terça-feira, 30 de agosto de 2011

Fragmentos

A brisa bate no meu rosto, enquanto balanço suavemente em uma rede à sombra de pinheiros em uma praia silenciosa, ainda não arrasada pela urbanização litoral. A mente ainda preservada da poluição metropolitana, poluição esta que confisca os estilos de vida gay, deixando a um só. No outro lado da rede vejo seu sono profundo, nossas pernas entrelaçadas e eu posso ouvir seu ronco leve e sua respiração voraz devorando o descanso. O sol bate levemente em algumas partes do seu rosto, e é tão sereno ver seus olhos fechados e seu conforto intenso, que eu posso dormir junto de você através do visual, nessa expiração de stress absoluto de qualquer tempestade que passamos, que passou, que fizemos, eu não queria que você acordasse nunca mais, para não tragar a realidade pesada que sei que te inunda no despertar e tenta expelir por lágrimas.
Por que chegamos a esse ponto? Seu amor tão belo, quente, infelizmente vaporoso, atritado pelas constantes chagas psíquicas que gritavam de seu interior sádico e da poligamia totalmente insatisfeita. O seu valor mal ensinado, buscando flertes intermináveis como nutrição de identidade, e olhos brilhantes alheios para a sede de um ego enfermecido. Apenas frágil e sem auto-estima, não me deixando ser o bastante, nem o suficiente. E muito menos haviam pensamentos, nesta linda hipocrisia humana, de amar ser preenchido pelo distrativo, vício dos não-redentores, e vício dos egoístas, ter uma vida industrializada como um fast-food. Sem identidade, esperando que os olhos, as babas, os toques, as palavras do mundo, o formem, o guiem. Tentei o guiar, para mim, meu amor, meus cuidados... eu tentei. E tentaria de novo. A ideia de perder seu rosto na multidão, rosto que me corta em qualquer lembrança... não deixe eu perder seu rosto na multidão. Enquanto sou ensurdecido por vozes repetitivas, carentes, outras ousadas, mas todas gritam.
**************************************************
Dentro do corpo dele, envolto após pelos braços dele, entregando meu corpo que queimava de necessidade, e entregando o símbolo animal que seres humanos tanto convidam com orgulho, instruídos a ser o maior particípio da vida criativa. Eu senti que meu espírito fechou seus olhos, se encolheu dentro do corpo mundano, guardou os sonhos, planos e desejos dentro do relicário, para que estes não ficassem sujos e corrompidos. A tola arte da preservação, sentimento solitário e aparentemente ingênuo, mas que prefiro do que entregar à carnicentos aquilo que cuidei por anos, atenciosamente, amorosamente, orgulhosamente. Meu espírito temporariamente embalssamado, assim anestesiado, nega o que possa vir a acontecer. Por que o mais quero, o meu, amado, realmente amado menino.
***************************************************
Seu coração chora com a minha presença, suas feridas tremem com a fúria da minha sabedoria, e seu corpo lentamente derrete com a convicção do meu olhar. Mas veja como seu coração sangra longe de mim, e suas feridas se sentem eternamente sozinhas e apáticas sem a fúria da minha sabedoria, e seu corpo se decompõe sem os meus olhares.
***************************************************
Fale com eles, beije eles, transe com eles. A fim de matar o meu pedaço que durante anos botei dentro de ti. O calor da minha porra quente jorrada com intensidade dentro do seu ânus pulsante, ambos com desejo fulminante, escaldou para dentro do outro litros de prazer, felicidade, alegria, voracidade. Por que você me tem dentro do seu interior, e sentirá seu "aiunha" chorar, morrer, à medida do desgaste com os outros. Estas situações que se apresentam mais fácil do que tocar o monstro serão menos verdadeiras. Eu sou o monstro, a fera que você alimentou, sacrifique-a. Antes que ela o devore por dentro.
***************************************************
Volte pra mim, e aprenda as ferramentas complicadas, que requisitam coragem e quebra de limites, barreiras..., para a verdadeira ascenção. Nenhum caminho é fácil, amor não é distração temporária ou extração de prazer, namoro não é um poço de doce ou de petróleo. Quando termina, quando acaba, o mundo, acostumado com a forma nômade, procura outro terreno/pessoa, nessa covardia, negligência e abandono.
****************************************************
Quão vil, foi ver seu corpo morto, foi enterrar o relacionamento, em um velório demorado, e 20 dias de choros e soluços, de asfixia pura. Quão vil foi tomar o veneno da vida, corroendo minhas artérias como um ácido, sob o mais horrendo erro, e a mais difícil decisão. Já programado como um robô da sobrevivência. Então........................, você bateu na minha porta, me ofereceu um lar, ("seu bobo, vou comprar a televisão para um dia nós termos as nossas coisas né", "vamos para a praia no final do ano? Ficar em um lugar calmo"). E veio com cintilância e precisão, para mais uma vez, me abandonar. Quão vil?
****************************************************
As tolices eram apenas tolices, bonitinho e engraçadinho eram as briguinhas, divertidas até quando não stressantes. Daquele índice lindo de que quando dormíamos juntos, eu lhe abraçava 100% das vezes, você tirava minha mão, nos revirávamos na cama em silêncio, algumas palavras aqui, outras ali, enquanto nossos pés conversavam entre si, estando de frente, estando de costas, nossos pés conversavam nosso amor. E sempre terminava com meu braço não-convidado envolvendo tua cintura, ou tuas palavras: "E aí? Não vai me abraçar?" e assim adormecíamos, abraçados mais uma vez. 100% das vezes, 100% das vezes.......
****************************************************
O orgulho vem, queima, quando me vejo, estou em shoppings, conhecendo pessoas. Estou na casa de estranhos bebendo a vontade deles, estou gargalhando com amigos. Estou achando conversas tolas interessantes, estou achando atos miúdos quentes, e condenando sua intolerância em cada um desses lugares. Mas o orgulho e a liberdade some, o espaço e tempo infinito se tornam um vazio, eu sinto falta do meu lar. Meu lar eram seus braços, e meu dia eram seu humor, meus sonhos eram suas capacidades, e meus oferecimentos seriam gratos na medida dos seus limites.
****************************************************
Lágrimas e lágrimas mais uma vez, eu só fortifico a racionalidade deste instinto de preservação de saber o que tenho que fazer. Dia após dia, cuidar de mim, academia, empregos, trabalhos, estudos, amigos, família, viagens, uma imensa jornada, honrada em cima de uma categórica e auto-orgulhada solidão. Eu conquistei, eu consegui, eu vivi.... eu provei aos inimigos invisíveis.

Cadê você?.....................................................................

****************************************************
O que é da verdade pura, verdade violenta, facilmente culpada. Não é morte lenta, é morte rápida. Espetada direta e fatal. Não é saudosista e lenta, como a mentira encalhada, estagnando vidas, e entorpecendo eras.
Dei soco, me destes traições. Dei gritos, me destes mentiras. Dei choros, me desde indiferença. Dei chamado, me deste distância.
A verdade é cruel, um menino favelado com fome que rouba, um homem desesperado sem emprego, e por sua família que desamparado pelos frios valores da sociedade, assalta. São presos e condenados.
A mentira uma dama disfarçada, um político corrupto que usa um belo terno, que transigindo nas pequenas fendas da sociedade, nas pequenas oportunidades, dançando nas falhas da comunicação, da visão, da imagem. Manipulam suas mentiras/verdades, adquirindo......
***************************************************
Apenas, não faça isso, não me abandone, não tire de mim ou de ti a grandeza e magnitude do que pode ser vivido. Nos dédalos, nos labirintos de nossas confusões, por que em cada palavra de amor frustrado existe uma fúria, e em cada atitude de amor frustrado existe uma violência. Era hora de liberar estes anseios perdidos, os verdadeiros sentimentos que culminam e se espremem, entalados em orgulhos, barreiras e identidades. Era hora de transmutar e acariciar os reais desejos, que esquecidos se tornaram sanguinários, e perdidos se tornaram ameaçadores. Não há força pra resgatar? É por que então não há conhecimento, reconhecimento, e nunca houve, de quem é o próximo, de como ele é.
Bichos selvagens versus bichos de estimação, ameaçadores por sobrevivência, carinhosos por atenção. Bichos maltratados, uma dor que se apresenta em uma fúria, que quem olha nota a tristeza infinita daquele animal em um estado temporariamente irreversível.
Apenas meninos encardidos, carentes, querendo abraços, sexos, amores. Situações calorosas, magia, romance e momentos ímpetuosos. Convide esta calmaria, alicerce e tenhamos um ateliê e façamos dele um bálsamo definitivo dessa época da nossa vida. Para que possamos ter vivido a ternura, o carinho, a busca, e margens de desejos profundos, para ser o maior presente para o outro.
O perdão e auto-perdão através da concretização de sonhos, planos, viagens. Ahhhhhhh, eu te quero tanto, e preciso tanto. Não me diga mais palavras rancorosas, não me diga mais palavras agressivas, me entregue enquanto estiver comigo o calor mágico dos anjos, a paz lendária do paraíso. Para depois, se tiver que partir, parta... Mas queremos mesmo morrer? Com a memória, disto que foi entregue. E do abandono nas melhores épocas de serem vividas?
Apenas não faça isso! Me buscou, veio à mim, me pediu, mal tentou. Reconheça a face de quem sou por trás da fera que propositalmente projetou em cima de mim. Com a notória lógica da continuidade dos seus atos hediondos, propositando encontrar a minha implacável fúria. Sem propositar através de cuidados, seguranças, confiança e carinho, encontrar seu melhor amor...
*****************************************************
Eu vi suas lágrimas, mais uma vez. Elas denotam esse amor ferido, e este medo imenso. Medo de trilhar o caminho e nunca mais encontrar. Mas que grande covardia, não tentar se aninhar no meu braço pelo menos três vezes, não tentar encostar nossos lábios pelo menos três vezes, não tentar olhar para nossa trajetória e revisitar os momentos que tivemos pelo menos três vezes. Para ver, notar, enxergar claramente, quem eu sou, purificado dos embates e conflitos procedentes, aquele sou.

Oras bolas!

Pelo menos três vezes. Não teve uma sequer............

****************************************************
Eu estou tão otimista, tão feliz, tão pronto para viver muitas coisas. Acabo me inundando pela responsabilidade de sua baixa frequência, dor, e negatividade. Pela busca contundente e impertinente por atrações vitais e pessoas que vivam espetáculos. Tudo que vejo são desistências e interesses.
Não perca o que lhe foi dado, o que lhe foi conquistado, o que foi conectado.
A vida dá poucos presentes, virar as costas para tamanho presente, com tal desgraça, traquinagem, é pedir um dilúvio eterno pro espírito. A persistência de enganar seu amor, um dia será cobrada.
Não sairá ileso escondendo-se da responsabilidade das escolhas e atitudes, e indo em busca das mundanices, ao mesmo tempo que me joga para um caminho pouco alternativo.

Te fui entregue para ser cuidado, e sei que tu sentiu isso...

Beijos, uma boa noite. E cuide-se, como eu cuidaria de ti, se tu tivesse permitido.
Pois cada traição, enganação ou falsidade, nada mais é do que um auto-sadismo. Pedir punição, pedir para ser punido, pedir por retaliação, pedir por atitude.