segunda-feira, 21 de julho de 2008

Sobras

Quando encontro no meu travesseiro,
Um templo do nosso passado,
Com todas aquelas fadas e demônios,
Brilhamos e escurecemos.

A “luz” daquele beijo nos meus lábios (ante meus olhos),
É o “escuro” do mesmo beijo nos lábios alheio (ante meus olhos).

Se vivesse tudo aquilo só como mentiras, ou
Se vivesse tudo aquilo só como verdades, 
Ou mistura delas...
(De qualquer forma...)
Encontraria apenas pedaços de nós dois.
(De qualquer forma...)

Para toda aquela traição que entope minhas artérias,
 eu forjo um tratamento,
Para todo esse amor que entope as suas artérias,
 você forja meus ouvidos.
Mesmo entrando cada vez mais nas lembranças, e rasgando-as como folhas,
 jogando-as ao alto (elas voam em torno de mim, caindo lentamente; vejo apenas letras sem sentido.)
E mesmo apertando memórias contra o peito, elas não entram mais.

Se a mesma versão de nós dois não tivesse traído, ou
Se a mesma versão de nós dois tivesse amado igualmente,
(De qualquer forma)
Encontraria apenas cicatrizes de nós dois.
(De qualquer forma)

Se pegarmos uma lupa e ler as linhas pequenas do nosso contrato, leremos destruição.
Se pegarmos um coador e coar todas as mentiras, nada sobrará.
Se pegarmos nossas roupas e torcermos, escorrerá lágrimas.

Então a liberdade nos espera, e a prisão nos espera. Aleatórias nos segundos.

Cada suspiro, cada sufoco, cada sorriso, cada risada...
É o que sobrou e o que faltou de nós dois.

Um comentário:

Anônimo disse...

oi mac! vou copiar este aqui. Obrigado pela vista em meu blog. volte sempre.