2011
Monstro
As suas mentiras acumuladas, que queimavam em minhas artérias, ferventes como óleo quente, agora explodiram para fora, e eu posso nadar e mergulhar nelas sem fim.
Só me pergunto, por quê? Chamar pelo meu monstro que ansiava pela execução da justiça, atormentar cada sentimento, cada sonho, para que o monstro parasse finalmente de espreitar, e atacasse.
Eu peguei meu punho e taquei nos últimos espelhos de lembranças bonitas que me sustentavam, nos últimos espelhos de sonhos e desejos, e esperanças de reconquista, e eu continuei batendo e quebrando, ao mesmo tempo que os estilhaços furavam meus olhos.
O meu amor enforcado por uma corda injusta e vaga, e meu orgulho meses e meses me pressionando a trazer a relevância da minha importância e caráter, eu apenas não pude aceitar mais uma vez.
Para os cantos de sua vida que eu olhava, eu só via escuridão, maldade, hedonismo, assim minhas defesas são justificáveis, defesas na expressão de agressividade. E nunca entenderão por que não saberão, o porquê se autodestruiu através de mim, quem mais pôde o amar, e quem mais foi dilacerado para que meu amor próprio me disputasse e convidava o fim trágico, como provação.
A dor de aniquilar um afetuoso bebê dragão, e o prazer de me salvar da morte iminente e óbvia. O que era necessário para a sobrevivência, sinônimo do fim.
Eu tive que provar do sangue para provar o quanto eu queria viver.
Eu tive que provar das suas lágrimas e quebrar a eternidade do orgulho para provar o quanto eu queria... O quanto eu queria... O quanto eu queria... sobreviver.
Minhas costas ficarão mais leves? Sem o peso constante de mentiras, de palavras incertas, de sentimentos que eu exaustivamente tentava cavar, e ludibriado sempre vivenciei sozinho.
Meu amor algum dia se resgatará? Deste ódio que cresceu em proteção à como ele foi condenado e maltratado.
Um dia você aprenderá? Que você tirou tudo de mim, lentamente até que sobrasse somente meus punhos e meu instinto de preservação final.
Eu amei uma ilusão, amei uma criança, amei como adulto, amei ao infinito um espelho dos meus desejos, porém eles refletiam versões de injustiça, que desgraçaram lentamente meus sentimentos e meu ânimo. Enquanto eu esperava ser alimentando pelo retorno de minha cumplicidade mágica, eu acabei em inanição.
Eu entreguei a última lembrança. Que não permita me conhecer, que não permita saber nada de mim, nos seus mais profundos pensamentos não me descobrirá, não imaginará meus sonhos ou verdadeiras intenções, não saberá a disposição e sobrarão somente dúvidas. Uma neblina que já vinha se formando na minha inércia gradativa.
Ao que me foi entregue eis o retribuível...
Eis o monstro. Eis a desistência. Eis o amor assassinado. Eis o espelho que você enxerga.sexta-feira, 10 de junho de 2011
Sobre escrita sobrescrita
*****
Meses se passaram, e mais meses, sem escrita, sem inspiração, apenas este vazio de idéias. O tempo passou para mim assim como passou para várias pessoas, a maioria delas seguiu este rumo encubado das direções do mundo, que durante eras, pouco a pouco e auto-construtivo demonstrou essa inerente forma de uma vitalidade capitalista-aquisitiva-funcional. Somos estes números jogados na imensa fórmula de mundo. Modelados por variáveis x de empregos, variáveis y de estudos multiplicado por variáveis b de lazeres e dividido pelas variáveis h de deveres. E tudo isso sobre a raiz cúbica da determinação.
O resultado para quem mais rápido alcançar será o “realizado”.
Artistas, músicos, atores, lutadores, e escritores, todos superestimados são injetados mensalmente em doses cada vez mais elevadas de geração em geração, e o status se torna um simbiose magnífica com ego.
Me enoja quando me chamam de escritor..., por favor, retire-se e vá ler Harry Potter. Eu sou um tradutor. A escrita nada mais é do que a tradução de uma linguagem que nem todos podem falar, invisível, quase indecifrável, a dificuldade imensa desse vernáculo será vista por poucos. Escritores comerciais repetem com suas racionalidades linhas, idéias, criatividade. Eu sou um tradutor.
O mundo andou me sobrecarregando, ele tem conversado comigo, diversas vozes, alturas diferentes, gritos, sussurros, suspiros, gemidos. 24 horas para um intérprete e um poliglota exausto.
Mais uma vez, eu sou um tradutor e não um escritor (vá ler crepúsculo).
As vozes já não estão claras pra mim, o som do universo está fraco, e a passionalidade está cinza, pois as pessoas são produtos capitalistas, e conversar com suas mentes causa ânsia. Números acorrentados pelos primórdios básicos à lá Resident Evil, e metaforizadas por zumbis que exercem sua fome por carne fresca, sedenta e insaciável, no seu mais diminuto instinto primário, só que as pessoas são um pouquinho mais comunicativas, um pouquinho mais.
O ser humano é hipócrita e completamente perdoado por isso considerando o tamanho de sua cegueira quanto à capacidade de análise de pontos de equilíbrio do qual os milhões de referenciais existenciais podem nos trazer. E qualquer tradutor que escute o mundo falando sua língua poderia passar anos escrevendo bilhões de pontos da injustiça de cada detalhe da respiração alheia.
E eu costumava a admirar o ser humano, sua amplitude, e sua forma “infinita” em ser uma variável flexível e modelável sem limites. E fui tolo, pois hoje é claro sua natureza ínfima, patética, e mesquinha. Dentro de imagens de emoções, e de estereótipos recursivos. E evolução foi a maior piada da humanidade.
A internet demonstra hoje em dia como a massificação é capaz de expor a mesquinhez humana, trágica e endócrina. Onde adolescentes adquirem o espaço finalmente para os espalhafatos de sua comunicação juvenil, e que é constantemente impressionável com tudo. E revoluções patéticas como uma professora falando seu salário ao senado são elevadas a alturas. Quando na nossa história já tivemos jovens que morreram revolucionando guerras sangrentas (Né senhorita Joana D’arc). E a mídia consegue alienar a geração auto-alienável-recursivamente. Pois a imensidão dessa porcalhada coletiva dos nossos “adolescentes” é tão comerciável que novas verdades são trazidas à tonas para essa sociedade.
Se o ser humano não está vivendo de mortes, de guerra, de desrespeito a mulheres, de religiões assassinas, então está vivendo de ursinhos, de colorido, de bebidas, de felicidade e de baladas (Já falei o quanto amo o ser humano?). Se o ser humano não está vivendo de arte, de Pietà, está vivendo de marca de carros.
A Santa e mínima hipocrisia, em sua micro virtude pode ser demonstrada no conceito de amor. Rodeados por 98% de lirismo musical, de séries com o invariável casal romântico, e o filme com as lendas de paixões eternas..., não fazem nada por amor.
Dia a dia, todo santo dia levantam cedo para fazerem repetições irracionais que automatizaram durante toda sua vida, para conseguir dinheiro, levantam, pegam transporte, gastam horas, viajam KM, se esforçam, anseiam cargos, promoções. E em seus namoros, casamentos, preferem investir brigas, cobranças, exigências, e delimitações; o que comprova a nascente arquetipal do egoísmo.
Se esforçam drasticamente em cotidianos repetitivos infinitos, que se for até o final de sua vida estão bem servidos. E em seus lendários “amores” vivem o asco de suas comodidades, e o legítimo escárnio de suas preguiças. Terminando em conflitos e colisões, que definem o fim de um relacionamento e o fim do “amor?”.
Seres que trabalham ao vazio e não levantam o dedo à pessoa “amada”. É o exemplo perfeito do ser humano hipócrita perdoado por sua cegueira. Do humano falso perdoado pela fraqueza e covardia de ser algo além da lavagem cerebral.
Humanos sobrescritos por humanos, e eras sobrescrita por eras.
Não há evolução ou realmente um aprendizado real.
Nem o espiritismo explicaria a falta de filosofia vaga nas tristes gerações que precedem e procedem.
Os maiores focos de inteligência são as distrações de filmes, distrações de seriados, distrações de animes. Todos redundantes em suas essências, e tudo capitalizado.
Não há amor sem um imenso desenvolvimento psicológico.
Não existe sacrifício e esforço se as direções dele são unilaterais e monologas.
O ser humano é pra mim o menos interessante de todos os animais.
Essa solidão insolúvel, que mata lentamente, no veneno mental e psicológico.
E àqueles poucos e poucas que conheci que demonstraram algo a mais, sinto muito também por sua tortura existencial.
Somos os únicos portadores da vida, e portadores do mundo. E portadores de alma.
E aos dignificados por sua “vida” mundana. Sintam-se livres, o mundo é de vocês. E os otimismos impregnados em suas mentes retóricas, tão assertivos que asseguram nessa relevante positividade, que aquilo que vocês vivem, e o que sentem, é o sentido de ser.