sexta-feira, 5 de junho de 2009

Dissonância "E"

“Não se preocupe, eles se encontram amanhã...”

Com Amaterasu sobre a mão direita, estrelas eram entregues a um lago frio; mas o reflexo da água as retornava ao céu; e o lago continuava imutável. Um ser mitológico tomava esta água e se alimentava de pedras; este cobiça e espreita a luz do sol que se movimenta horizontal num horizonte que nunca o revela.
E uma criança contorna com um pincel esse eterno crepúsculo, eterna aurora, de um quadro já pintado.

Esta luz é brilhante e atraente por trás de grandes montanhas e gigantes muralhas. A curiosidade e a cobiça atiça o paladar; e o vampiro sente sede, e o zumbi sente fome.
O grupo espiritual obceca-se pela glória do infinito e do poder inalcançável, para desafiar o desespero pela vitória e pela conquista, do que é de outro.
A pré-paranóia passo a passo aumenta, e treina cada inveja a ter cada detalhado escudo; para ele satisfazer-se sob qualquer possibilidade de derrota.
E nisto a falsa bondade anexada continua entregue como numa retórica de um mendigo emocional, que pede e ensaia-se, dentro da compaixão alheia.

Uma floresta negra é curta, porém densa, e nos parece infinita ao medo. Mas sabe-se que há árvores e mais árvores, e ele nasce com um machado em vez de uma lanterna.
Tudo que há nela são terrenos pacíficos, gravetos e milhões de folhas que balançam ao vento; quieta e calma, sozinha e solitária, angulada sob luz da lua e dança das nuvens; mas seu silêncio causa medo, e sua estática é apavorante. Sua existência é inexplicável, e seu escuro é ameaçador. Ninguém sabe o porquê e ninguém vive nelas.

Um ser ganhou um instrumento celestial, mas nunca o aprendeu a tocar. Entidades esperam pacientes pelas notas certas; e ele repete o som do mundo. Cordas foram entregues para novos sons, e ele toca fascinações de falsas sereias, para atrair marinheiros do universo e os matar.
Ele é uma velha e empostada cognição; que pratica a arte do labirinto da razão, e foge de uma realidade adulta para o almejo infantil; onde simples sorrisos o encantam, e ele culpa quem para eles se cegam e atrai o exército de quem para eles tem fome.

Lágrimas escorrem de sua face espelhada; para a imagem refletida chorar com ele.
Seu corpo modelável adapta-se para pequenas vitórias de patéticas situações. E quando derrota-se ele foge, para uma terra de força e ilusão, do inferno entregue o conforto, para uma falsa “Redenção”.

Inquisita-se a hipocrisia de um suposto anjo de Deus; alvejo de corpos e atroz emocional. Que panteia a felicidade para se jogar nos chacais noturnos. E fracassa em aniquilar a simplória saciedade do que é fértil.
As marcas das tristes arranhadas no muro da inveja; e os furos de sabotes. Dentes de vampiros sobre concretos, e o sol horizontal que nunca aparece... para matá-lo.

Nas costas uma mochila de prazeres, de pequenas jornadas de cidade em cidade, e furtos de sobrevivência. Na mochila, muitas ferramentas, e um pára-quedas.

Para homem que nunca foi menino, e sim um presidiário em fuga, de sua história.
Para o homem que nunca conheceu o amor, e nele projetou o tormento e o pódio.
Para o homem que não sabe receber um abraço, por que o peso de outros corpos estão em qualquer braços.
Para o homem que não conhece a liberdade, por que tenta a criar em cada linha e em cada caso, como uma trincheira da guerra.
Para o homem que se esconde no mundo, e se ornamenta de festas, e se enfeita de suores.
Para o homem que se auto-engana, e procura as muletas alheias para abandonar com vitória.
Para o homem doente, invejoso, e protegido de uma imensa e linda fortaleza; que atrai com boas intenções.

  “Esperei-o derrotar-se sozinho.”

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