segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Escrito nos meus 17 anos, uma auto-biografia externa.

  Os olhos fixavam a imagem de uma criada vida. A obsessão contida naquela mente, de uma excepcionalidade universal, agora idealizada nos conceitos de RPG seria uma nova realidade. A personalidade fragmentada, preenchida de milhares de livros construtores de sua identidade doentia seguia sem escolha, em um caminho que desafiaria o divino, desafiaria o conhecido, extrapolaria todos os livros, e seria real, rindo das graças de Deus, centralizando penosamente uma vida aparentemente ingênua bem selecionada. Um atual livro insano, furtando a verdade dos dédalos das possibilidades universais.
  Uma sede insaciável, reta em mais um de seus projetos obrigatóriamente necessitados de um fim. Um jogo doentio entre o ego e a valorização máxima do reconhecimento de uma vida.

  "Os personagens estavam vivos, suas risadas eram reais; com o acompanhamento da solidão e um quarto semiclaro aquilo ganhava seu mundo; a vida toda refletida naquele momento, fuga do que sofrera nas mãos de seu pai, oprimindo-se sistematicamente na criação de um futuro mecanismo, distorcido na realidade "externa" de desafiar os complexos conhecidos, seria o novo Deus para seu pai."

  "O cotidiano era uma insatisfação mórbida, vazio sentimental nunca criado, a mente direcionada enjaulada a uma só passagem. As variáveis saltitavam em seu subconsciente psicótico; precisava-se fechas as cicatrizes de sua infância, precisava-se ser o melhor".
A criatividade invejada era impulso para criar o irreal, submundo obscuro, caótico.

  Devia seguir como um livro, começo, meio e fim. Tudo dava-se jeito."

   "Mutilado pela previsibilidade, pressionado por sua obsessão, impulsionado por sua inveja, próximo à manipulação de vidas, vigiando o comum submisso aos seus pés, não existia mais escolha, não existia caminho e jamais existiria outra direção... O projeto estava montado, desejável em autopersonagens em um lugar exclusivo, sua própria impenetrável e incontrariável mente, em uma projeção extremamente complexa, que regurgitaria a visão esculpindo-se pelos cálculos de todo seu poder."

  "Uma jornada unida, conjunto de liberdade expressiva, seguida de aliado ansioso por vingança... Uma mente necessitada de realismo, necessidada de por na prática, tributo àquele raiva que crescera, que dilacerou seu interior, fez-se cegamente se unir ao que ele desconhecia."

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  "Uma infância extraída do orgulho de seus pais, repressiva, com auto-único-conhecimento de uma vida necessitada desses valores, logo em pendência de perfeição, de superioridade."

  Naquela época o mundo era um rumo de aventuras, baseados nos reconhecimentos sociais, o instinto de amigos proporcionava um novo orgulho, e o desejo de uma segurança infinita. As festas; normalmente vistas pelas outras pessoas como fontes de prazeres e diversões, para ele era uma oportunidade única, uma oportunidade de extrair uma fonte de seu ego. A crença introjetada em seu interior originária de seu grupo o fazia esbanjar-se em sexo casual, sem nem saber sua localidade, sem nem saber sua verdadeira identidade. Fazia-se por pressão, fazia-se por vivência daqueles livros, daqueles personagens, daquele outro mundo, e das realidades imaginadas loucamente na mente alheia. Possibilitadas em mentiras, apresentadas dessa forma procurava-se impressiona-los, procurava-se completar o vazio que fora arrancado.

  As bebidas eram conveniências obrigatórias, uma imagem que tinha sido visto nas esquinas, agora era autotitulada. As drogas experimentáveis em uma fuga do enquadramento mental das outras pessoas, tentativas de quebras de estereótipos temidos. Seu pavor da expulsão, da invisibilidade, da rejeição o fazia compulsivamente atacar os outros, queimar a própria imagem da qual ele fugia, estereotipando-os, rotulando-os, minimizando-os.
O inconsciente trabalhava obsessivamente, vivendo naquela jaula, naquele limite crente de um mundo comparativo e valorizável desse modo.
  A verdade era o grupo, a verdade eram as festas para o grupo, a verdade era a valorização do grupo; não importasse as MENTIRAS, devia-se ter a verdade. Conceitos de pequena magnitude, humilhar em humor, expondo imagens e defeitos evitáveis sociais, fazendo o grupo rir, "malhar", acalmando assim o medo... desviando para o alheio o que temia um dia ser seu. Desejo de ser o centro, desejo de rebaixa-los, desejo de ascender frente a obsessividade que tinha criado, de que o universo era aquele grupo.

  Não sentia-se o sexo, não sentia-se o calor, não sentia-se a vida... somente a necessidade alucinante de viver o apagador daqueles dores, os personagens odiados daqueles livros, ultrapassar as mentes, ultrapassar o mundo....
Os sentidos, as formas de percepção psicológica, as entrelinhas mentais, a inteligência, a capacidade de estudo, de aprendizado; tudo era usado para alimentar seu ego, para avançar alto em suas crenças doentes, enfermecidas pela infância.

  "Em pouco tempo estaria em novos lugares, em novas visões, novas mentes base para a entrada de sua superioridade... Era uma competição infindável, nascida das entradas de uma escola interna masculina, onde se testava a capacidade, se testava o melhor... Em um orgulho frenético, que no último ano esperava a aprovação de sua própria doença, tristemente sem escolha, tristemente sem vida. Somente um vazio, aversão ao comum, aversão ao imperfeito, aversão ao incapaz."

  As mulheres marcadas como objetivos, usadas como ferramentas para exibição não tinham mais valor. Atualmente o sexo era algo explícito não mais exclusivo; os garotos tagarelavam sobre as meninas que haviam transado, então se devia ser diferente... Transando, guardava-as silenciosamente, mascarado de respeito, porém essas nem existiam, e seu silêncio era somente uma nova comparação para com os outros garotos do grupo (ganhando por esses estarem contando de suas mulheres).
  Às vezes acendia um cigarro, nunca fumava... Mas estava ali, como um dos personagens exposto, uma parte de sua fragmentação... Era conveniência dizia, pendurava na personalidade conceitos, meios argumentativos para sua localização universal... Então aquilo era aceito.
  Um ano calmo, pois Bruno, o "suposto" centro do grupo social, foi obsessivamente relevado por ele. E este obviamente rodeado de vários amigos foi enjaulado na prisão mental, de um ser que visava tê-lo. A realidade não permitia ser Bruno, então se devia mantê-lo abaixo de seus olhos vigilantes, inveja em forma de admiração. Acalmava as dores criando novas histórias, segurando-o por perto como amigo, acorrentado na tese de sua obsessão. (seu nome era "...")

  Marcos; amigo de Bruno, precoce, continha uma voz feminina, um corpo semi-andrógino, 14 anos, jogador excepcional de video-game, médium natural, infância espiritual, sensibilidade energética, instalada no inconsciente profundo... Vivia solitário, arrastando seres intrigados, que o tentavam distinguir. Ele era externo, fechado, vivia calado no grupo, nenhuma forma de valorização, nenhuma forma de reconhecimento, nenhuma busca por satisfação... Pouco valor.
Festas eram agonias, as mentes corriam em seu interior, os sentidos múltiplos sem nexo, desprovidos de tempo e espaço eram irreais, energias pesadas captadas por sua paranormalidade.

  Assassinato de personalidade, instalação primordial, símbolos mentais, reflexos de dores nas entidades-arquétipos. O mundo externo introjetando seus defeitos, quando esse não tinha um minuto de paz, rodeado pelos espíritos obcessores, pelas dores alheias, pela mistura de várias realidades... Interpretando energias em psicologia, em cálculos universais... Nem um momento de paz.
  Sua vida interna vista externamente era uma intriga, equivocadamente analisada pelas pessoas em referencial de seu interior, alguns diziam ser CDF, outros alguém isolado, vendo-o pela base social, ou pelas próprias bases, sem nem imaginar o que se passava em seu interior. Matinha a mística intelectual, logo transformada por "..." em um novo caminho e uma nova visão em correspondência de uma diferença mundo-paralela, um novo modo de ser diferente, de ser único, de ser exclusivo.

  As conversas já antigas, entre intrigas e dúvidas de sua homossexualidade tornou-se um padrão diferente... algo exótico, algo filtrado do comum. Nada restou a não ser ir atrás, as mulheres já não tinham mais satisfação, os grupos se tornaram abundantes, projetava então um novo personagem, alguém externo, que viveria uma irreverência (se baseada na sociedade heterossexual).

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  O corpo visto várias vezes no espelho, visto como terreno de índice sexual, abrangendo a porcentagem de várias mulheres, seria usado para atormentar, para alimentar um ser que nunca teve... Esse era o objetivo. Rotina buscada em valorização renovada., ia-se todo dia na casa de Marcos. Apagava-se o passado e criava-se novas mentiras. Como Marcos julgava seres primitivos, seres que usaram da casualidade da vida oportunidade banais; então esculpia-se uma nova personalidade, um novo modo de vida. "De sexo de 15 à 40 minutos para um personagem que daria atenção a Marcos durante horas..."

  "Já com 15, Marcos lembrava da cena no final da festa quando tinha 14 anos, Bruno fazia aniversário, ausente, seguindo uma das mulheres de sua vida, potencializando casos, exclusivou para ela este dia. "..." bebia, entregava seu mundo particular masculino a criar segurança em Marcos; seguindo-o, olhando-o, assegurando-o, estando disposto em sua auto-imagem sexual (aquela mesma vista no espelho). Usou um neologismo, "popiar" foi a palavra pronunciada -- Vou te popiar hoje!!!. Crendo-se que Marcos com apenas 14 anos não entenderia... No final, mandou Marcos esperar, ira embora junto com ele... Na divisa da esquina parou, aproximou-se, exaltou seu peito a frente, criou um clima pressionou a representação sexual, visualmente estava tentando adquirir aquele novo mundo, aquela nova forma...
Marcos, entendendo-se de todo caso, da representação interna, psicológica, possibilitada, pegou sua bicleta e foi pra casa."

Orkut

Elas vagam, num mural de ilusões,
suas almas estão frias, e elas precisam se aquecer.
Então deleitadas em devaneios, seus lábios soltam o aperto de sua garganta em
amores forjados,
Que não semeiam um crescimento, são pétalas cheirosas,
mas que secam ao chão.

Suas sementes de redenção espremem-se sob o sol escaldante;
com pontas de raízes feridas nas tentativas sobre o terreno de concreto.
Suas palavras de carinhos são faíscas que tentam acender a fogueira no frio.
E elas andam perdidas, vazias, caminhando sobre otimismos mastigados, que é um tapete de brasas para seus pés de gelo.

Elas cantam durante a noite, catando as esmolas emocionais; para comprar retalhos e costurar um cobertor.
Elas repetem um ciclo de pseudo-amor cada mês, contornando corpos diferentes com seus olhos, nas imagens pregadas num álbum invertido.
Religiões, provérbios, e sabedorias escorrem de sua boca e voam com asas invisíveis pintadas, como mais uma ferramenta preenchedora instantânea de suas angústias perdidas.

Mesmo que seus pulsos sejam cortados pelas mentiras, este sangue será usado para escorrer pelo pescoço, descendo pelas pernas para aquece-los.
E seu coração palpita lágrimas quando ao dizer-te-os amor sai sem vibrar as cordas vocais, porém os surdos escutam com a imaginação, vagando no inconcreto e abraçando-se com próprios braços.

Seus dedos teclam sem impressões digitais, escrevendo dezenas de símbolos que se transformam em chama para ficar um pouco mais aquecido.
Comprometimentos é como dar corda numa caixinha de música, pra bailarina dançar.
(Tão pequeninha seguindo um compasso ritmado que vai desaparecendo...)

Voltando aos retalhos conta-se quantos pontos foram feitos em sua pele.

Eles carregam toneladas de si mesmos para entregar nas entrelinhas de suas escritas,
Carregam nas costas toneladas de si mesmos, para plantar nas toneladas de si mesmo dos outros.

E se disso nascer algo é mais uma lenha pra fogueira, das sua paixãos enfermecidas,
Pois mesmo que a fogueira aumente, a água interminável de seus pés de gelo a apagarão mais rápido.

E mesmo que bebam aceleradamente esta água, ela está fria e seus órgãos pararão.

domingo, 11 de novembro de 2007

Néia


Meus abandonados lírios pretos.


  Eu ouço risadas no momento, estou compartilhando estes sorrisos, são rostos tão familares. Não! Na verdade eles são familiares, são minha estrada, o meu histórico de vida, laços conectados, sempre unidos, nada abandonados, sempre conservados.
Sim! São meus amores, e quando todos questionam eles apenas estão abraçados em mim como resposta, fluindo nas artérias invisíveis em baixo de minha pele, circulando quente e me sustentando, seguindo passo à passo cada dia, numa rotina, mas preenchida de renovado amor, que não cansa nem desgasta.

  Eu sinto cheiro de lírios brancos, os símbolos da pureza, que distanciaram uma juventude-minúscula para crescer sendo preparada e fixa. E eu sentada no meu quintal, na minha mente eles compartilham o silêncio dos lírios pretos, silêncio alto, silêncio que não cala, eu apenas o sinto, seus diálogos confusos, obscuros, linguagens indecifráveis, mas tão claras... são meus abandonados lírios pretos, tentando ser escutados. São minhas revoluções mais fugidias da vida, que foram abafadas. Natureza que me chama, mas meus lírios brancos não tem ouvidos.

  Para toda forma de dor há amor pra sobrepor, mesmo que seja verdade, mesmo que arda no ínsito, mesmo que não cicatrize, eu observo a dança das flores no meu quintal, e tudo passa.
  E pra toda forma de problema existe uma toca emocional, me recolhendo dentro destes valores num cálice de ouro, sem precisar ligar, pois as batalhas estão acumuladas em meus calos, que são degraus e até mesmo talvez uma escada rolante, ou melhor um elevador, que foi construído involuntariamente nos conceitos de luta.
  E pra todo vulcão existe uma caverna gelada, e pra todo exército existe famílias esperando.

  Meu quintal, minha família, são remunerações do meu sangue bebido no cálice de ouro, e todos são raízes que fixam meus pés, trazendo sorrisos ao exército batalhado, as risadas que ouço pra trilha já ser esquecida.

  Lírios pretos calados, suas vozes que queimam dentro de mim,são meu lado obscuro,
seus gritos que queimam dentro de mim, são minhas dores abafadas,
seus choros que queimam dentro de mim, são minhas dúvidas profundas apagadas.

Pois lírios pretos que queimam, que gritam, que choram;
Neste momento, vocês não são relevados,
Pois ouço risadas; lembro sorrisos, e a leveza do meu quintal...
Com lírios brancos dançando...

Calam o direito de sua existência em mim.
Calam........................

(E eu continuo, falando e calada).

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Cadê você?


 Se eu não estou enfrentando mais hoje,
é por que ainda sinto em meus cabelos,
as pontas do seus dedos,
carregadas de mentiras.

E eu estou adormecendo sob essas carícias,
eu estou confortável sob essa carícias carregadas de trajetórias,
eu ainda estou sonhando sob meu cabelo-tocado-mentiroso.

Se eu estou pronto para viver novamente,
é por que lembro do toque dos seus lábios,
é por que sinto minha boca lotada do inteiro,
o inteiro espremido na minha metade,
pois sua metade é um pêndulo que já caiu.

E eu estou beijando esses arrependimentos,
E eu estou tocando suave meus lábios sob esse espectro de sua boca,
e eu ainda estou respirando a morte do que não nasceu.

Se eu estou fechando meus olhos e selecionando novas paisagens,
é por que sinto o calor do seu corpo e cada tortura entre os milímetros de textura,
tortura por sua inexistência entre os vãos de sua pele,
tortura por em cada pêlo sentido eu não encontrei você.

E eu estou nadando nessas metáforas,
Eu estou procurando nestas sensações o seu rosto,
que habita desconhecido,
esquecido,
me fazendo lisonjeado,
por ser perseverante em buscar o que nunca existiu.

Mesmo tendo eu escutado "amor".