sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Faces fáceis fazeis.

Ser humano simbiótico do café, e sentir-me atraído por pessoas feias por compensações extras bastante óbvias.
 Seres como animais porém treinados, lambujam-se em heterônimos extasiantes, todos estão com medo.
Nós, os espertos, manipulamos a imagem e a vida, fingindo-se jubilosos por trás de uma inveja de quem flui natural.
Camaleões que copiam a natureza. Nunca seremos, mas podemos nos disfarçar (eles não podem). 
A dor verte de artérias espirituais, onde escorre o carma por lágrimas cansadas, e uma trajetória que nos conta que é isso que temos que aguentar.
Não há saída, e dentro desta prisão temos que gestar uma liberdade.
Expandindo vem de dentro, com um pavor apertado no pescoço, apontado pela ameaça arma vida, e os corajosos recorrem ao sacrifício; outros escolhem a lua e outros apenas escolhem o sol.
**

Eu estou adornado, no sofá-relicário, das nossas memórias mais esquecidas.
Extraditado para um país distante, comprado pela luxúria. E como seu rosto derrete, nos meus dedos compridos; e gelam, o calor que me resta.
Eu abandonei uma vida por uma busca obssessiva, me jogo em drogas, bebidas e cigarros; e onde estou eu? Nada! Longe dos seus braços.
Meus olhos estão furados, para que eu não veja sua face novamente, e permaneça na lembrança, com a distância isenta da vergonha.
Deitada no berço a nova vida, fui, vou, irei. A caminho do mar, ao mar do esquecimento.
Das virtudes apagadas, dos sóis que borram os olhos, serenos na lápide do peito, lindo mármore de Adeus.
Adeus microogueras-macroguerras. Alcance seus sonhos mais profundos. Derrotando a nobre era, dos sonhadores mais fecundos.
***

Canto noturno, ouvido por um surdo.
As folhas perdem árvores.
Adereços perdem eles.
A idade vem chegando, selecionando vigores à rigores.
Eles engatinham erudição, outros festejam morte.
Sombrio e borrado várias estrelas, apagadas num horizonte falho de um ângulo irrevelado.
Extratores convencem almas aos braços dos mensageiros do outro mundo.
A lua prateada envermelhece, nas mágoas de uma amaldiçoada criada.
E aqueles que carecem buscam, o alimento que lhes favorece.
A partida de Deus é antiga, para nosso submundo, traga para eles o Demônio de um hedonista lapidado.
As entranhas ficam apáticas, contornando o prazer dos sádicos que a paralisou.
Me busque dessa época, esquivando o apocalypse. Pois não há sequer perdão, de um humano desnecessário.
****

Mãe, eu já vi, as lojas engolem pessoas.
Os bancos guardam seu sonhos.
O mar lampeja suas utopias.

Pai, eu já sei. Os índios não sabem ciência.
Os cientistas diminuem o universo.
As flores liberam os mortos.

Irmã, tu já me disse. Serpentes invadem as salas.
Carangueijo só anda de lado.
Anestesias aumentam a idade.

Irmã, conte mais uma vez.
Conjuntos são deslumbrantes.
Ombros não tem amigos.
"Caiu a ficha! Reveja o lembrete!"

Suba de novo, no degrau desmatado.
Destroce amores, afogue seus gados; feche os olhos e ore, por ser um renegado.
*****

Ganhei um presente, todo adulado, todo cheiroso, todo bonito; e todo charmoso, e todo novinho.
O papel resplandece, a corda fofinha, no colo quentinho, levinho, levinho.
É presente e "presente", e também "presente".
Realça e esbanja, brilha e acode, cura e sacia, ajuda e conforta.
É limpinho e clarinho, ajustado e querido. Vendi para o mundo, meu doce menino.

O "amigo "secreto?""
Raciona o âmbito! 
Divino! O TEMPO! Quando meu era profundo.

Um comentário:

EduardoCorrea disse...

Hmm... Muito.. Muito bom...

Poderia ficar sem a introdução talvez... Quase sempre tu é muito prolixo... Gosto de idéias diretas em poucas palavras...

Mas gostei muito... foge do teu padrão e gosto de te ver inovando.