sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Cadê você?


 Se eu não estou enfrentando mais hoje,
é por que ainda sinto em meus cabelos,
as pontas do seus dedos,
carregadas de mentiras.

E eu estou adormecendo sob essas carícias,
eu estou confortável sob essa carícias carregadas de trajetórias,
eu ainda estou sonhando sob meu cabelo-tocado-mentiroso.

Se eu estou pronto para viver novamente,
é por que lembro do toque dos seus lábios,
é por que sinto minha boca lotada do inteiro,
o inteiro espremido na minha metade,
pois sua metade é um pêndulo que já caiu.

E eu estou beijando esses arrependimentos,
E eu estou tocando suave meus lábios sob esse espectro de sua boca,
e eu ainda estou respirando a morte do que não nasceu.

Se eu estou fechando meus olhos e selecionando novas paisagens,
é por que sinto o calor do seu corpo e cada tortura entre os milímetros de textura,
tortura por sua inexistência entre os vãos de sua pele,
tortura por em cada pêlo sentido eu não encontrei você.

E eu estou nadando nessas metáforas,
Eu estou procurando nestas sensações o seu rosto,
que habita desconhecido,
esquecido,
me fazendo lisonjeado,
por ser perseverante em buscar o que nunca existiu.

Mesmo tendo eu escutado "amor".

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