As suas mentiras acumuladas, que queimavam em minhas artérias, ferventes como óleo quente, agora explodiram para fora, e eu posso nadar e mergulhar nelas sem fim.
Só me pergunto, por quê? Chamar pelo meu monstro que ansiava pela execução da justiça, atormentar cada sentimento, cada sonho, para que o monstro parasse finalmente de espreitar, e atacasse.
Eu peguei meu punho e taquei nos últimos espelhos de lembranças bonitas que me sustentavam, nos últimos espelhos de sonhos e desejos, e esperanças de reconquista, e eu continuei batendo e quebrando, ao mesmo tempo que os estilhaços furavam meus olhos.
O meu amor enforcado por uma corda injusta e vaga, e meu orgulho meses e meses me pressionando a trazer a relevância da minha importância e caráter, eu apenas não pude aceitar mais uma vez.
Para os cantos de sua vida que eu olhava, eu só via escuridão, maldade, hedonismo, assim minhas defesas são justificáveis, defesas na expressão de agressividade. E nunca entenderão por que não saberão, o porquê se autodestruiu através de mim, quem mais pôde o amar, e quem mais foi dilacerado para que meu amor próprio me disputasse e convidava o fim trágico, como provação.
A dor de aniquilar um afetuoso bebê dragão, e o prazer de me salvar da morte iminente e óbvia. O que era necessário para a sobrevivência, sinônimo do fim.
Eu tive que provar do sangue para provar o quanto eu queria viver.
Eu tive que provar das suas lágrimas e quebrar a eternidade do orgulho para provar o quanto eu queria... O quanto eu queria... O quanto eu queria... sobreviver.
Minhas costas ficarão mais leves? Sem o peso constante de mentiras, de palavras incertas, de sentimentos que eu exaustivamente tentava cavar, e ludibriado sempre vivenciei sozinho.
Meu amor algum dia se resgatará? Deste ódio que cresceu em proteção à como ele foi condenado e maltratado.
Um dia você aprenderá? Que você tirou tudo de mim, lentamente até que sobrasse somente meus punhos e meu instinto de preservação final.
Eu amei uma ilusão, amei uma criança, amei como adulto, amei ao infinito um espelho dos meus desejos, porém eles refletiam versões de injustiça, que desgraçaram lentamente meus sentimentos e meu ânimo. Enquanto eu esperava ser alimentando pelo retorno de minha cumplicidade mágica, eu acabei em inanição.
Eu entreguei a última lembrança. Que não permita me conhecer, que não permita saber nada de mim, nos seus mais profundos pensamentos não me descobrirá, não imaginará meus sonhos ou verdadeiras intenções, não saberá a disposição e sobrarão somente dúvidas. Uma neblina que já vinha se formando na minha inércia gradativa.
Ao que me foi entregue eis o retribuível...
Eis o monstro. Eis a desistência. Eis o amor assassinado. Eis o espelho que você enxerga.
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