domingo, 27 de julho de 2008

Definitivamente Solteiro

 Numa dessas estradas tortuosas, tão indefínveis. Opa! Quanta distância e proximidade amigo, deste mundo hetero, deste mundo homo. Cada detalhe uma calamidade peculiar, entre um e outro estamos nos baseando, e estamos nos perdendo.

 Às vezes trago tantas emoções, ou essa sexualização potente, ou um puro racionalismo dançante; e desta vez trago o vazio, trago a desistência; de um histórico de um lindo cara, corpo estereotipado e coração quebrado. Estamos exaustos, estamos desaparecendo, daquilo que conhecíamos de nós. Onde está nossa antiga fonte intensa?! Onde sentia fluir a vida em coisas simples. Visualizamos-nos como borrões no tempo, perda de traços no nosso caminho, e nessa queda de caráter hoje estamos entregues aos entorpecimentos sociais, ou prazeres biológicos; por simples cansaço.

 Cada vez mais essa tristeza nos toma; a de estarmos nos tornando automáticos, entrelaçando-se nestes desejos, nos misturando com as falhas gloriosas destas atratividades primitivas. Amigo, eu não consegui te enxergar; eu vi seus olhos e não consegui te enxergar, eu adentrei este poço passo à passo de anos corroído. E sim; vejo isso em raros jovens também.

 Então quando entrei naquela festa eu comparei com uma academia de desamor, muitas pessoas se exercitando, outras bastante defensivas. Achei interessante alguns aparelhos, teve um que me chamou a atenção, para exercitar a sobreposição do racional sobre a paixão. E muita gente se exercita achando que é força.

 Ahhhhh, quanto tempo faz? Hein, amigo?! Perdi está fonte de complexidade, me situando simples por não encontrar afinidade. Fui lixado pela realidade, lixado pelo social. Hoje sou uma dessas esculturas meio lapidada por mim, meio pelo social-forçado. As pessoas passam por esta obra e não identificam nada, apenas uma deformidade. Sim! Todas maravilhas do mundo se arruinaram com o tempo, com terremotos, com chuva, com vento.

Assim te vi hoje, uma dessa maravilhas do mundo corrompida por fatores.

 Sobre mim!? Não, agora não. Agora tento fluir no seu espírito; eu enxergo em ti meu medo, por estar trilhando o mesmo caminho. Como tu falarei algum dia?! "Eu perdi amores, eu perdi chances, eu não recolhi o suficiente".

 Poderia estar lindo analisando genéricamente, decodificando essa sociedade toda, mas sabe, cansei. Percebe-se com o tempo que poucos merecem engrandecimento e liberdade, e daí adentro poucas pessoas com este mundo; por debaixo dos nossos tapetes persas mentais. Poucos tem valor suficiente para comprá-los.

 Quando eu estava no chuveiro, eu repetia o vago da minha infância meio esquizofrênica e autista; passava os dedos no azulejo, não sentia nada. Tantas pessoas para pensar, e eu não pensava em nada. Tantos corpos para desejar e "Opa! Achei uma pedrinha no vão do azulejo".

Por que você está sendo essa metáfora de mim!? Por que você joga a bola de borracha na parede para ela ir longe e ela retorna no seu estômago, aturdindo-o?!

 Me sinto agora como um placebo de realidade, uma identidade sabotada. Há fórmula para calcular o vazio em mim?!

Sim, ver você. Meu amigo "Definitivamente solteiro"

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Tudo desaparece

Ele se aproximava dele, “dele” imaginava como sendo eu.
Seus movimentos entrelaçavam-se em meus símbolos de desejos.
E sua inclinação instintivamente apologética em direção a mim.
Meus pulmões exaustos em seguir o ritmo dessa perturbação.

Sua linha da face instigava meu particípio visual contornando-o.
Sua “proporção” buscava em mim meus apertos e suplícios sexuais.
Aqueles fios me espremiam um a um, nas minhas pupilas dilatadas.
Meu estômago descobria uma cova funda e angelical, e escura.

Eu encontrava num simples olhar o sofrimento e salvação da minha vida.
Se estendia e seguia meus passos até a minha cama.

Quando o divino é ambiguamente misturado ao inferno.
É quando seu corpo é somente sentido na minha imaginação.
Sou penitente sexual – eterno observador torturado.

No outro dia nascido de águas rasas e paisagem celeste,
Tendo férias da masmorra sensual.

Quando as jaulas são texturas masculinas,
Quando as grades são pêlos ascendentes ao contorno da pele.

Ele se aproximava de mim, “mim” realmente como sendo eu.
Meus movimentos se retraíam em meus símbolos de insegurança.
Meus olhares se distanciavam irreciprocadamente em direção a ele.
Meus pulmões exaustos em seguir o ritmo dessa perturbação.

Então tudo desaparece, tudo sumia, tudo se ia.

Quando um corpo é prisão...
E quando este corpo à mim se transformou em liberdade...
E é quando eu volto à mim em fuga,
e meu corpo vira a prisão.

Sobras

Quando encontro no meu travesseiro,
Um templo do nosso passado,
Com todas aquelas fadas e demônios,
Brilhamos e escurecemos.

A “luz” daquele beijo nos meus lábios (ante meus olhos),
É o “escuro” do mesmo beijo nos lábios alheio (ante meus olhos).

Se vivesse tudo aquilo só como mentiras, ou
Se vivesse tudo aquilo só como verdades, 
Ou mistura delas...
(De qualquer forma...)
Encontraria apenas pedaços de nós dois.
(De qualquer forma...)

Para toda aquela traição que entope minhas artérias,
 eu forjo um tratamento,
Para todo esse amor que entope as suas artérias,
 você forja meus ouvidos.
Mesmo entrando cada vez mais nas lembranças, e rasgando-as como folhas,
 jogando-as ao alto (elas voam em torno de mim, caindo lentamente; vejo apenas letras sem sentido.)
E mesmo apertando memórias contra o peito, elas não entram mais.

Se a mesma versão de nós dois não tivesse traído, ou
Se a mesma versão de nós dois tivesse amado igualmente,
(De qualquer forma)
Encontraria apenas cicatrizes de nós dois.
(De qualquer forma)

Se pegarmos uma lupa e ler as linhas pequenas do nosso contrato, leremos destruição.
Se pegarmos um coador e coar todas as mentiras, nada sobrará.
Se pegarmos nossas roupas e torcermos, escorrerá lágrimas.

Então a liberdade nos espera, e a prisão nos espera. Aleatórias nos segundos.

Cada suspiro, cada sufoco, cada sorriso, cada risada...
É o que sobrou e o que faltou de nós dois.