
Meus abandonados lírios pretos.
Eu ouço risadas no momento, estou compartilhando estes sorrisos, são rostos tão familares. Não! Na verdade eles são familiares, são minha estrada, o meu histórico de vida, laços conectados, sempre unidos, nada abandonados, sempre conservados.
Sim! São meus amores, e quando todos questionam eles apenas estão abraçados em mim como resposta, fluindo nas artérias invisíveis em baixo de minha pele, circulando quente e me sustentando, seguindo passo à passo cada dia, numa rotina, mas preenchida de renovado amor, que não cansa nem desgasta.
Eu sinto cheiro de lírios brancos, os símbolos da pureza, que distanciaram uma juventude-minúscula para crescer sendo preparada e fixa. E eu sentada no meu quintal, na minha mente eles compartilham o silêncio dos lírios pretos, silêncio alto, silêncio que não cala, eu apenas o sinto, seus diálogos confusos, obscuros, linguagens indecifráveis, mas tão claras... são meus abandonados lírios pretos, tentando ser escutados. São minhas revoluções mais fugidias da vida, que foram abafadas. Natureza que me chama, mas meus lírios brancos não tem ouvidos.
Para toda forma de dor há amor pra sobrepor, mesmo que seja verdade, mesmo que arda no ínsito, mesmo que não cicatrize, eu observo a dança das flores no meu quintal, e tudo passa.
E pra toda forma de problema existe uma toca emocional, me recolhendo dentro destes valores num cálice de ouro, sem precisar ligar, pois as batalhas estão acumuladas em meus calos, que são degraus e até mesmo talvez uma escada rolante, ou melhor um elevador, que foi construído involuntariamente nos conceitos de luta.
E pra todo vulcão existe uma caverna gelada, e pra todo exército existe famílias esperando.
Meu quintal, minha família, são remunerações do meu sangue bebido no cálice de ouro, e todos são raízes que fixam meus pés, trazendo sorrisos ao exército batalhado, as risadas que ouço pra trilha já ser esquecida.
Lírios pretos calados, suas vozes que queimam dentro de mim,são meu lado obscuro,
seus gritos que queimam dentro de mim, são minhas dores abafadas,
seus choros que queimam dentro de mim, são minhas dúvidas profundas apagadas.
Pois lírios pretos que queimam, que gritam, que choram;
Neste momento, vocês não são relevados,
Pois ouço risadas; lembro sorrisos, e a leveza do meu quintal...
Com lírios brancos dançando...
Calam o direito de sua existência em mim.
Calam........................
(E eu continuo, falando e calada).
Um comentário:
Marcos...
você descreve o sentimento pelos os "meus amores",( minha familia-meu alicerce) na plenitude, tal qual vivencio!
os lirios negros....as fases ruins, as dores! existiram, existem, e existirão..........mas com o diferencial de nunca estar sozinha....podendo então superar, erguer a cabeça e seguir!
E é o que devemos fazer..o que aprendi...penso que cair na melancolia,não resolverá a escuridão, senão trazer mais trevas!
quando se tem pelo que viver...........só vemos lírios brancos no jardim! E a dança e o perfume dos lírios brancos, é mais um estimulo para sentar no jardim e apreciar a vida!
obrigada Marcos! muita luz pra ti!
bjs
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