Coletava pequenos cometas, e conchas de praias, coloridas. Os esmeris dos sonhos.
Um telefone público engatinhava pela areia, para alcançar as pernas do incrível chorador.
O castigo poeta da distonia doce, de uma personalidade quebrada unida em falsos valores.
Um magnetismo minúsculo, a ungir pedaços de histórias, micro-vertigens para neurônios confusos.
Os lobos caçavam o medo das lebres, presos no ciclo de um típico instinto natural.
A lua descia, e subia, 180 vezes. Os sons do peixes voadores, das gaivotas agressivas, acompanhantes de toda uma vida.
Ao esquecimento, ao adiante, ao mundo entorpecente; às sensações que escorrem, para longe, distante, coerentes e pré-sadias.
Os órgãos urbanos, a respiração do cimento e as artérias com óleo revivendo elevadores.
O bucólico sentido, rústico ao tecno, techno ao rústico, adeus neste denso.
Sendo absorvido, por um notório mundo, totalmente neutro e totalmente todo.
Parte do corpo, parte do espírito, cabos e redes, sons e batidas, dentes imundos, fluídos intensos.
Cada parte de si, incompleta pra sempre, catando e garimpando vários sentidos.
Pequeno ele vai, pra um caminho espelhado, e meu eterno amor, não foi apagado.
Batizo as eras, outrora outras vidas, sem drama, sem fome, entranhas corrompidas.
O gélido e pálido, no primitivo apagado, o mais amplo esquecido, no infantil do espaço.
Deus que entorna almas esquecidas, da singela solidão transforma o aprendizado de uma vida.
Eu vou para um caminho, sozinho; paciente e desconcertado. Aquilo tudo que vejo, xadrez.
Peças do jogo, jogo criado pelo medo do gay espantalho. E corvos em volta, caem na tentação.
Adeus meu amor, Adeus meu calor,
Sou peregrino, da verdade incompleta.
2 comentários:
Bom, como tu és direto e seco nos teus comentários, me dou o mesmo direito...
Primeiro: Não tem nada de fim, aliás, todo fim é um recomeço.
Segundo: Vocês vão voltar, sem sombra de dúvida, teu perfil e o perfil dele levam vocês a isto.
Terceiro: Amei esta parte - "Os lobos caçavam o medo das lebres", não sei se foi consciente, mas esta é a verdade, a motivação não está nas lebres, e sim no medo que elas produzem, são o alimento mais delicioso.
Abraço, e qualquer coisa estou aqui.
Tenho que concordar com o Baco... Menos na parte do lobo.. a idéia é boa, mas ainda não se aplica nesta situação... Ainda...
O que posso acrescentar...
A dissonancia e o atrito entre vocês que gera o efeito necessário e mantém esta união. Não adianta, nem que tentem... Enquanto e até um dos lados permitir que o outro esbarre e modifique é uma construção... A etapa atual é um alinhamento de necessidades, ofertas e procuras...
Você acha que acaba quando deixar de ser interessante ou construtivo... E, por mais que aparentemente um dia não seja mais, esta própria afirmação instiga saber o que há no amanhã... Quando não houver mais pensamento, sentimento ou atrito.. Quando nao passar de rotina... Ai sim a coisa acaba.
E quando acabar desse jeito, não haverá rancor nem magoa, apenas aceitação, e tu serás muito diferente de agora e do início.
Ou seja, cada dúvida, traição, sentimento de truque ou de jogo / joguete é uma forma de acrescentar elementos que tornam tudo mais interessante e tentador. O peso do tempo que vocês ja acumulam sobre as ofertas do mundo ao redor e o valor de cada um dos sentimentos objetos dentro de vocês SOMA e não subtrai...
Esta história Não acaba hoje, e mesmo que acabe em forma, ela permanece e permanecerá modificando seus pensamentos para sempre... Infelizmente o primeiro amor concretizado SEMPRE permanece dentro da gente... Tomem cuidado porque esse é o relacionamento mais puro dessa vida.
Até onde a minha pequena sabedoria e experiência vai.
Abraço e boa sorte...
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