Jennifer era professora de matemática do ensino fundamental; em seus 60 anos, cabelos chanel grisalhos, óculos pretos, grandes e marcantes. Excessivamente simpática, era sempre vista sorrindo pelos corredores e salas da escola, magrinha e com uma aparência totalmente frágil, parecia que se tocada iria quebrar. Jubilante, ela era a representação angelical e matriarcal das idosas mais alegres e bondosas das nossas vidas...
Na sala de aula, ela fazia questões aos alunos e muitas vezes demorava para raciocinar os próprios cálculos e respostas requisitadas..., mas os alunos não condenavam esse atraso, todos tinham suas almas limpas no brilho do sorriso dela, enquanto ela levantava seus óculos para ver os botões da calculadora e simpaticamente pedia para os alunos esperarem.
Mas ela tinha um segredo, que residia em silêncio eterno com ela. Na verdade ela era a melhor matemática já existente na humanidade, e enquanto um dia no Discovery channel passava um documentário sobre as fórmulas e desafios matemáticos nunca desvendados, ela fazia o bolo de laranja e sorria enquanto passavam pedaços das fórmulas, e sua mente as completava, e atingia as respostas quase que instantaneamente. Ela era mais rápida que a mais rápida das calculadoras, e tinha a capacidade de desvendar qualquer problema matemático existente, qualquer..., mas ela estava preocupada em terminar o bolo de laranja.
Jennifer tinha um dos maiores dons da humanidade, e ela era feliz ensinando alunos pré-adolescentes.
Eu fazia tudo por ela, levava café na cama, ela sorria levemente enquanto se espreguiçava recebendo a bandeja com suas torradas preferidas. Nós cruzávamos o olhar em silêncio, o clima do dia entrava pela janela que eu tinha acabado de abrir, os raios do sol deixavam pequenas retículas de poeiras dançando entre eles. Ela era tão linda, eu podia observar o contorno suave de seus lábios e tocar os contornos maravilhosos femininos que vem desde suas axilas, para costelas e dobras de baixo dos seios, cada pedaço do seu corpo, leve, suave, macio. Ela adorava ser acariciada, e eu flutuava tocando-a.
A gente saía com frequência, ia no cinema, alguns fins de semana ia para a praia, e no inverno eu até deixava toalha aquecida para ela sair do banho, ela adorava. Eu ouvia todas suas conversas, enfim, eu fazia tudo por ela, absolutamente tudo por ela. E ela parecia ser preenchida e completa por tudo.
Sempre tínhamos visitas, ela tinha amigas, e encontrávamos meus pais, e seus pais, íamos a todo tipo de evento.
Não haviam brigas na família, e o passado dela não tinha nada de sombrio ou traumatizante.
Eu nunca entendia as lágrimas que escorriam de seus olhos algumas noites... ela sempre falava que estava tudo bem, e realmente deveria estar, ela tinha uma vida de rainha e de princesa...
Ela apenas chorava algumas vezes, e era só isso... ela não reclamava, ela parecia no dia à dia tão leve quanto um anjo... Eu a amava, e eu sentia que tinha uma vida que invejava filmes românticos...
Eu nunca vou entender seu suicídio,
se eu tivesse apenas uma resposta, uma pista...
mas é uma daquelas coisas que nunca serão entendidas.
E se um dia fosse entendida..., ela já se foi, perdida no tempo, como uma resposta esquecida, de que nem toda vida é viva... e ninguém imagina o que ela procurava, além de felicidade...
Só sei que a dor que sinto agora, imensurável só me dói mais...
Por que a dela foi mais...
Angela sofreu muito mais do que isso...
É como se eu estivesse sufocado pelo vício de seu corpo, me deixa insano, tão insano que eu não quero viver nada além disso, minha mente entra em transe e tudo que eu enxergo é seu pau perfeito, eu idolatro o calor que emana dele; ele é grosso, cheio de detalhes, vermelho e quente, e completamente lindo, completamente grande e robusto, uma armadilha da natureza que não só penetra meu ânus como penetra minha mente. E quando eu o boto na minha boca é como se eu tivesse envolvendo e abraçando até mesmo a sensação de êxtase que invade o topo dos meus olhos, e o centro de minhas pálpebras.
Por quê? Por que sua personalidade é tão enigmática? Você não fala, suas palavras são curtas, firmes, não são conversas, são como imposições bem encaixadas, que o deixa como meu macho e mais viril, e eu me sinto como um objeto, e isso me excita e me adverte. O seu silêncio é como a moldura que envolve sua genital rara e cobiçada, e o mistura e potencializa como um acabamento de um quadro raríssimo de Picasso.
Não sei ao certo como vim para no meio de vocês dois, mas eu e o Roger nos olhamos em linha sobre o seu peito e só nós nos entendemos, como somos drogados por você..., e como silenciosamente sabemos que o disputamos com ódio, mas o compartilhamos com compaixão pelo outro. Não iniciamos brigas por medo de lhe incomodar...
Ahhh, esse seu silêncio quando está deitado nu olhando para o teto..., o brilho dos seus olhos se mistura com o contorno de seu queixo forte e os poros com a barba escura e curtinha saindo. Você está totalemnte distante, como uma estátua de testosterona que sabe que está sendo cultuado, e só com o seu cheiro e o pau pulsando e aumentando a cada latejar chama eu e o Roger a cair de boca em você. Odeio me sentir a sua presa, eu deixaria você cortar meu corpo quando sou invadido por esse êxtase..., assim saberia que meu corpo seria todo seu.
Eu tenho carinho pelo Roger e ele por mim, e respeitamos um ao outro como somos peregrinos do prazer que temos com você. Somos irmãos desse laço que troca e compartilha seu corpo, mas além do seu corpo seu ser, que não tem explicação, poros e pelos, e cheiro, e virilidade, e silêncio. Enerva fatal...
Sim, eu saí correndo e fui embora para nunca mais voltar..., meses depois Roger me contou que quando ele correu atrás Douglas segurou o braço dele e disse: "Não, ele fez uma escolha..."... e nunca mais foi falado de mim.
Não adiantava ficar ali, eu amava ele..., ele nunca saberia o que era amor, ele era tesão demais, e com isso dominava demais os seres que o almejavam, e soberano, sem fraquezas, sem vulnerabilidade, sob silêncio, sem nunca contar uma história, uma faceta de sua vida..., era um Deus sexual.
Eu saí sendo cortado por dentro pelo amor ao vício, por que não sei se eu o amava, mas eu estava ficando louco..., e eu só queria ser lembrado como alguém que não ficou em sua rede... E queria ser a manchinha em seu ego gigante e satisfeito... Eu nunca mais fui feliz..., mas tenho esse enorme orgulho, e me é o suficiente... eu saí!
Jennifer estava saindo da escola... e então parou atônita, do outro lado do corredor, perto da saída, viu Douglas... Os dois estavam parados, se olharam por um tempo, ela foi andando até ele e ele até ela... Ao se reencontrarem não houve abraços... e os dois começaram a caminhar lado a lado.
Jennifer então perguntou:
- Já fazem muitos anos...
Ele respondeu:
- Mas eu voltei, como diria que voltaria.
Ela então disse:
- Eu entendi seu desaparecimento, mas os pais da Angela não. Você encontrou o que estava procurando?
Então Douglas falou calmamente:
- Eu estava procurando por amor, e eu encontrei, mas esse amor foi embora também, só que de outra forma. Saiu correndo, abriu a porta de casa e desapareceu.
Jennifer então finaliza:
- Então você está encontrou o que queria, isso é bom meu filho.
Douglas pergunta:
- Já faz quanto tempo?
Então foi quando Jennifer, maravilhada, percebeu que pela primeira vez em sua vida..., não conseguiu contar os dias...



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