Bom, hoje estou abrindo uma exceção dos meus textos impessoais e simbólicos, e também não é um texto diretamente emocional, por que ele reflete muitas ramificações da vida humana. Divirta-se:
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Meses se passaram, e mais meses, sem escrita, sem inspiração, apenas este vazio de idéias. O tempo passou para mim assim como passou para várias pessoas, a maioria delas seguiu este rumo encubado das direções do mundo, que durante eras, pouco a pouco e auto-construtivo demonstrou essa inerente forma de uma vitalidade capitalista-aquisitiva-funcional. Somos estes números jogados na imensa fórmula de mundo. Modelados por variáveis x de empregos, variáveis y de estudos multiplicado por variáveis b de lazeres e dividido pelas variáveis h de deveres. E tudo isso sobre a raiz cúbica da determinação.
O resultado para quem mais rápido alcançar será o “realizado”.
Artistas, músicos, atores, lutadores, e escritores, todos superestimados são injetados mensalmente em doses cada vez mais elevadas de geração em geração, e o status se torna um simbiose magnífica com ego.
Me enoja quando me chamam de escritor..., por favor, retire-se e vá ler Harry Potter. Eu sou um tradutor. A escrita nada mais é do que a tradução de uma linguagem que nem todos podem falar, invisível, quase indecifrável, a dificuldade imensa desse vernáculo será vista por poucos. Escritores comerciais repetem com suas racionalidades linhas, idéias, criatividade. Eu sou um tradutor.
O mundo andou me sobrecarregando, ele tem conversado comigo, diversas vozes, alturas diferentes, gritos, sussurros, suspiros, gemidos. 24 horas para um intérprete e um poliglota exausto.
Mais uma vez, eu sou um tradutor e não um escritor (vá ler crepúsculo).
As vozes já não estão claras pra mim, o som do universo está fraco, e a passionalidade está cinza, pois as pessoas são produtos capitalistas, e conversar com suas mentes causa ânsia. Números acorrentados pelos primórdios básicos à lá Resident Evil, e metaforizadas por zumbis que exercem sua fome por carne fresca, sedenta e insaciável, no seu mais diminuto instinto primário, só que as pessoas são um pouquinho mais comunicativas, um pouquinho mais.
O ser humano é hipócrita e completamente perdoado por isso considerando o tamanho de sua cegueira quanto à capacidade de análise de pontos de equilíbrio do qual os milhões de referenciais existenciais podem nos trazer. E qualquer tradutor que escute o mundo falando sua língua poderia passar anos escrevendo bilhões de pontos da injustiça de cada detalhe da respiração alheia.
E eu costumava a admirar o ser humano, sua amplitude, e sua forma “infinita” em ser uma variável flexível e modelável sem limites. E fui tolo, pois hoje é claro sua natureza ínfima, patética, e mesquinha. Dentro de imagens de emoções, e de estereótipos recursivos. E evolução foi a maior piada da humanidade.
A internet demonstra hoje em dia como a massificação é capaz de expor a mesquinhez humana, trágica e endócrina. Onde adolescentes adquirem o espaço finalmente para os espalhafatos de sua comunicação juvenil, e que é constantemente impressionável com tudo. E revoluções patéticas como uma professora falando seu salário ao senado são elevadas a alturas. Quando na nossa história já tivemos jovens que morreram revolucionando guerras sangrentas (Né senhorita Joana D’arc). E a mídia consegue alienar a geração auto-alienável-recursivamente. Pois a imensidão dessa porcalhada coletiva dos nossos “adolescentes” é tão comerciável que novas verdades são trazidas à tonas para essa sociedade.
Se o ser humano não está vivendo de mortes, de guerra, de desrespeito a mulheres, de religiões assassinas, então está vivendo de ursinhos, de colorido, de bebidas, de felicidade e de baladas (Já falei o quanto amo o ser humano?). Se o ser humano não está vivendo de arte, de Pietà, está vivendo de marca de carros.
A Santa e mínima hipocrisia, em sua micro virtude pode ser demonstrada no conceito de amor. Rodeados por 98% de lirismo musical, de séries com o invariável casal romântico, e o filme com as lendas de paixões eternas..., não fazem nada por amor.
Dia a dia, todo santo dia levantam cedo para fazerem repetições irracionais que automatizaram durante toda sua vida, para conseguir dinheiro, levantam, pegam transporte, gastam horas, viajam KM, se esforçam, anseiam cargos, promoções. E em seus namoros, casamentos, preferem investir brigas, cobranças, exigências, e delimitações; o que comprova a nascente arquetipal do egoísmo.
Se esforçam drasticamente em cotidianos repetitivos infinitos, que se for até o final de sua vida estão bem servidos. E em seus lendários “amores” vivem o asco de suas comodidades, e o legítimo escárnio de suas preguiças. Terminando em conflitos e colisões, que definem o fim de um relacionamento e o fim do “amor?”.
Seres que trabalham ao vazio e não levantam o dedo à pessoa “amada”. É o exemplo perfeito do ser humano hipócrita perdoado por sua cegueira. Do humano falso perdoado pela fraqueza e covardia de ser algo além da lavagem cerebral.
Humanos sobrescritos por humanos, e eras sobrescrita por eras.
Não há evolução ou realmente um aprendizado real.
Nem o espiritismo explicaria a falta de filosofia vaga nas tristes gerações que precedem e procedem.
Os maiores focos de inteligência são as distrações de filmes, distrações de seriados, distrações de animes. Todos redundantes em suas essências, e tudo capitalizado.
Não há amor sem um imenso desenvolvimento psicológico.
Não existe sacrifício e esforço se as direções dele são unilaterais e monologas.
O ser humano é pra mim o menos interessante de todos os animais.
Essa solidão insolúvel, que mata lentamente, no veneno mental e psicológico.
E àqueles poucos e poucas que conheci que demonstraram algo a mais, sinto muito também por sua tortura existencial.
Somos os únicos portadores da vida, e portadores do mundo. E portadores de alma.
E aos dignificados por sua “vida” mundana. Sintam-se livres, o mundo é de vocês. E os otimismos impregnados em suas mentes retóricas, tão assertivos que asseguram nessa relevante positividade, que aquilo que vocês vivem, e o que sentem, é o sentido de ser.