sábado, 7 de junho de 2025

Catastrólogo

Na mesma distância residem as estrelas, assim como meus sentimentos.
As estrelas pulsam seus brilhos, enquanto meus sentimentos pulsam paixões.
Às primeiras te entregas com veemência, ó astrólogo; aos meus, opões defesas e reservas.
Iníqua disputa, onde o fulgor dos meus afetos jamais logra te alcançar.
Não há competição com o abstrato inalcançável e a luminância de seus simbolismos e idealizações.

Na mesma distância residem as estrelas, assim como minhas palavras.
As estrelas entrelaçam linhas de constelações; as minhas clamam as linhas que interligam seu coração.
A esses signos rendes tua admiração, ó astrólogo; às minhas, frieza e desdém.
Iníqua disputa, em que o clamor dos meus sonhos fracassa em te resgatar.
Não há competição com o impalpável vazio do espaço, onde não há limites para projeções.

Assim como, por toda a vida, creste, observaste, admiraste e te entregaste às estrelas — quando puderes ou quiseres, olhares igual para mim.
Pois eu também pulso à distância, também brilho significados, também tracejo as linhas dos meus sonhos em busca de construir nossas constelações.

Se permitires o espargir dos meus amores sobre teu todo, abrasará o espírito — infinito e contínuo — para ser,
somente ser, não mais um navegante solitário que volita perdido nas treliças da realidade,
mas inteiro na cerimônia do conjunto de ser: tua estrela irmã.

Mesmo longínquo, aqui solitário e silencioso; jogado e lançado perdido, no véu do universo.
Olvidado como uma estrela, estou aqui intermitantemente a pulsar, a brilhar,
Do outro lado,
No distante,
No inalcançável,
esperando,
o perceber e o notar,
do meu astrólogo voraz,
a me ressignificar.

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