domingo, 21 de setembro de 2008

Bandeira

  Sabe, eu estive muito tempo perdido nessas tentativas de simulações da minha adolescência perdida potencial.
  Neste meio tempo, assisti muitos pisarem no que emana da fragilidade jovial; e todos estão tão acostumados com isto que eu contei e guardei minhas lágrimas uma por uma para estudar no laboratório.
  Eu estive segurando uma bandeira com o símbolo de todos os medos; um pano um pouco sujo, envelhecido por seus valores antiquados, e com furos rasgados agressivamente pela modernização implacável e cruel.

  Eu arranquei meus olhos, lustrei neste tecido, para tirar o borrão da imagem.
  Eu guardei cada um de seus sorrisos sádicos num potinho, para entregar para Deus.
Sim vosso senhor, estamos presos nessas táticas; e nenhum deles chora, a invenção de suas lágrimas foram tapeadas.
  Minha bandeira é indefinível, sempre soa para marcar independência, mas esta marca dependência. É uma mistura volátil de um adolescente, de um insano, de um adulto. Não sei realmente o que sou. Mas definitivamente sou um gênio do sofrimento.
Todos querem um pedaço alvo daquilo que lhe parece obsessão; e carregar bandeiras repetidas de admirações públicas, olhos brilhantes do telespectador-coletivo.

 Eu tenho baixado minha cabeça; tenho apertado o estômago, cultivado uma esperança mórbida e vivido dentro de uma sensação de auto-admiração e curiosidade. Eu não consigo mais me alimentar de especiarias, de expansões, de aventura. Criatividades são venenos temporários, que quando cessam voltamos para um mundo cinza.

  Eu ainda carrego esta bandeira, andei 21 anos e 6 meses e não encontrei nenhum terreno. Odiei o sabor dos poetas, e a paixão orgulhosa dos literários transbordados em sua criatividade eufórica. Eles sentiram queimar em seu estômago prazeres de novas estradas mentais.
Eu estou com essa bandeira pesada, com este potinho para vosso Senhor.
  Estou progredindo com medo, e não retive luz nem escuridão.
Por favor, alguém desta estrada, vendo um ser com pés cheio de calos, sujo como mendigo e uma bandeira fracassada.

  Essa é a verdadeira bandeira de onde vivemos.

Dentro de mim.