Ele acordou direcionado por fluídos cósmicos, para uma trilha atormentada por uma previsibilidade trágica.
A frequência era vermelha, o guia era dourado, e ele volitava através dessa intuição alertante e ardente.
Seus olhos não largavam o final do caminho, como uma bússola atraída.
Ele respirava o odor do suor numa pré-cognição atrevida e ousada.
Abriu a porta de saída, caminhou 60 jardas. Seguindo a trilha desvendada pela aurora.
Adentrou uma enorme casa, com grandes janelas de vidro.
Escutou os gemidos, do falso prazer, vida perdida em impulsos instintivos.
Sonhos e alma estragados em pequenos sons batentes.
Perspectivas e expectativas consumidas por um simples cheiro.
Apesar de acordado na bolha previsível ele precisava ver. Enxergar o símbolo.
Subiu uma escada, com uma coragem de invejar os Deuses, comprovando em passos extremamente constantes, sem pressa, sem hesito.
Viu o corpo de seu namorado, aglomerado, num sexo fajuto.
A posição antiquada, as vozes sem criatividade; a mente sem exercício, cravando em um corpo parado.
A imensa parede de vidro, com uma vista deslumbrante, uma praia infinita, avermelhada pela calda do horizonte.
Um lugar para os "nobres", pertencente somente aos muito ricos. O outro não sabia de nada.
Aproximou-se lentamente; onde ao perceber-alheio os dois se desgrudaram.
Pararam intactos; e ele sentou-se na cama.
Atentamente ambos esperaram, por alguma resposta daquela fixa-tranquila-criatura.
Perguntei quanto tempo; o outro respondeu, contando nos dedos; vinte minutos.
Seu namorado silencioso, para sempre calado, qual seria seu eterno tormento?
Pra sempre esquecido, largado para sempre, na última lembrança de uma mística profunda.
O amado e o toda vida, o investido durante anos, o compartilhador; se tornou uma estátua.
Parado na mente, uma obra-prima para sempre, sua última imagem.
Seus olhos frios e travados, seu conhecido choro escorrendo para sempre no meu corpo.
Um quadro do maior renomado artista, imaculado. Dentro de sua essência enigmática e triste.
Ele então correu, correu tão rápido que seus ossos eram pesados e ficaram.
Correu tão rápido que sua pele não acompanhava. E correu mais rápido, passou a lua, passou o sol.
E de repente as luzes viravam linhas, e essas línhas ainda o ligavam.
Então ele acelerou, e as luzes já não o seguiam.
Então correu mais, e até os Deuses começaram a perder seus passos.
E sobrava seu sorriso trágico, seu sorriso dessa ironia.
As galáxias atravessavam sua mente e como um filtro descarregava nelas sua ira.
E deixou sua marca por centenas. Para que os Deuses lembrassem, quando procurassem com seus cães-de-guarda.
Que ninguém descobriria seu paradeiro...
2 comentários:
Hmm... Gostei imensamente deste texto... Me fez sentir o gostinho que senti quando me separei, a raiva instantânea e o distanciamento / indiferença do após... Terrível e prazeroso ao mesmo tempo...
Enfim, ótimo....
Não tem o que opinar ou concordar / discordar, apenas presenciar... As coisas acontecem sempre por um motivo.
Oi Marcos bom passar por aqui depois de tanto tempo...
"Escutou os gemidos, do falso prazer"
Adoro sua arte peculiar de ver as coisas...
Beijão
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