segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Perdido

Eu tentei 83 vezes...
Apenas em pensamentos quebrados.
Tal insistência sã, broca na insanidade.
Qual é o sinal?
Quem é o sinal? Nesse corredor borrado de semi-claro.
Há nada neste quarto além de uma ampulheta virada.

Eu queria conversar com alguém diferente...
Aquelas vozes imaginárias, ou os fantasmas que não me respondem.
Telepaticamente num monólogo, abandonado das antigas transições mediúnicas.
Mesmo demonstrado infinito e diverso, inalcançável, eu canso de mim.

Sua voz doce se tornou meu parasita de maior medo.
E tenho me tornado uma compactada verdade absoluta.
Para ser lentamente descompactada, enquanto você se torna a tragicomédia "Última Esperança".

Os cômodos escuros me contam seus segredos.
Expandem um pânico bobo-de-mim, que nasce cármico do meu estômago.
E procura os braços de Deus.

Ofereço a vocês minhas lágrimas que escorrem apáticas pelas minhas bochechas inexpressivas.
Vocês dariam melhor uso para elas. Combustível de força, prazer, relações, recomeço.
Na minha face, um constante desperdício.

Meu sofá é bastante confortável, eu desenho estrelas no teto, e com 3 já tenho uma constelação.
Tomo diversas advertências pela falta do primitivismo.
As vezes é quando passo os dedos no fluído universal, desenhando suas mentes.
Jubiloso com suas trajetórias, irritado com a previsibilidade, mas seguro.

Eu sei que você não pode acreditar na minha visão,
Nem ter certeza do quanto eu devorei você, e roí suas unhas.
Temeroso e indefinível é a busca além do conhecido.
Porém não irei demonstrar mais...
Não há por que calibrar suas crenças, apertar com a mão e verificar se está cheio.

Será que alguém merecia essa minha custódia do tempo?
Será que eu mereço esse poder? Que foi auto-anulado.
Será que eu mereço encontrar facilmente o amor e suas armas?
Será que eu mereço te ensinar a beijar uma alma... para assim ser beijado pela primeira vez?

Corrupção... Sabe, não somos corruptos de verdade, somos sexualmente sádicos.
Realmente não precisaria... realmente não precisaria levar à escolas, política, fome.
Mas somos sim, sexualmente sádicos.

Eu não tenho mais convites, mais ingressos, mais shows.
Eu tenho uma nova casa, uma nova solidão, novos pensamentos.
Eu tenho um kit de química, decantarei minhas lágrimas e lixarei meus sorrisos.
Eu protegerei vocês sabe...
Apenas quando eu ficar em paz.

Eu irei correr com alguém na praia, e rangerei camas.
Tirarei o saco de lixo para fora observando suas dobras.
Apertarei botões numa planilha e terei códigos.
Alimentado de intelectualidade, talvez um dia verdinha.

Cada suspiro te faço escorrer para fora de mim.
Eu acocarei com uma pequena pá e futricarei na terra para plantar pequenas flores, lembrando sempre de você.
Cada movimento adentro imaginarei cavá-lo.

Eu queimo com a fadiga queimada pelo calor.
Por que quando a lâmpada fica marcada nos meus olhos, eu desvio o olhar para ela desmanchar e eu olhar de novo?
Repetida-repetidamente.

(Eu nunca fui o tipo que abandona a causa na hora de sair triunfante)

Semi-autismo, traga para mim a lua daquela noite.
Medo, traga para mim aqueles dedos.
Sabedoria, traga para mim aquelas paredes úmidas.
Onde está?
Onde está o sinal? Esse corredor borrado de semi-escuro?
Quem é o sinal? Essa tela pintada com pessoas-alvo?
Há nada nesse quarto além de uma ampulheta.

Quando o tempo irá acabar?......

Então sorria, sorria mais uma vez para mim.

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