quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Miasma

Meses se passaram, o miasma que tomava a minha mente se dissipou, a posse, o ciúmes encontraram sua conformação e o equilíbrio em sua órbita que era volátil, e estou pronto e clarificado, após meditações a fazer o real pedido de desculpas.
Sei que teu coração foi selado com juramentos implícitos de nunca mais se aproximar de mim ou se comunicar, e que tua vida já teve atitudes que mudaram o trilho e todo o destino da estação do nosso futuro. Mesmo assim, isso aqui não tem nenhum objetivo, a não ser mostrar pra ti minhas sinceras desculpas.

Nós cometemos erros, mas eu cometi o erro maior, não a agressão, mas as bases de exigências extremas e a falta de compreender teu tipo de comunicação, expressão e a forma como teu amor redige as coisas. Eu que sempre preservei a diferença, em vez de ser grato pelas tuas formas excêntricas de expressão, acabei cobrando as fantasias que são inerentes a todos os seres humanos e fazendo delas uma fome interminável. E não entrei dentro do teu modo, no teu tipo alternativo de levar relacionamentos, mundo, valores, e amor.

Talvez não houve amor tão belo como o teu, sempre comunicativo, sempre presente, sempre unido, corajoso, focado, lindo e determinado. E eu, numa forma monstruosa e suja, quis encaixar tuas características em um molde de perfeição e ilusão, onde minha alucinante exigência, mimada por anos, não aceitava reações contrárias, e cobrava que fossem no meu formato desejado, ou no formato dos humanos, das relações, dos relacionamentos ou ideologias de namoro.
Fui vil e cruel, por que descartei a tua forma de expressão única e mágica, e te acusei incessantemente por não fazê-la, do modo tradicional, mágico e místico que eu alucinava.

Eu te amei de uma forma errada, tão exigente quanto uma bíblia, tão cruel quanto uma religião. E fiz do nosso relacionamento um culto dos meus desejos, e tu estava sendo o sacrifício do meu ritual.
No meio das minhas cobranças, desconfianças e alucinações, eu pari esse relacionamento narcisista, e esqueci da falta de carinho, da falta de alegria, da falta de prazer que tu necessitava.
E desnutri tuas necessidades, tua voz, tua presença, e fiz dela um adorno às minhas realizações, e me desconectei totalmente de ti.

Frente ao monstro doentio, fanático e vislumbrado que eu criei, suas brigas, retaliações e resistências estavam certas. Pois lentamente eu o empurrava de novo ao ventre do mundo, para que saísse correto e funcional.
Mas você era perfeito, da forma que nasceu, da forma que o mundo lhe concedeu.
Por mais frio ou sociopata fossem seus valores, certeza eu tenho que não me machucaria, e mesmo não entendendo minhas emoções, necessidades e sensibilidade, jamais iria avariar meu corpo e coração.
E por mais estranhas fossem suas mentiras, eu deveria amá-las, na forma do ritmo que você caminha, amar seus engatinhos, seus passos, sua forma de escolher sua vida.

Eu não o fiz, não respeitei, da diferença (dos meus padrões) fiz suas atitudes um crime; e passo à passo me afastei do meu amado, e criei um espelho que refletia os pesadelos dos meus maiores medos.
Sua face e seus olhos, sinceros e puros, eu tornei reflexos dos meus demônios internos, e sua jovialidade eu transformei em antagonistas dos meus heróis e aspirantes.
Passo à passo, na minha confusão psíquica, eu convidei complexos vértices negros para questionar suas atitudes.
Enquanto eu era protegido pelos advogados do tradicionalismo, e isentado pelos falsetes de códigos morais de condutas de relacionamento.

Eu, aquele que cobrou cumplicidade foi a que menos ofereceu, por que não deixei suas palavras e atitudes escolherem e decidirem comigo quais seriam nossas regras e referenciais. Apenas apresentei o contrato e cobrei por sua assinatura, e cobrei agressivamente, o afastando, e julgando, e diagnosticando.
Os limites que eu não queria, para sermos infinitos e livres; eu sufoquei um à um em palavras, atitudes, te jogando no medo e na opressão.

Aos poucos, momentos puros nossos eram esmagados pelas pedras/lápides dos meus 2000 mandamentos.
Fui tirando nossos sorrisos do relacionamento, e culpando-o por cada incorrespondência (mas como poderia corresponder? Eu era uma ameaça silenciosa).
Eu fazia de companhia regras absolutas, e da presença uma procuração de bom relacionamento.

No fim, em vez de amar seus defeitos eu achei que tive o direito de esfregar eles em sua cara. E assim o fiz.
O simples humano que queria viver prazeres leves com seu namorado, engoliu todas as facas que eu apunhalei nas minhas próprias costas em auto-flagelo.
Hoje é um dia de revelação, por que eu te amava de verdade, e perdi o foco para o seu doppelganger que ficou preso na minha retina. O qual ele eu temia.
E todo um estratagema saiu do meu obscuro mais psíquico...

E não o permiti ser você. Eu não o permiti viver você. Eu não o permitia mais querer ser você. Eu não aceitava e evitei viver você.
Por mais louco que sejas, você é você, e era o que eu deveria amar.
E por mais psicopata que sejas, você é um ser de Deus, perfeito em sua essência e confusa natureza.

Eu te amo e agora..., eu apenas sinto que matei meu verdadeiro amor.
Pois em sua limitada expressão de vida, eu deveria aprender a sua linguagem, e amá-lo, antes dos meus medos, antes da minha culpa eterna.
E que agora estou pronto para te amar de verdade, mas só te terei nos meus sonhos, na minha culpa, e nas lembranças de minhas células.
No pior tormento que um ser humano pode ter, mancha preta na alma. Ter matado o seu verdadeiro e único amor.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Fragmentos

A brisa bate no meu rosto, enquanto balanço suavemente em uma rede à sombra de pinheiros em uma praia silenciosa, ainda não arrasada pela urbanização litoral. A mente ainda preservada da poluição metropolitana, poluição esta que confisca os estilos de vida gay, deixando a um só. No outro lado da rede vejo seu sono profundo, nossas pernas entrelaçadas e eu posso ouvir seu ronco leve e sua respiração voraz devorando o descanso. O sol bate levemente em algumas partes do seu rosto, e é tão sereno ver seus olhos fechados e seu conforto intenso, que eu posso dormir junto de você através do visual, nessa expiração de stress absoluto de qualquer tempestade que passamos, que passou, que fizemos, eu não queria que você acordasse nunca mais, para não tragar a realidade pesada que sei que te inunda no despertar e tenta expelir por lágrimas.
Por que chegamos a esse ponto? Seu amor tão belo, quente, infelizmente vaporoso, atritado pelas constantes chagas psíquicas que gritavam de seu interior sádico e da poligamia totalmente insatisfeita. O seu valor mal ensinado, buscando flertes intermináveis como nutrição de identidade, e olhos brilhantes alheios para a sede de um ego enfermecido. Apenas frágil e sem auto-estima, não me deixando ser o bastante, nem o suficiente. E muito menos haviam pensamentos, nesta linda hipocrisia humana, de amar ser preenchido pelo distrativo, vício dos não-redentores, e vício dos egoístas, ter uma vida industrializada como um fast-food. Sem identidade, esperando que os olhos, as babas, os toques, as palavras do mundo, o formem, o guiem. Tentei o guiar, para mim, meu amor, meus cuidados... eu tentei. E tentaria de novo. A ideia de perder seu rosto na multidão, rosto que me corta em qualquer lembrança... não deixe eu perder seu rosto na multidão. Enquanto sou ensurdecido por vozes repetitivas, carentes, outras ousadas, mas todas gritam.
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Dentro do corpo dele, envolto após pelos braços dele, entregando meu corpo que queimava de necessidade, e entregando o símbolo animal que seres humanos tanto convidam com orgulho, instruídos a ser o maior particípio da vida criativa. Eu senti que meu espírito fechou seus olhos, se encolheu dentro do corpo mundano, guardou os sonhos, planos e desejos dentro do relicário, para que estes não ficassem sujos e corrompidos. A tola arte da preservação, sentimento solitário e aparentemente ingênuo, mas que prefiro do que entregar à carnicentos aquilo que cuidei por anos, atenciosamente, amorosamente, orgulhosamente. Meu espírito temporariamente embalssamado, assim anestesiado, nega o que possa vir a acontecer. Por que o mais quero, o meu, amado, realmente amado menino.
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Seu coração chora com a minha presença, suas feridas tremem com a fúria da minha sabedoria, e seu corpo lentamente derrete com a convicção do meu olhar. Mas veja como seu coração sangra longe de mim, e suas feridas se sentem eternamente sozinhas e apáticas sem a fúria da minha sabedoria, e seu corpo se decompõe sem os meus olhares.
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Fale com eles, beije eles, transe com eles. A fim de matar o meu pedaço que durante anos botei dentro de ti. O calor da minha porra quente jorrada com intensidade dentro do seu ânus pulsante, ambos com desejo fulminante, escaldou para dentro do outro litros de prazer, felicidade, alegria, voracidade. Por que você me tem dentro do seu interior, e sentirá seu "aiunha" chorar, morrer, à medida do desgaste com os outros. Estas situações que se apresentam mais fácil do que tocar o monstro serão menos verdadeiras. Eu sou o monstro, a fera que você alimentou, sacrifique-a. Antes que ela o devore por dentro.
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Volte pra mim, e aprenda as ferramentas complicadas, que requisitam coragem e quebra de limites, barreiras..., para a verdadeira ascenção. Nenhum caminho é fácil, amor não é distração temporária ou extração de prazer, namoro não é um poço de doce ou de petróleo. Quando termina, quando acaba, o mundo, acostumado com a forma nômade, procura outro terreno/pessoa, nessa covardia, negligência e abandono.
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Quão vil, foi ver seu corpo morto, foi enterrar o relacionamento, em um velório demorado, e 20 dias de choros e soluços, de asfixia pura. Quão vil foi tomar o veneno da vida, corroendo minhas artérias como um ácido, sob o mais horrendo erro, e a mais difícil decisão. Já programado como um robô da sobrevivência. Então........................, você bateu na minha porta, me ofereceu um lar, ("seu bobo, vou comprar a televisão para um dia nós termos as nossas coisas né", "vamos para a praia no final do ano? Ficar em um lugar calmo"). E veio com cintilância e precisão, para mais uma vez, me abandonar. Quão vil?
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As tolices eram apenas tolices, bonitinho e engraçadinho eram as briguinhas, divertidas até quando não stressantes. Daquele índice lindo de que quando dormíamos juntos, eu lhe abraçava 100% das vezes, você tirava minha mão, nos revirávamos na cama em silêncio, algumas palavras aqui, outras ali, enquanto nossos pés conversavam entre si, estando de frente, estando de costas, nossos pés conversavam nosso amor. E sempre terminava com meu braço não-convidado envolvendo tua cintura, ou tuas palavras: "E aí? Não vai me abraçar?" e assim adormecíamos, abraçados mais uma vez. 100% das vezes, 100% das vezes.......
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O orgulho vem, queima, quando me vejo, estou em shoppings, conhecendo pessoas. Estou na casa de estranhos bebendo a vontade deles, estou gargalhando com amigos. Estou achando conversas tolas interessantes, estou achando atos miúdos quentes, e condenando sua intolerância em cada um desses lugares. Mas o orgulho e a liberdade some, o espaço e tempo infinito se tornam um vazio, eu sinto falta do meu lar. Meu lar eram seus braços, e meu dia eram seu humor, meus sonhos eram suas capacidades, e meus oferecimentos seriam gratos na medida dos seus limites.
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Lágrimas e lágrimas mais uma vez, eu só fortifico a racionalidade deste instinto de preservação de saber o que tenho que fazer. Dia após dia, cuidar de mim, academia, empregos, trabalhos, estudos, amigos, família, viagens, uma imensa jornada, honrada em cima de uma categórica e auto-orgulhada solidão. Eu conquistei, eu consegui, eu vivi.... eu provei aos inimigos invisíveis.

Cadê você?.....................................................................

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O que é da verdade pura, verdade violenta, facilmente culpada. Não é morte lenta, é morte rápida. Espetada direta e fatal. Não é saudosista e lenta, como a mentira encalhada, estagnando vidas, e entorpecendo eras.
Dei soco, me destes traições. Dei gritos, me destes mentiras. Dei choros, me desde indiferença. Dei chamado, me deste distância.
A verdade é cruel, um menino favelado com fome que rouba, um homem desesperado sem emprego, e por sua família que desamparado pelos frios valores da sociedade, assalta. São presos e condenados.
A mentira uma dama disfarçada, um político corrupto que usa um belo terno, que transigindo nas pequenas fendas da sociedade, nas pequenas oportunidades, dançando nas falhas da comunicação, da visão, da imagem. Manipulam suas mentiras/verdades, adquirindo......
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Apenas, não faça isso, não me abandone, não tire de mim ou de ti a grandeza e magnitude do que pode ser vivido. Nos dédalos, nos labirintos de nossas confusões, por que em cada palavra de amor frustrado existe uma fúria, e em cada atitude de amor frustrado existe uma violência. Era hora de liberar estes anseios perdidos, os verdadeiros sentimentos que culminam e se espremem, entalados em orgulhos, barreiras e identidades. Era hora de transmutar e acariciar os reais desejos, que esquecidos se tornaram sanguinários, e perdidos se tornaram ameaçadores. Não há força pra resgatar? É por que então não há conhecimento, reconhecimento, e nunca houve, de quem é o próximo, de como ele é.
Bichos selvagens versus bichos de estimação, ameaçadores por sobrevivência, carinhosos por atenção. Bichos maltratados, uma dor que se apresenta em uma fúria, que quem olha nota a tristeza infinita daquele animal em um estado temporariamente irreversível.
Apenas meninos encardidos, carentes, querendo abraços, sexos, amores. Situações calorosas, magia, romance e momentos ímpetuosos. Convide esta calmaria, alicerce e tenhamos um ateliê e façamos dele um bálsamo definitivo dessa época da nossa vida. Para que possamos ter vivido a ternura, o carinho, a busca, e margens de desejos profundos, para ser o maior presente para o outro.
O perdão e auto-perdão através da concretização de sonhos, planos, viagens. Ahhhhhhh, eu te quero tanto, e preciso tanto. Não me diga mais palavras rancorosas, não me diga mais palavras agressivas, me entregue enquanto estiver comigo o calor mágico dos anjos, a paz lendária do paraíso. Para depois, se tiver que partir, parta... Mas queremos mesmo morrer? Com a memória, disto que foi entregue. E do abandono nas melhores épocas de serem vividas?
Apenas não faça isso! Me buscou, veio à mim, me pediu, mal tentou. Reconheça a face de quem sou por trás da fera que propositalmente projetou em cima de mim. Com a notória lógica da continuidade dos seus atos hediondos, propositando encontrar a minha implacável fúria. Sem propositar através de cuidados, seguranças, confiança e carinho, encontrar seu melhor amor...
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Eu vi suas lágrimas, mais uma vez. Elas denotam esse amor ferido, e este medo imenso. Medo de trilhar o caminho e nunca mais encontrar. Mas que grande covardia, não tentar se aninhar no meu braço pelo menos três vezes, não tentar encostar nossos lábios pelo menos três vezes, não tentar olhar para nossa trajetória e revisitar os momentos que tivemos pelo menos três vezes. Para ver, notar, enxergar claramente, quem eu sou, purificado dos embates e conflitos procedentes, aquele sou.

Oras bolas!

Pelo menos três vezes. Não teve uma sequer............

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Eu estou tão otimista, tão feliz, tão pronto para viver muitas coisas. Acabo me inundando pela responsabilidade de sua baixa frequência, dor, e negatividade. Pela busca contundente e impertinente por atrações vitais e pessoas que vivam espetáculos. Tudo que vejo são desistências e interesses.
Não perca o que lhe foi dado, o que lhe foi conquistado, o que foi conectado.
A vida dá poucos presentes, virar as costas para tamanho presente, com tal desgraça, traquinagem, é pedir um dilúvio eterno pro espírito. A persistência de enganar seu amor, um dia será cobrada.
Não sairá ileso escondendo-se da responsabilidade das escolhas e atitudes, e indo em busca das mundanices, ao mesmo tempo que me joga para um caminho pouco alternativo.

Te fui entregue para ser cuidado, e sei que tu sentiu isso...

Beijos, uma boa noite. E cuide-se, como eu cuidaria de ti, se tu tivesse permitido.
Pois cada traição, enganação ou falsidade, nada mais é do que um auto-sadismo. Pedir punição, pedir para ser punido, pedir por retaliação, pedir por atitude.

domingo, 31 de julho de 2011

Monstro

Uma tarde de domingo, acordar enquanto meus olhos ardem, e minha cabeça lateja com a guerra interminável do consciente contra o inconsciente pela razão, o consciente defensor, e o inconsciente promotor.
As suas mentiras acumuladas, que queimavam em minhas artérias, ferventes como óleo quente, agora explodiram para fora, e eu posso nadar e mergulhar nelas sem fim.

Só me pergunto, por quê? Chamar pelo meu monstro que ansiava pela execução da justiça, atormentar cada sentimento, cada sonho, para que o monstro parasse finalmente de espreitar, e atacasse.
Eu peguei meu punho e taquei nos últimos espelhos de lembranças bonitas que me sustentavam, nos últimos espelhos de sonhos e desejos, e esperanças de reconquista, e eu continuei batendo e quebrando, ao mesmo tempo que os estilhaços furavam meus olhos.

O meu amor enforcado por uma corda injusta e vaga, e meu orgulho meses e meses me pressionando a trazer a relevância da minha importância e caráter, eu apenas não pude aceitar mais uma vez.
Para os cantos de sua vida que eu olhava, eu só via escuridão, maldade, hedonismo, assim minhas defesas são justificáveis, defesas na expressão de agressividade. E nunca entenderão por que não saberão, o porquê se autodestruiu através de mim, quem mais pôde o amar, e quem mais foi dilacerado para que meu amor próprio me disputasse e convidava o fim trágico, como provação.

A dor de aniquilar um afetuoso bebê dragão, e o prazer de me salvar da morte iminente e óbvia. O que era necessário para a sobrevivência, sinônimo do fim.
Eu tive que provar do sangue para provar o quanto eu queria viver.
Eu tive que provar das suas lágrimas e quebrar a eternidade do orgulho para provar o quanto eu queria... O quanto eu queria... O quanto eu queria... sobreviver.

Minhas costas ficarão mais leves? Sem o peso constante de mentiras, de palavras incertas, de sentimentos que eu exaustivamente tentava cavar, e ludibriado sempre vivenciei sozinho.
Meu amor algum dia se resgatará? Deste ódio que cresceu em proteção à como ele foi condenado e maltratado.
Um dia você aprenderá? Que você tirou tudo de mim, lentamente até que sobrasse somente meus punhos e meu instinto de preservação final.

Eu amei uma ilusão, amei uma criança, amei como adulto, amei ao infinito um espelho dos meus desejos, porém eles refletiam versões de injustiça, que desgraçaram lentamente meus sentimentos e meu ânimo. Enquanto eu esperava ser alimentando pelo retorno de minha cumplicidade mágica, eu acabei em inanição.

Eu entreguei a última lembrança. Que não permita me conhecer, que não permita saber nada de mim, nos seus mais profundos pensamentos não me descobrirá, não imaginará meus sonhos ou verdadeiras intenções, não saberá a disposição e sobrarão somente dúvidas. Uma neblina que já vinha se formando na minha inércia gradativa.

Ao que me foi entregue eis o retribuível...

Eis o monstro. Eis a desistência. Eis o amor assassinado. Eis o espelho que você enxerga.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Sobre escrita sobrescrita

Bom, hoje estou abrindo uma exceção dos meus textos impessoais e simbólicos, e também não é um texto diretamente emocional, por que ele reflete muitas ramificações da vida humana. Divirta-se:

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Meses se passaram, e mais meses, sem escrita, sem inspiração, apenas este vazio de idéias. O tempo passou para mim assim como passou para várias pessoas, a maioria delas seguiu este rumo encubado das direções do mundo, que durante eras, pouco a pouco e auto-construtivo demonstrou essa inerente forma de uma vitalidade capitalista-aquisitiva-funcional. Somos estes números jogados na imensa fórmula de mundo. Modelados por variáveis x de empregos, variáveis y de estudos multiplicado por variáveis b de lazeres e dividido pelas variáveis h de deveres. E tudo isso sobre a raiz cúbica da determinação.
O resultado para quem mais rápido alcançar será o “realizado”.
Artistas, músicos, atores, lutadores, e escritores, todos superestimados são injetados mensalmente em doses cada vez mais elevadas de geração em geração, e o status se torna um simbiose magnífica com ego.
Me enoja quando me chamam de escritor..., por favor, retire-se e vá ler Harry Potter. Eu sou um tradutor. A escrita nada mais é do que a tradução de uma linguagem que nem todos podem falar, invisível, quase indecifrável, a dificuldade imensa desse vernáculo será vista por poucos. Escritores comerciais repetem com suas racionalidades linhas, idéias, criatividade. Eu sou um tradutor.
O mundo andou me sobrecarregando, ele tem conversado comigo, diversas vozes, alturas diferentes, gritos, sussurros, suspiros, gemidos. 24 horas para um intérprete e um poliglota exausto.
Mais uma vez, eu sou um tradutor e não um escritor (vá ler crepúsculo).

As vozes já não estão claras pra mim, o som do universo está fraco, e a passionalidade está cinza, pois as pessoas são produtos capitalistas, e conversar com suas mentes causa ânsia. Números acorrentados pelos primórdios básicos à lá Resident Evil, e metaforizadas por zumbis que exercem sua fome por carne fresca, sedenta e insaciável, no seu mais diminuto instinto primário, só que as pessoas são um pouquinho mais comunicativas, um pouquinho mais.
O ser humano é hipócrita e completamente perdoado por isso considerando o tamanho de sua cegueira quanto à capacidade de análise de pontos de equilíbrio do qual os milhões de referenciais existenciais podem nos trazer. E qualquer tradutor que escute o mundo falando sua língua poderia passar anos escrevendo bilhões de pontos da injustiça de cada detalhe da respiração alheia.
E eu costumava a admirar o ser humano, sua amplitude, e sua forma “infinita” em ser uma variável flexível e modelável sem limites. E fui tolo, pois hoje é claro sua natureza ínfima, patética, e mesquinha. Dentro de imagens de emoções, e de estereótipos recursivos. E evolução foi a maior piada da humanidade.
A internet demonstra hoje em dia como a massificação é capaz de expor a mesquinhez humana, trágica e endócrina. Onde adolescentes adquirem o espaço finalmente para os espalhafatos de sua comunicação juvenil, e que é constantemente impressionável com tudo. E revoluções patéticas como uma professora falando seu salário ao senado são elevadas a alturas. Quando na nossa história já tivemos jovens que morreram revolucionando guerras sangrentas (Né senhorita Joana D’arc). E a mídia consegue alienar a geração auto-alienável-recursivamente. Pois a imensidão dessa porcalhada coletiva dos nossos “adolescentes” é tão comerciável que novas verdades são trazidas à tonas para essa sociedade.
Se o ser humano não está vivendo de mortes, de guerra, de desrespeito a mulheres, de religiões assassinas, então está vivendo de ursinhos, de colorido, de bebidas, de felicidade e de baladas (Já falei o quanto amo o ser humano?). Se o ser humano não está vivendo de arte, de Pietà, está vivendo de marca de carros.

A Santa e mínima hipocrisia, em sua micro virtude pode ser demonstrada no conceito de amor. Rodeados por 98% de lirismo musical, de séries com o invariável casal romântico, e o filme com as lendas de paixões eternas..., não fazem nada por amor.
Dia a dia, todo santo dia levantam cedo para fazerem repetições irracionais que automatizaram durante toda sua vida, para conseguir dinheiro, levantam, pegam transporte, gastam horas, viajam KM, se esforçam, anseiam cargos, promoções. E em seus namoros, casamentos, preferem investir brigas, cobranças, exigências, e delimitações; o que comprova a nascente arquetipal do egoísmo.
Se esforçam drasticamente em cotidianos repetitivos infinitos, que se for até o final de sua vida estão bem servidos. E em seus lendários “amores” vivem o asco de suas comodidades, e o legítimo escárnio de suas preguiças. Terminando em conflitos e colisões, que definem o fim de um relacionamento e o fim do “amor?”.
Seres que trabalham ao vazio e não levantam o dedo à pessoa “amada”. É o exemplo perfeito do ser humano hipócrita perdoado por sua cegueira. Do humano falso perdoado pela fraqueza e covardia de ser algo além da lavagem cerebral.
Humanos sobrescritos por humanos, e eras sobrescrita por eras.
Não há evolução ou realmente um aprendizado real.
Nem o espiritismo explicaria a falta de filosofia vaga nas tristes gerações que precedem e procedem.
Os maiores focos de inteligência são as distrações de filmes, distrações de seriados, distrações de animes. Todos redundantes em suas essências, e tudo capitalizado.
Não há amor sem um imenso desenvolvimento psicológico.
Não existe sacrifício e esforço se as direções dele são unilaterais e monologas.
O ser humano é pra mim o menos interessante de todos os animais.
Essa solidão insolúvel, que mata lentamente, no veneno mental e psicológico.
E àqueles poucos e poucas que conheci que demonstraram algo a mais, sinto muito também por sua tortura existencial.
Somos os únicos portadores da vida, e portadores do mundo. E portadores de alma.
E aos dignificados por sua “vida” mundana. Sintam-se livres, o mundo é de vocês. E os otimismos impregnados em suas mentes retóricas, tão assertivos que asseguram nessa relevante positividade, que aquilo que vocês vivem, e o que sentem, é o sentido de ser.